9.4.03



UM MICROFONE, POR FAVOR




Quando ele fala, todo mundo escuta



Apesar da vitória de ontem sobre o Cleveland Cavaliers, o Washington Wizards dificilmente chegará aos playoffs. Mas isso não é motivo para excluir Michael Jordan do noticiário. O efeito é justamente o oposto: na iminência de encerrar a carreira com o fracasso da eliminação, o rei das quadras tem atraído microfones aonde quer que vá. E nem sempre os repórteres querem saber sobre as chances de sua equipe.

Ontem, em sua mais recente incursão na mídia, Jordan negou qualquer possibilidade de assumir no ano que vem a vaga de Jerry Krause, cartola dos Bulls que se aposentou por problemas de sáude. O nome do craque foi logo lançado ao vento, e ele tratou de jogar um balde de água fria nos antigos fãs de Chicago: “Foi uma pena o que aconteceu com Jerry. Mas em Washington comecei minha carreira de dirigente, e em Washington quero encerrá-la.”

A magnitude do assunto deixou em segundo plano outras questões abordadas por Jordan na manhã de terça-feira. Entre elas está uma sintomática declaração de apoio a Carmelo Anthony, que acaba de conquistar o título da NCAA à frente da Universidade de Syracuse. O garoto ainda nem decidiu se vai estudar mais um pouco ou se aventurar no basquete profissional. Mas Jordan já iniciou uma campanha para que ele seja o primeiro selecionado no próximo draft.

Evitando declarar abertamente sua preferência, o mestre garante que Anthony tem plenas condições de rebaixar o fenômeno LeBron James à segunda escolha (o nome do iugoslavo Darko Milicic, por sinal, nem chegou a ser mencionado na conversa).

Seria uma tolice supor que Jordan adotou essa posição “do contra” por enxergar em LeBron uma ameaça ao seu reinado. Mas o apoio a Anthony está longe de ter critérios exclusivamente técnicos. Parece claro que o oba-oba em torno do menino-prodígio incomoda sua Majestade. Por isso o recado soa aos meus ouvidos como um: “Menos, pessoal. Menos.”

A relação entre o melhor jogador de todos os tempos e o colegial mais badalado da história seguia de vento em popa. Há algumas semanas, a imprensa americana gastou um bocado de tinta para noticiar os supostos laços de amizade entre os dois, lembrando inclusive que um tinha o número do celular do outro.

O próprio Jordan desmentiu a lua-de-mel: “Não falo com ele há meses, portanto não me inclua nessa história. Sei que ele não tem meu celular porque acabo de mudar o número.” Em meio a elogios econômicos, a crítica veio forte: “LeBron pode se achar excelente para jogar na NBA agora. Mas quando chegar aqui e encontrar atletas de alto nível, vai notar que são bem diferentes daquelas crianças de 1.70m na escola.”

Os tapas e beijos do relacionamento transformaram-se em tema de um belíssimo texto redigido recentemente por Jim Armstrong, colunista do Denver Post, para a Página 2 da ESPN.com.

Vai ver, Jordan gostaria que o moleque adquirisse mais experiência encarando o purgatório da universidade (de preferência na sua estimada North Carolina) antes de saltar para a NBA. Talvez esteja meramente adotando uma tática para quebrar o deslumbramento de um adolescente tratado como gênio. Ou tudo isso pode ser apenas uma breve crise de ciúmes de um astro que cumpriu todo o percurso tradicional, como manda o figurino, antes de se consagrar no esporte.

Sinceramente, não creio nessa última opção.

(Foto - Jonathan Daniel/NBAE)

8.4.03



TALENTO FORA DA QUADRA




Saunders é um dos responsáveis pela
boa campanha do Minnesota este ano




Dia sim, dia não, lá vem uma lista do Rebote. E desta vez estou preparado para as pedradas. A escolha do melhor técnico do ano quase sempre rende polêmica. Afinal, o que não falta é gente boa para orientar os astros no treinamento e na beira da quadra. Para 2003, a NBA já reservou seu punhado de favoritos. Meus dois preferidos estão longe deste grupo. Ainda assim, segue o insólito Top-10 dos treinadores.



1. FLIP SAUNDERS - No passado recente, o Minnesota Timberwolves perdeu peças fundamentais como Stephon Marbury, Tom Guggliota, Bobby Jackson e Terrell Brandon. Extrair qualidade de um elenco que vive se desmantelando é uma arte. E neste ano, pela primeira vez, o time apresenta um equilíbrio invejável. Não chega a ser uma máquina e pode até ser eliminado na primeira rodada dos playoffs. Mas chegar à final do Oeste é um sonho absolutamente palpável. Méritos para Saunders, que conseguiu, enfim, tirar de seus comandados o que eles têm de melhor. Suas alterações no sistema ofensivo deram a Kevin Garnett uma temporada de MVP. Pena que haja tantos medalhões na disputa, o que faz cair para zero sua possibilidade de faturar o prêmio.

2. MAURICE CHEEKS - Outro que não tem a menor chance de ser eleito pela liga, mas merece todas as honras. Em Portland, Cheeks transformou um bando de arruaceiros numa ameaça para qualquer adversário. Hoje os Blazers são temidos não pela má índole, mas pelo alto nível do basquete praticado em quadra. Administrar as inúmeras encrencas e ainda por cima criar um grupo vencedor não é tarefa para qualquer um.

3. RICK ADELMAN - Este sim é um candidato de verdade. O Sacramento Kings já mostrou que tem condições de bater todos os rivais, dentro e fora de casa, incluindo o algoz Los Angeles Lakers. Talvez seja o time mais equilibrado entre os 29 que disputam o campeonato.

4. RICK CARLISLE - Faltam estrelas, sobram problemas. Ainda assim, lá está o Detroit Pistons brigando pela liderança do Leste. Com a saída de Jerry Stackhouse, pouca gente acreditava numa campanha de sucesso. Carlisle, eleito o melhor técnico de 2002, tem tudo para repetir a façanha.

5. GREGG POPOVICH - Pouca gente fala nele, mas o treinador do San Antonio Spurs esbanja competência. Nesta temporada, enfrentou a abrupta queda de rendimento do pivô David Robinson, deu função de líder a Tony Parker e encaixou perfeitamente no esquema o argentino Manu Ginobili.

6. DON NELSON - Assim como Adelman, faz sua equipe jogar por música. O Dallas Mavericks pode até não ser campeão, mas belisca a perfeição em quase todos os fundamentos. O que mais se pode esperar de Nelson?

7. JERRY SLOAN - Karl Malone e John Stockton ainda estão lá, mas a versão 2003 do Utah Jazz é bem diferente das anteriores. A chegada de Matt Harpring e Mark Jackson fez muita coisa mudar, e o russo Andrei Kirilenko evoluiu a olhos vistos. Tudo isso foi muito bem ajustado pelo veterano técnico.

8. ERIC MUSSELMAN - Em seu ano de estréia, levou o Golden State Warriors a uma performance surpreendente. Acredito que o sucesso teve muito mais a ver com a qualidade de Arenas, Richardson, Murphy e Jamison do que com qualquer espécie de desenho tático. Mas Mussemlan tem seus méritos.

9. PHIL JACKSON - Desta vez, a sabedoria budista foi mais eficiente que os rabiscos na prancheta. O mestre zen do Los Angeles Lakers merece elogios, acima de tudo, por ter conseguido motivar os tricampeões após um início decepcionante.

10. HUBIE BROWN - Contratado como salvador da pátria, não conseguiu levar o Memphis Grizzlies ao playoff. Mas ninguém esperava isso mesmo. Sua façanha foi tornar respeitável (e futuroso) um time que não passava de saco de pancadas.

::::::::

Só depois de elaborar a lista percebi que há nove técnicos do Oeste contra apenas um do Leste. Por isso concedo menções honrosas a Byron Scott, Paul Silas, Larry Brown, Isiah Thomas e Doc Rivers.

::::::::

(Foto - David Sherman/NBAE)

7.4.03



PISTONS EM ALERTA MÁXIMO




A contusão no joelho de Wallace pode
deixá-lo fora da disputa na reta final




Aos 23 anos, o calouro Tayshaun Prince raramente se faz notar no Detroit Pistons. Pouco acionado pelo técnico Rick Carlisle, ele contribui com menos de 3 pontos por noite. Não ajuda muito, mas também não atrapalha. Ou melhor, não atrapalhava. Ontem, de forma absolutamente involuntária, Prince pode ter jogado no ralo a vitoriosa campanha de sua equipe neste ano. Ao tentar bloquear uma bandeja de Tony Parker na partida contra o San Antonio Spurs, o novato caiu em cima de um companheiro de time. Se ao menos a vítima do encontrão fosse Hubert Davis, Michael Curry ou Zeljko Rebraca, tudo bem.

Mas era Ben Wallace.

O ala-pivô foi ao chão e levou as mãos ao rosto com uma expressão de dor. O choque lhe causou uma grave lesão nos ligamentos do joelho esquerdo. A confirmação só virá após um exame detalhado, mas os médicos temem que ele não possa mais voltar nesta temporada.

Carregado nos ombros por integrantes da comissão técnica, Wallace deixou a quadra e pode ter levado com ele as esperanças do Detroit nos playoffs. Sem sua presença, a equipe perde o que tem de melhor: um armário na defesa e a referência dentro do garrafão. É como se, de uma hora para a outra, fosse arrancada a espinha dorsal do elenco.

Tudo isso devido a um medíocre acidente de percurso. Prince certamente está se lamentando até agora (e rezando para que o exame traga uma boa notícia). Em seu primeiro ano na NBA, já aprendeu que o esporte é decidido em detalhes. O rumo natural das coisas pode mudar numa fração de segundo, sem que haja algum culpado, a não ser o acaso.

Favorito para a eleição de defensor do ano, Wallace lidera a liga com as incríveis marcas de 15.5 rebotes e 3.2 tocos por jogo. Sem ele, tudo fica mais difícil. Com a derrota de ontem, os Pistons já perderam o primeiro lugar da conferência para os Nets, que venceram em Toronto. Haja superação para a próxima fase.

::::::::

BRUXA SOLTA – Na partida do New Jersey, a torcida local presenciou outro lamentável acidente de trabalho. O astro Vince Carter subiu para um arremesso e, na queda, pisou no pé de Richard Jefferson. Torceu o tornozelo e está fora do restante do campeonato. A ironia é que atualmente Carter e Jefferson estrelam, juntos, um comercial de tênis nos Estados Unidos.

::::::::

(Foto - Allen Einstein/NBAE)

6.4.03



MUNIÇÃO EXTRA




Primeiro, Jackson esquenta o banco.
Depois, faz o mesmo com a partida.




Quem será eleito o melhor reserva do ano? Falta pouco para a NBA divulgar o vencedor do Sixth Man Award e as especulações já começaram. Como estamos em fase de palpites, segue abaixo mais um Top-10 do Rebote. No começo da temporada, Bobby Jackson era titular no Sacramento e Michael Jordan esquentava o banco do Washington. Se tivesse mantido esse status, Jordan provavelmente levaria o troféu. Mas, diante do fracasso dos Wizards, o mestre decidiu socorrer seus companheiros e logo passou a atuar desde o iníco das partidas. Jackson, por sua vez, tomou o caminho inverso. O retorno de Mike Bibby fez dele um reserva de luxo para os Kings. O fato de não começar os jogos é apenas um detalhe, o suficiente para torná-lo favorito ao prêmio. Aí vão meus dez eleitos.



1. BOBBY JACKSON - Para se ter uma idéia, sua média de pontos é idêntica à do titular (15.7). Quando Bibby sai de quadra, o nível da armação continua lá em cima. Missão cumprida, troféu para ele.

2. NICK VAN EXEL - É uma espécie de Jackson do Dallas. Ora substitui Steve Nash, ora brilha ao seu lado. Com uma década de experiência, tornou-se peça fundamental na vitoriosa campanha dos Mavs. Contribui a cada noite com 12.3 pontos e 4.2 assistências.

3. MICHAEL REDD - Levando em conta apenas as estatísticas, talvez até merecesse a medalha de prata. Com 15.2 pontos e 4.4 rebotes por jogo, o armador do Milwaukee Bucks arremessa como poucos e pode se orgulhar de ser o terceiro melhor da liga nos tiros de três (aproveitamento de 44%).

4. AL HARRINGTON - Ótima opção no banco do Indiana Pacers, com médias de 12.3 pontos e 6.2 rebotes. É tido como um dos pilares da renovação que a equipe deve enfrentar quando Reggie Miller pendurar o tênis.

5. EARL BOYKINS - Os números (9.2 pontos e 3.3 passes) não dizem muita coisa, mas o baixinho já decidiu várias partidas para o Golden State Warriors nessa temporada. É o tipo de atleta que começa no banco e termina em quadra.

6. ANDREI KIRILENKO - Em seu segundo ano no Utah Jazz, o ala russo passou para a reserva com a chegada de Matt Harpring. Em vez de se intimidar, elevou suas médias de pontos (11.9), rebotes (5.4) e tocos (2.2).

7. VOSHON LENARD - Como o Toronto Raptors vai mal das pernas, ninguém presta muita atenção em Lenard. Eu mesmo admito que sempre tive uma certa implicância com ele. Mas sua pontuação consistente (14.3) acabou me convencendo.

8. TONI KUKOC - Outro bom nome no banco do Milwaukee. Nesta temporada, não atuou como titular uma vez sequer. Reserva convicto. Colabora com 11 pontos e 4 rebotes por noite.

9. MANU GINOBILI - O argentino teve um péssimo começo de campeonato e, por isso, ficou difícil se recuperar nas estatísticas. Livre das contusões, melhorou muito após o All-Star Game. Ainda não é o suficiente para barrar Stephen Jackson, mas já deu para garantir o prestígio no San Antonio Spurs.

10. CORLISS WILLIAMSON - O vencedor de 2002 tem chances de repetir a dose. Assim como Kukoc, não foi titular nenhuma vez este ano. Em compensação, pontua bem (12.1) e se mantém como segundo melhor reboteiro do Detroit Pistons, atrás apenas de Ben Wallace.

(Foto - Bill Baptist//NBAE)

5.4.03



:::: BLOCO DE NOTAS ::::

Todo sábado, um passeio rápido pela liga




Com um tiro de três pontos, Webber
passou de vilão a herói ontem à noite




SEXTA GORDA - Para a sorte dos telespectadores brasileiros, as rodadas de sexta-feira têm sido emocionantes. Ontem não foi diferente. Em Boston, no jogo da TV, o Sacramento chegou a estar vencendo por 19 pontos no terceiro quarto e permitiu a virada dos Celtics no último minuto. A 14 segundos do fim, Chris Webber teve a chance de recuperar a vantagem, mas desperdiçou um par de lances-livres. Quando a sirene já se aproximava e tudo parecia perdido, o ala teve sua segunda oportunidade e decidiu a partida com uma rara cesta de três, dando a vitória aos Kings. Quem também aprontou das suas foi Kobe Bryant. Em Memphis, o Los Angeles perdia por 23 no início do quarto período. A reação espetacular culminou com um arremesso certeiro de Kobe no último segundo. Com o triunfo, os Lakers assumiram a sexta vaga do Oeste, já que o Utah foi derrotado em casa pelo New York (graças a um chute decisivo de Allan Houston na prorrogação).

::::::::

O NEGLIGENTE - Scottie Pippen encontrou um culpado para a seqüência de tumultos que atormenta o Portland Trail Blazers. E não teve medo de dedurá-lo. Segundo o veterano atleta, que se recupera de uma cirurgia no joelho, o momento conturbado se deve à negligência do dirigente Bob Whitsitt. “Ele não está atento ao que acontece aqui. Não procura saber o resultado das contratações que fez, não se preocupa com o que acontece nos treinamentos, nada.” A crítica se estendeu também ao ímpeto de promover negociações: “Whitsitt me trouxe para cá e desmantelou o elenco no ano seguinte.” A crise fora das quadras é tamanha que já rendeu à equipe o apelido de Jail Blazers (um trocadilho com a palavra cadeia).

::::::::

TELE-VERGONHA - O telefone toca e o torcedor atende. Do outro lado da linha, está um jogador do Cleveland Cavaliers implorando por fidelidade à equipe. Com essa tática, a diretoria quer preservar os poucos fiéis que ainda compram o carnê de ingressos para acompanhar os Cavs durante toda a temporada. O rápido bate-papo com o ídolo serve para descontrair, mas não faz ninguém esquecer o gosto amargo da lanterna. “Carlos Boozer me ligou e agradeceu a presença nos jogos, foi extremamente gentil. Respondi que torcia para eles vencerem um pouco mais”, revelou Mike Mural, surpreso por ter sido agraciado com um telefonema do calouro.

::::::::

PRESENTE DE GREGO - Na terça-feira, o Conselho da NBA vota a transferência do New Orleans Hornets para o Oeste na temporada 2004-2005, quando a nova equipe de Charlotte será incluída no Leste. A mudança tem provocado intensa chiadeira. Com 42 vitórias e 34 derrotas, os Hornets ocupam hoje a quarta posição de sua conferência. Se jogassem no competitivo Oeste, estariam em oitavo lugar. Tudo isso, no entanto, ainda pode ser repensado. David Stern, o cartola-mor, já manifestou a intenção de mudar o formato da liga para seis divisões.

::::::::

HORA DO BOLÃO - É grande a tentação para palpitar sobre os classificados em cada conferência. Aí vão minhas apostas, na ordem. Podem cobrar depois.

LESTE: Pistons, Nets, Sixers, Pacers, Hornets, Magic, Celtics e Bucks. Sim, acho que T-Mac ainda alcança Paul Pierce.

OESTE: Spurs, Kings, Mavs, Blazers, Wolves, Lakers, Jazz e Rockets. Sim, acredito que Duncan chega em primeiro e Yao bate Amare na oitava vaga.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

George Karl não vê a hora de encerrar a temporada no Milwaukee Bucks. Está ansioso com a possibilidade de assumir o posto de técnico na Universidade de North Carolina, que já revelou craques como Michael Jordan, Vince Carter, Rasheed Wallace e Jerry Stackhouse.

:::::::: ::::::::

No meio da semana, Jordan fez sua última visita a Atlanta. Shareef Abdur-Rahim estragou a festa com o arremesso decisivo que garantiu a vitória dos Hawks sobre os Wizards. Foi vaiado pela própria torcida.

:::::::: ::::::::

Jason Kidd voltou a dizer que sua intenção é continuar em New Jersey. Mas praticamente condicionou sua permanência à do colega Kenyon Martin.

:::::::: ::::::::

“Eu amo os grandalhões do meu time até a morte, mas precisamos fazer alguma coisa na questão dos rebotes”. Foi o que disse o solitário Tracy McGrady, após a derrota para o Philadelphia, quando a equipe pegou 23 rebotes a menos que o adversário.

:::::::: ::::::::

(Foto - Andrew D. Bernstein/NBAE)

4.4.03



FOGO AMIGO




Randolph trocou o basquete pelo boxe
e agrediu um colega de time no treino




Um bate-boca aqui, uma jogada ríspida ali, e as atividades de quarta-feira seguiam agitadas no centro de treinamento do Portland Trail Blazers. Em determinado momento, Ruben Patterson começou a discutir com o calouro Qyntel Woods. A turma da paz nem teve tempo de ensaiar o deixa-disso. Zach Randolph, amigo de Woods, partiu para cima de Patterson e acertou-lhe um inesperado soco no rosto. O sangue jorrou e o clima fechou.

É esta a rotina da equipe que ocupa a invejável quarta posição na temida conferência Oeste. As cenas e os personagens caberiam perfeitamente num set de filmagens dirigido por Quentin Tarantino: atos de violência, troca de insultos, consumo de drogas por todo lado. Paira ali uma atmosfera inexplicável, capaz de despertar em cada jogador o ímpeto de procurar encrenca. O retrospecto não me deixa mentir.

No último fim de semana, o próprio Woods arrumou problemas com a Justiça por dirigir em alta velocidade, sem habilitação e ainda por cima com maconha dentro do carro. A posse da erva e a direção perigosa também renderam acusações a Rasheed Wallace e Damon Stoudamire, em novembro do ano passado. Só agora a dupla vai conseguindo se livrar dos processos.

Também em novembro, Patterson foi preso por agredir sua mulher. A polícia acabou arquivando a investigação de maus tratos domésticos, mas os Blazers aplicaram uma multa de US$ 100 mil ao atleta. Wallace, o bad-boy número 1, pegou sete jogos de suspensão em janeiro por ameaçar um árbitro da NBA nas cercanias do ginásio Rose Garden. Em março, o armador Bonzi Wells foi afastado por discutir com o técnico Maurice Cheeks. E por aí vai.

Ainda assim, o time carimbou seu passaporte para os playoffs e está muito perto de conquistar o mando de quadra no primeiro round. Méritos para Cheeks, que faz o possível ao arrastar sua gangue rumo à próxima fase. “Precisamos encontrar um meio de manter a união. Esta é minha função”, preocupa-se o comandante. “De algum jeito, tenho de garantir que o grupo não vai rachar. Não sei se vou conseguir, será um teste para as minhas habilidades como treinador.”

Um senhor teste. Só o futuro é capaz de avaliar o sucesso da missão. As dificuldades começam cedo: o primeiro embate no mata-mata deve ser contra o Minnesota Timberwolves, decidido a chutar para escanteio o tabu de nunca ter vencido uma série de playoff. De todo modo, assim como na guerra, a preocupação imediata deve ser com o chamado fogo amigo. Não há adversário mais forte para o Portland do que o próprio Portland.

(Foto - Sam Forencich/NBAE)

3.4.03



PONTO DE MUTAÇÃO




Arenas, MVP no Desafio dos Calouros,
pode levantar outro troféu em 2003




De uma temporada para a outra, muita coisa acontece. Sabe-se lá que tipo de vitamina os jogadores da NBA tomam durante as férias, mas alguns deles conseguem mudar da água para o vinho em poucos meses. Para premiar esse tipo de esforço, a liga concede, ao fim de cada campeonato, o prêmio Most Improved Player, para o atleta que mais evoluiu em relação ao ano anterior. Com a proximidade dos playoffs, a briga começa a esquentar. Sobram candidatos para todos os gostos. Ou seja, está mais que na hora de descer do muro e comentar o assunto. Aqui estão meus dez eleitos, na ordem de preferência. Espero não ter esquecido ninguém.



1. GILBERT ARENAS - Em 2002, ele era um ilustre desconhecido. Hoje, é um dos melhores armadores da NBA. Responsável direto pela boa campanha do Golden State Warriors, o garoto de 21 anos tornou-se um líder em quadra, levando a sério a palavra estampada na camiseta que veste: trata-se, essencialmente, de um guerreiro. Desde a última temporada, seus números saltaram em vários fundamentos, como pontos (10.9 para 18.5), assistências (3.7 para 6.1) e rebotes (2.8 para 4.7). Coube a ele, portanto, o grande pulo do gato em 2003.

2. RICKY DAVIS - Analisando friamente, talvez ele até merecesse o troféu. Mas seu prestígio caiu por terra após o patético incidente do triple-double forçado. O armador do Cleveland Cavaliers evoluiu a olhos vistos, mesmo amargando a lanterna da liga desde a primeira semana. De 11.7 pontos por noite, passou a 20.5. Também aumentaram as médias de passes (2.2 para 5.3) e rebotes (3 para 4.9). Medalha de prata nele, apesar do espírito antidesportivo.

3. TROY MURPHY - É fácil descobrir por que o Golden vem surpreendendo todo mundo. Assim como Arenas, Murphy também cresceu bastante. O tímido ala que pegava apenas 3.9 rebotes por partida tornou-se o sexto maior da NBA nessa estatística, com média de 10.2. Os pontos quase dobraram (5.9 para 11.6) e ajudaram a fazer dele o oitavo da liga em double-doubles.

4. MATT HARPRING - A transferência para o Utah Jazz tinha tudo para afundar sua carreira. Afinal, ninguém consegue brilhar ao lado de Karl Malone e John Stockton, certo? Errado. Jeff Hornacek já havia provado isso, e Harpring parece ter aprendido direitinho. Além de pular dos 11.8 para os 17.8 pontos por jogo, o ala-armador conseguiu o que parecia impossível: melhorar ainda mais a pontaria nos arremessos (46% para 51%), incluindo os tiros de três (30% para 43%).

5. CHAUNCEY BILLUPS - Nada melhor que respirar novos ares. Em Detroit, Billups passou a liderar um time vencedor. Mais maduro na armação, melhorou também na hora de finalizar, contribuindo com média de 16 pontos (eram 12.5 em 2002). De quebra, pode ser campeão do Leste.

6. BOBBY JACKSON - O habilidoso armador do Sacramento Kings conseguiu elevar todas as suas estatísticas, sendo que a maior diferença se nota na pontuação (11.1 para 16.1). O fato ganha mais relevância pelo fato de Jackson ser um reserva. Ainda não dá para tomar a vaga de Mike Bibby entre os titulares, mas finalmente este grande jogador começa a ganhar o reconhecimento que merece.

7. TONY PARKER - Outro que levantou quase todos os números. De 9 pontos por partida, passou para 15.5. Também progrediu um bocado nas assistências e no aproveitamento de arremessos, tornando-se um líder em San Antonio. Está a um passo da concorrida elite dos armadores da NBA.

8. STEPHEN JACKSON - O companheiro de Parker nos Spurs é mais um Jackson na lista. Não passava de um Zé Ninguém ano passado, atuando cerca de 9 minutos por noite. Conseguiu triplicar a média para 27. A reboque, ganhou eficiência nos tiros (37% para 43%) e passou a pontuar mais (3.9 para 11.9).

9. TROY HUDSON - O armador do Minnesota é hoje o quarto melhor cobrador de lances-livres da liga. Mas não é isso que o credencia aqui. A subida nas médias de pontos (11.7 para 14.3) e assistências (3.1 para 5.7) fizeram dele uma das peças fundamentais na arrancada dos Wolves.

10. KEVIN GARNETT - Por falar em Wolves, aí está um dos mais fortes concorrentes ao prêmio de MVP, evoluindo levemente em quase todos os fundamentos. Garnett atravessa o que os americanos chamam de career-year. É o suficiente para que muitos o considerem, hoje, o melhor jogador de basquete em atividade no planeta.

(Foto – Andrew D. Bernstein/NBAE)

2.4.03



EM BUSCA DE UM LUGAR CONFORTÁVEL




Kobe sabe que enfrentar os Spurs será uma pedreira



Escrever sobre o Los Angeles Lakers é como cutucar um vespeiro. Sei que os ânimos se inflamam e o risco de um contra-ataque furioso aumenta consideravalmente. Ainda assim, não dá para ignorar o time a esta altura do campeonato. Os playoffs vêm chegando e, ao contrário do que muitos previam, lá estão os tricampeões, prontos para perseguir o quarto título com unhas e dentes.

Hoje, a equipe repousa na sétima posição do Oeste, logo atrás do Utah Jazz (que se vê seriamente ameaçado) e bem à frente do Phoenix Suns (que não oferece perigo algum). À primeira vista, a situação pode parecer incômoda. Afinal, mando de quadra não é benefício que se despreze e, do jeito que a coisa anda, Kobe e Shaq estarão sempre em desvantagem neste aspecto.

Entretanto, quem acompanhou a NBA durante os últimos três anos sabe que os Lakers se agigantam na hora da verdade, mesmo longe da Califórnia. Não, isso não é conversa fiada. De fato, aquela camisa amarela (ou roxa, ou branca) pesa um pouco mais que as outras, principalmente quando envergada por gente que esbanja experiência em playoffs.

Portanto, deixemos de lado o fator-casa e vamos ao fator-adversário. Tendo em vista que só um milagre levaria o Los Angeles à quarta colocação, o primeiro round (agora disputado em melhor de sete partidas) deve reservar um embate contra Dallas, Sacramento, San Antonio ou Portland.

Dizem por aí que os Mavericks vão pipocar na fase decisiva. Discordo parcialmente dessa teoria, e vou abordá-la com mais detalhes aqui até o fim da semana. Mas é inegável que Kings e Spurs são os rivais mais indigestos. O que nos leva à seguinte conclusão: a arrancada da turma de Phil Jackson parou no meio do caminho.

Explico: o ideal seria que a elogiável recuperação dos Lakers se estendesse ao menos até a aquisição da quinta vaga, o que renderia um duelo mais tranqüilo com os Blazers. Mas dificilmente isso vai acontecer. Excluída essa possibilidade, o mais indicado (no plano teórico, claro) seria ficar em oitavo, atraindo Dirk Nowitzki, Steve Nash e os demais “pipoqueiros” para a primeira batalha. O desafio seguinte seria contra Portland ou Minnesota, e a pedreira de verdade só viria na final da conferência.

Mas a não ser que entregue jogos de propósito (hipótese que eu descarto sem pestanejar), ficar em oitavo é tão improvável quanto ficar em quinto. Ou seja, Phil Jackson pode ir preparando os mantras para abrir a próxima fase enfrentando Spurs ou Kings. E se passar por um, pega o outro em seguida. Nesse caso, a salvação só seria possível com um Bryant estilo-MVP e um O’Neal estilo-super-homem trabalhando juntos a cada noite. Sem descanso.

::::::::

DETALHE 1 – Até o fim da temporada regular, o Los Angeles terá oportunidade de testar seu poder de fogo contra possíveis oponentes no playoff. Enfrenta Portland, Sacramento e Dallas (este último duas vezes, sendo a primeira amanhã, no Texas).

DETALHE 2 – Por iniciativa da ESPN, Shaquille O’Neal vem se correspondendo, por e-mail, com um oficial da Marinha americana baseado no Qatar, em pleno front da guerra no Oriente Médio. Vale a pena conferir a troca de mensagens.

::::::::

(Foto – NBAE)

1.4.03



A OBRIGAÇÃO DE VENCER




T-Mac deixou escapar ontem, na prorrogação,
uma vitória fundamental contra o Philadelphia




O quarto período já corria avançado e o Orlando Magic mantinha o Philadelphia 76ers sob controle. Em casa, diante de uma torcida empolgada, fazia uma exibição correta. A diferença chegava a 10 pontos. De uma hora para a outra, foi-se a concentração, veio uma prorrogação e surgiu, quando ninguém esperava, uma derrota imperdoável. Não pelo adversário, que é forte, mas por dois simples motivos. 1) A esta altura do campeonato, não se pode entregar nos últimos minutos uma partida que está praticamente ganha. 2) O fracasso de ontem pode custar muito caro daqui a 15 dias.

Pelas contas do Orlando, a vitória seria fundamental na briga contra o Boston para garantir a sexta vaga do Leste. A disputa segue apertada, mas a turma de Paul Pierce, que anda tropeçando nas próprias pernas, ao menos tirou a corda do pescoço. Amanhã, os Celtics recebem o Miami Heat e têm tudo para abrir ainda mais a vantagem.

O Magic, por sua vez, começa hoje uma miniturnê espinhosa, justamente no lugar mais temido por qualquer equipe da NBA: o Texas. Até domingo, serão três compromissos, em seqüência, contra San Antonio, Dallas e Houston. Haja reza.

Se conseguir escapar ileso dessa viagem maldita (o que significa arrancar uma ou duas vitórias), o Orlando volta a morder o calcanhar do Boston. Se vencer os três (vai que todos os deuses resolvem olhar pela Flórida, até o Miami pode aprontar amanhã), fica praticamente garantida a sexta vaga, já que o resto do calendário não prevê muitos percalços. Mas se não houver milagres e acontecer o mais previsível (derrota tripla), é bom se contentar mesmo com o sétimo lugar.

E isso seria tão desastroso assim? Mais ou menos. O problema é que o sexto colocado tem grandes chances de enfrentar o Philadelphia (3º) na primeira rodada, enquanto o sétimo deve pegar o New Jersey (2º). Mesmo após a decepcionante atuação de ontem, é muito mais vantajoso para o Magic enfrentar os 76ers. Seria a típica série 1x1. T-Mac de um lado, Iverson do outro, e que vença o melhor. Os Nets tornariam a missão muito mais difícil, espalhando em quadra o talento de atletas como Jason Kidd, Kenyon Martin e Richard Jefferson, sem falar na volta de Dikembe Mutombo, que aos poucos vai retomando sua forma.

Ou seja, convém ao técnico Doc Rivers caprichar nas preleções e, se possível, reforçar a vitamina da rapaziada. As visitas a Duncan, Nowitzki e Yao devem ser encaradas como embates de vida ou morte. Para o Orlando, começa hoje a semana mais importante de toda a temporada.

(Foto – Fernando Medina/NBAE)

31.3.03



TEMPO CONGELADO




A luta é dura, mas Duncan e Nowitzki
seguem passeando no topo do Oeste




Nas semanas seguintes ao All-Star Game, muita água rolou na NBA. Pelo menos era isso que se previa. No Oeste, Shaq e Kobe fizeram muita gente pensar que o Los Angeles teria mando de quadra na primeira rodada do playoff; o embalado Portland despertou como possível campeão da conferência; Kevin Garnett colocou o Minnesota entre os favoritos ao título; o Golden State encheu sua torcida de esperança rumo à classificação. No Leste, parecia certa a derrocada do Indiana; Allen Iverson e o Philadelphia ameaçaram alcançar a liderança; o New York deu a entender que conquistaria a oitava vaga.

Tudo fogo de palha. Até agora, nenhuma dessas profecias se realizou.

Os Lakers continuam estacionados na sétima posição; a contusão de Scottie Pippen freou o ímpeto dos Blazers; os Wolves perderam quase todas as batalhas contra times grandes; Warriors e Knicks tropeçaram contra adversários fracos; os Pacers se recuperaram e os Sixers não conseguiram passar do terceiro lugar.

Resumo da ópera: tudo continua como antes. Dallas, Sacramento e San Antonio seguem dominando o Oeste, enquanto Detroit e New Jersey fazem o mesmo no Leste. Cleveland e Denver não largam a lanterna. Phoenix, Houston, Washington e Milwaukee ainda brigam pelas últimas vagas. Ninguém perturba Yao Ming e Amare Stoudemire na eleição de calouro do ano. Ao contrário do que se pensava, o quadro permaneceu praticamente inalterado desde o All-Star, a não ser pelo ligeiro favoritismo conquistado por Garnett na corrida dos MVPs e pela inclusão de Jerry Sloan, do Utah Jazz, entre os candidatos a melhor técnico de 2003.

Enquanto a bola estiver quicando, cada equipe se agarra à sua esperança, mesmo que ela esteja suspensa por um fio poído. Restam apenas 17 dias para o fim da temporada regular. É pouco tempo para alterar um panorama congelado há meses, mas não custa torcer. Que venham as surpresas de última hora.

(Foto - Glenn James/NBAE)

30.3.03



A ORIGEM DO TALENTO




Chris Webber e Juwan Howard foram incluídos
na equipe virtual da Universidade de Michigan




Aproveitando que o basquete da NCAA entrou em sua fase decisiva, o site oficial da NBA resolveu criar um interessante exercício de ficção. O objetivo é descobrir qual universidade revelou os melhores atletas nos últimos anos, levando em conta apenas os que jogam atualmente entre os profissionais. A partir dos frutos de cada faculdade, foram montados times virtuais, que se enfrentam numa espécie de playoff onde a vitória é determinada pela votação do público.

A brincadeira, chamada de Big Men on Campus, é uma ótima oportunidade para conferir o retrospecto recente das divisões de base da liga. De fato, algumas universidades são verdadeiras fábricas de craques. Tal força nem sempre é percebida, já que seus produtos se espalham pela NBA e ninguém se preocupa muito em identificar suas origens. Com os elencos simulados, fica mais fácil analisar, mesmo que o arranjo das posições às vezes seja meio forçado. Abaixo, seguem as seleções que chegaram às quartas-de-final no torneio fictício. Faça seu próprio julgamento.



NORTH CAROLINA
Rasheed Wallace (pivô)
Antawn Jamison (ala)
Michael Jordan (ala)
Vince Carter (armador)
Jerry Stackhouse (armador)

Banco: Rick Fox, George Lynch, Jeff McInnis.

KENTUCKY
Jamaal Magloire
Antoine Walker
Jamal Mashburn
Derek Anderson
Tony Delk

Banco: Ron Mercer, Walter McCarty, Scott Padget.

MICHIGAN
Chris Webber
Juwan Howard
Glen Rice
Jalen Rose
Jamal Crawford

Banco: Maurice Taylor, Robert Traylor, Maceo Baston.

DUKE
Elton Brand
Christian Laettner
Shane Battier
Corey Maggette
Jay Williams

Banco: Danny Ferry, Carlos Boozer, Grant Hill (contundido).

ARIZONA
Sean Rooks
Richard Jefferson
Jason Terry
Gilbert Arenas
Mike Bibby

Banco: Damon Stoudamire, Steve Kerr, Chris Mills.

CONNECTICUT
Cliff Robinson
Donyell Marshall
Caron Butler
Richard Hamilton
Ray Allen

Banco: Kevin Ollie, Travis Knigh, Jake Voskhul.

MICHIGAN STATE
Kevin Willis
Zach Randolph
Morris Peterson
Jason Richardson
Eric Snow

Banco: Jamie Feick, Matten Cleaves (contundidos), Steve Smith.

KANSAS
Greg Ostertag
Raef LaFrentz
Drew Gooden
Paul Pierce
Jack Vaughn

Banco: Danny Manning, Scot Pollard.



Para as semifinais, os fãs já classificaram North Carolina (que sobra na turma), Kentucky e Michigan. A quarta vaga está sendo disputada por Duke e Connecticut. A votação continua aberta e, por enquanto, vai ganhando a turma de Allen e Hamilton. Se você prefere Brand e Laettner, ainda há tempo para votar. De passagem por lá, aproveite e confira as outras escalações. Vale a pena.

(Foto - Rocky Widner/NBAE)

29.3.03



:::: BLOCO DE NOTAS ::::

Todo sábado, um passeio rápido pela liga




De uniforme novo, Hardaway fez 14
pontos e derrotou o Chicago ontem




VELHINHO EM FORMA - Tim Hardaway está de volta. Com 14 pontos, 7 assistências, 4 rebotes e 3 roubadas, o veterano armador ajudou o Indiana Pacers no triunfo histórico sobre o Chicago Bulls, por 140-89. Podem fazer as contas, foram 51 pontos de diferença. A rodada de ontem teve outros episódios curiosos, como as improváveis vitórias de Golden State Warriors (em Philadelphia) e Phoenix Suns (em Detroit); os incríveis 55 pontos de Kobe Bryant contra o Washington Wizards de Michael Jordan; e a melhor performance da carreira de Caron Butler, que marcou 35 em Miami e bateu o forte Minnesota Timberwolves.

::::::::

SPREE FASHION - Faltavam dois minutos para o fim da partida entre New York Knicks e Toronto Raptors, na segunda-feira, em pleno Madison Square Garden. Na linha lateral, Latrell Sprewell se preparava para repor a bola em jogo. Eis que, dos assentos ao lado da quadra, ergue-se o famoso estilista Calvin Klein. Aparentemente tenso, ele segurou Spree pelo braço e falou algumas palavras em seu ouvido, antes de ser contido pela segurança do ginásio. Até agora, ninguém sabe ao certo o que foi dito. O jogador fez um comentário rápido sobre o incidente: “Estou aberto para qualquer linha de roupas. Se o sr. Klein quer falar sobre negócios, podemos falar.”

::::::::

TUDO EM CASA - Em Memphis, as coisas funcionam em família. O time da Lausanne High School, que na útlima semana disputou (e perdeu) o título da Divisão 2 do basquete colegial na cidade, cumpriu uma surpreendente campanha graças a uma dupla de atletas promissores: Marc Gasol e Jonny West. O primeiro é irmão mais novo do astro espanhol Pau Gasol, e o segundo é filho do cartola-mor dos Grizzlies, Jerry West.

::::::::

MUNDO DAS PRANCHETAS - Anda agitado o universo dos técnicos na NBA. ::::: Um câncer de bexiga obrigou Rudy Tomjanovic a abandonar o banco do Houston na reta final do campeonato. ::::: A má fase do Seattle fez Nate McMillan cogitar o abandono da carreira: “Questiono se estou na profissão certa.” ::::: Flip Saunders vive momento oposto: o sistema de marcação por zona do Minnesota se mostra cada vez mais eficiente. ::::: Jerry Sloan também tem motivos para sorrir. O bom trabalho à frente do Utah o colocou entre os candidatos para a eleição de melhor treinador do ano. ::::: Paul Silas, do New Orleans, está cotado para substituir o lendário Lenny Wilkens, que certamente será demitido pelo Toronto ao fim do campeonato. ::::: Enquanto isso, Jeff Van Gundy, ex-Knicks, continua sendo sondado por várias equipes.

::::::::

MOLECADA - LeBron James não será o único colegial do próximo draft. O risco da limitação de idade na edição de 2004 deve atrair uma caravana de garotos para a seleção de 2003. Travis Outlaw, uma espécie de Darius Miles que deu certo, é o nome mais cotado para pular a universidade e ingressar direto na NBA. Atrás dele, podem vir Charlie Villanueva (destaque no McDonald’s All-American Game), Kris Humphries, Kendrick Perkins, James Lang, Jackie Butler e Brandon Bass.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

Joseph Forte e Jerome James saíram no tapa dentro do vestiário da Key Arena, em Seattle, na última quarta-feira. Testemunhas revelam que, após a derrota para o Washington, Forte entrou no chuveiro cantando alegremente, o que irritou os colegas de time.

:::::::: ::::::::

Michael Finley, que já foi chamado de Iron Man por raramente se contundir, acabou derrotado por uma lesão no pé esquerdo. Não joga pelo Dallas há cinco rodadas.

:::::::: ::::::::

“Minha intenção é disputar a próxima temporada. A única coisa que pode me parar é meu próprio corpo”, garantiu o otimista Alonzo Mourning, que se recupera de problemas nos rins.

:::::::: ::::::::

Dikembe Mutombo volta ao New Jersey hoje à noite, contra o Golden State. Os Nets torcem para que isso seja uma boa notícia.

:::::::: ::::::::

(Foto - Ron Hoskins/NBAE)

28.3.03



TEMPOS DE MARÉ BAIXA




A má fase do Boston dá razões de sobra para
Paul Pierce se preocupar com a classificação




No último domingo, os jogadores e a comissão técnica do Boston Celtics viajavam de Denver (onde haviam perdido no sábado) para Salt Lake City (onde perderiam novamente na segunda). Logo após a decolagem, uma das portas do avião se abriu por falha mecânica. O imprevisto, que poderia ter causado uma tragédia, acabou não passando de um susto. O piloto conseguiu fazer a volta e pousar a aeronave com segurança para que os reparos fossem efetuados.

Felizmente nada de grave aconteceu, mas o episódio ilustra bem a atual fase adversa dos Celtics. A equipe fracassou nas últimas seis partidas e caiu para a sétima posição do Leste. Escorregar para fora dos playoffs deixou de ser uma hipótese remota. Ainda há uma distância razoável para o Washington Wizards, que ocupa o oitavo lugar, mas a turma de Michael Jordan parece ter engrenado na reta final. Convém abrir o olho.

A queda de produção se justifica pelo cansaço de Paul Pierce e Antoine Walker. A dupla carrega o time nas costas desde a primeira rodada, e os descansos no banco de reservas são cada vez mais raros. Era óbvio que um dia o corpo começaria a reclamar. Para completar a rotina de más notícias, os dois Tonys desfalcaram o elenco: Battie amarga uma contusão no joelho direito e Delk sofre duplamente, com uma lesão no tornozelo esquerdo e um caso de morte na família. Vin Baker também vive um drama pessoal, suspenso por problemas com álcool.

Nesse clima de velório, o Boston faz o possível para se segurar na zona de classificação. Por sorte, o calendário prevê tempos de calmaria. A começar pelo jogo de hoje, em casa, contra o lanterna Cleveland Cavaliers. No sábado, o compromisso é na estrada, mas o adversário é o mesmo. Em seguida, na quarta-feira, o time volta para o Fleet Center e enfrenta o Miami Heat. Não poderia haver seqüência mais adequada para quem busca uma recuperação.

Conquistando essas três vitórias, tudo fica mais tranqüilo em relação à próxima fase. Até porque cinco das últimas oito partidas serão disputadas em casa. Com a vaga assegurada, a missão passa a ser outra: caprichar numa preparação física que garanta o fôlego de Pierce e Walker para a hora da verdade.

(Foto – NBAE)

27.3.03



INVEJÁVEL CARTÃO DE VISITAS




LeBron provou que os elogios
não eram exagero da crítica




Por algum motivo que supera meu entendimento, sempre mantenho um pé atrás diante de qualquer unanimidade. Nelson Rodrigues já explicou tal raciocínio, alegando que o consenso geral é invariavelmente burro. Foi com essa idéia fixa que eu me acomodei no sofá ontem à noite para ver LeBron James em ação. Tranquei na gaveta todos os elogios que a imprensa derramou nos últimos meses e deixei martelar, na minha cabeça, uma voz implicante: “Isso é oba-oba de americano, o moleque não deve ser lá essas coisas”.

Apenas dois minutos foram suficientes para que eu me rendesse.

Com 40 segundos de jogo, LeBron estava dentro do garrafão, sem a bola. Num piscar de olhos, deu um drible de corpo que deixou o marcador atônito, saltou no terceiro andar e completou com estilo uma belíssima ponte aérea. Logo depois, mostrou a mesma habilidade do outro lado da ponte. Quase na lateral da quadra, sem olhar, executou um passe cirúrgico que terminou na enterrada de um companheiro.

Bandeira branca, por favor. O garoto é bom demais.

Num esforço inútil, tentei me convencer de que tudo é mais fácil num episódio festivo. Afinal, ninguém vai se preocupar com marcação no All-Star Game do basquete colegial. Tudo isso é verdade. Ainda assim, LeBron aprontou o suficiente para justificar a badalação da crítica. Vale lembrar que, mesmo em noite de festa, os adversários eram de alto nível. Estava reunida na Gund Arena a nata do segundo grau, gente que paira bem acima da média dos adolescentes que foram atropelados durante a temporada.

Após o impacto inicial, a partida seguiu seu rumo aternando bons e maus momentos. Faltando cinco minutos para o fim, o fenômeno voltou a mostrar serviço numa seqüência de três lances incríveis: uma enterrada de costas digna de Vince Carter; um toco na defesa que terminou em bandeja no contra-ataque; e um lindo vôo para completar uma ponte aérea. Tudo isso em pouco mais de 30 segundos. A torcida, acostumada a ver naquele palco os fracassos do Cleveland Cavaliers, entrou em êxtase.

Em 1981, quando Michael Jordan anotou 31 pontos neste mesmo evento, os organizadores decidiram aposentar a camisa 23. LeBron, que veste esse número em homenagem a Jordan, foi obrigado a procurar uma segunda opção. Escolheu o 32, que um dia pertenceu a Magic Johnson. E o ex-craque dos Lakers foi devidamente honrado.

O repertório de passes espetaculares fez lembrar os tempos de showtime em Los Angeles. Longe de ser egoísta, o garoto serviu de escada para o resto do time em vários momentos. Além de seus 27 pontos, 7 rebotes e 7 assistências, ele chamou para o jogo colegas como Charlie Villanueva, James Lang e Chris Paul. A excelente atuação, claro, foi premiada com o troféu de MVP. Só deve ter decepcionado os ingênuos que esperavam algo como 50 pontos e 10 tocos.

LeBron tem talento de sobra para pular a faculdade e encarar de vez os profissionais. Resta saber quanto tempo vai levar até se adaptar totalmente à NBA. A turma que sai do segundo grau quase sempre gasta um ou dois anos antes de explodir. Foi assim com Kobe Bryant, Tracy McGrady e Jermaine O’Neal. Mas já que entramos no terreno das hipóteses, não custa apostar numa carreira de estrondoso sucesso. Nelson Rodrigues que me desculpe, mas esta unanimidade acaba de ganhar mais um adepto.

(Foto – ESPN.com)

26.3.03



UM SENHOR JOGADOR




Aos 41 anos, Stockton ainda
deixa muita gente na poeira




Em toda a NBA, só há um jogador com moral suficiente para chamar Michael Jordan de “garoto”. John Stockton completa hoje 41 anos, assumindo o título de vovô da liga e conciliando a experiência de um veterano, a vitalidade de um jovem e a disposição de um calouro. O discreto aniversariante já mandou avisar que não quer saber de comemoração. Mas vai ser difícil escapar de uma festa-surpresa para milhares de convidados. Logo mais, o Utah Jazz recebe o Portland Trail Blazers diante de uma torcida ansiosa para cantar parabéns.

Afinal, pode ser a última chance de homenagear um dos maiores atletas que já passaram por Salt Lake City. Assim como o companheiro Karl Malone, Stockton só vai tomar sua decisão sobre a aposentadoria após o fim da temporada. Ou seja, provavelmente não haverá cerimônia de despedida. Convém aproveitar a data de hoje para promover um belo tributo.

Apesar da idade avançada e dos fios brancos que surgem entre os cabelos pretos, não há sinais de cansaço. O líder de assistências na história da NBA ainda mantém uma média invejável (7.6 por partida, a quinta melhor da liga). Também seguem afiadas a visão de jogo e a coragem de chamar a responsabilidade nos momentos decisivos. Até o visual continua o mesmo: cara de bom moço, estilo comportado e shorts mais curtos (resquício do figurino que imperava nos anos 80).

É uma pena que Scottie Pippen esteja contundido e não atue nesta noite. Agora que ele assumiu a posição 1 no Portland, poderia travar um curioso duelo com Stockton. Em seu lugar, estará o encrenqueiro e prepotente Damon Stoudamire. Melhor para o anfitrião, que ficará mais à vontade para executar seus passes perfeitos.

A nós, resta a chance de ver o craque do Jazz em ação mais algumas vezes, durante os playoffs. Mesmo assim, é impossível não lamentar que sua carreira esteja dobrando a última esquina. Maldito tempo, que não pára de correr.

::::::::

NA TELINHA - Neste dia festivo, ficaremos de olho num menino que não tem sequer metade dos 41 anos de Stockton. Hoje a TV nos mostra LeBron James ao vivo. Às 21h, com transmissão da ESPN, o fenômeno do basquete colegial americano se exibe no McDonald’s All American High School Basketball Boys Game. Torcemos para que a habilidade do rapaz seja tão grande quanto o nome do evento.

(Foto - Gary Dineen/NBAE)

25.3.03



O NOVO VIGOR DO VELHO CONTINENTE




O basquete europeu prova sua força na NBA,
representado por jogadores como Stojakovic




Definitivamente, a NBA voltou sua atenção para o outro lado do oceano Atlântico. Exemplos não faltam. Desde já, o iugoslavo Darko Milicic agita os bastidores do próximo draft. O Dallas Mavericks, em pleno andamento da temporada, alardeou aos quatro ventos a contratação do francês Antoine Rigaudeau (que acabou se revelando um vexame, é verdade). O também francês Tony Parker virou ídolo em San Antonio e o mesmo aconteceu em Memphis com o espanhol Pau Gasol. Tanta movimentação demonstra que a Europa, mais do que nunca, está inserida no circuito do basquete americano.

Todos os citados ainda podem brilhar intensamente na liga. Alguns têm mais chances (como Parker), outros têm menos (como Rigaudeau). Apenas dois europeus, no entanto, repousam tranqüilos na primeira classe da NBA: Dirk Nowitzki e Peja Stojakovic. Essa dupla não precisa provar mais nada. Ambos estão longe da genialidade mas, a cada noite, revelam-se fontes inesgotáveis de eficiência.

Sobre o alemão do Dallas, muito já foi dito. Sabemos que ele não é um Kevin Garnett ou um Tim Duncan, mas salta aos olhos sua capacidade de comandar a melhor equipe do campeonato (pelo menos é isso que diz a numeralha traiçoeira). Nowitzki nunca esteve tão bem em pontos, rebotes, assistências, aproveitamento de arremessos e precisão nos lances livres. Pode até ser que o playoff transforme o ala agressivo num gigante medroso, mas até lá convém manter o respeito.

Elevar Stojakovic ao mesmo nível de Nowitzki (ou quase isso) significa superar uma certa implicância que sempre tive em relação ao jogador. Desde sua estréia, em 1998, ele não havia me convencido. Mas 2003 me fez ceder, e não só pela presença no All-Star Game (injusta, talvez) ou pelo prêmio de melhor atleta desta semana. Hoje, o iugoslavo é um modelo de consistência no Sacramento Kings, capaz de decidir partidas e se destacar mesmo rodeado de astros como Chris Webber e Mike Bibby.

Enquanto Dirk e Peja estiverem em forma, a Europa tem seu lugar garantido na NBA. O que vier pela frente, com Parker, Gasol ou Milicic, conta como lucro.

(Foto - Rocky Widner/NBAE)

24.3.03



PRIMEIRO REENCONTRO




Giricek e Miller se enfrentam hoje à noite e
matam as saudades de seus antigos times




Há pouco mais de um mês, Mike Miller saiu de Orlando rumo a Memphis, enquanto Drew Gooden e Gordan Giricek tomaram o caminho inverso. O tempo passou e uma coisa ficou clara: a troca rendeu frutos para ambos os lados. Desde então, os Grizzlies venceram nove partidas e perderam oito (bom negócio para quem estava acostumado ao rodapé da tabela). Em casa, só tombaram uma vez, diante do Boston Celtics. Com o Magic, a situação é ainda mais animadora: onze vitórias, quatro derrotas e ótimas chances de classificação para os playoffs.

Pelos números, respeitando o nível de cada equipe, é difícil apontar quem levou mais vantagem. Para ajudar na decisão, nada melhor que um confronto direto. É o que acontece hoje à noite, quando Miller volta à Flórida para enfrentar o amigo Tracy McGrady.

A tendência é apostar cegamente num triunfo do time da casa. Mas as circunstâncias são especiais. Miller vai querer mostrar serviço aos ex-patrões. Após a negociação, suas médias de pontos e rebotes caíram levemente, mas o aproveitamento de arremessos melhorou, e seu espírito de liderança tem sido fundamental para dar ao Memphis uma reta final digna.

A torcida do Orlando, entretanto, não tem motivos para chorar de saudade. Gooden (que está contundido e não deve atuar hoje) reforçou o garrafão e viu seus números saltarem de forma expressiva nos pontos (aumento de 12 para 15), nos rebotes (5.8 para 9.6) e nos arremessos (44% para 50%). Giricek passou de 11 para 16 pontos por jogo e elevou todas as outras estatísticas (à exceção dos tocos, que na verdade não lhe importam muito).

McGrady, que ontem marcou 37 (sendo 21 no primeiro quarto) contra o Miami Heat, vai se habituando aos novos companheiros e dividindo com eles a responsabilidade das partidas. Assim caminha o Magic, de olho numa boa campanha na próxima fase. Os Grizzlies, por sua vez, já estão com a cabeça no ano que vem. Um bom calouro e alguma habilidade nos bastidores devem fazer a equipe crescer em torno de Miller.

Para hoje, fica a curiosa disputa individual. Cada um vai querer provar ao ex-time que a troca foi ruim, quando na verdade ela acabou sendo boa para todo mundo.

(Fotos - NBAE)

23.3.03



MENINO CALEJADO




Na quadra e fora dela, LeBron
já viveu experiências intensas




Salvo algum imprevisto, LeBron James inicia no segundo semestre uma carreira promissora na NBA, seja em Cleveland, Toronto, Denver, Miami ou qualquer outra cidade sortuda. Para o embate com os profissionais, o garoto de 18 anos leva na bagagem uma improvável dose de experiência, fruto dos episódios em que se envolveu desde o começo de 2003. Dentro e fora da quadra, LeBron já enfrentou problemas dignos de gente grande. Nesta semana, ele encerrou seu ciclo colegial conquistando o título para o Fighting Irish, time da escola Saint Vincent-Saint Mary. Vale conferir a breve linha do tempo do menino-prodígio.




12 DE JANEIRO

Por causa deste carro, surgiu a primeira dor de cabeça do ano. LeBron foi convocado a explicar como conseguiu adquirir a supermáquina, um Hummer H2 avaliado em US$ 50 mil. Suspeitava-se que o veículo era um presente de um empresário interessado em agenciar o atleta.



27 DE JANEIRO
O inquérito foi concluído quando ficou provado que a mãe de LeBron, Gloria James, deu o brinquedinho de presente ao filho, após conseguir um empréstimo bancário. No mesmo dia em que foi liberado pela Justiça, o jogador se envolveu num acidente, batendo na traseira de um carro guiado por uma senhora de 88 anos.



31 DE JANEIRO
Quatro dias depois, tudo bem com o carro, mas não com as roupas. LeBron foi presenteado por uma loja de esportes com dois jogos de uniformes no valor de US$ 845. Ao aceitar o mimo, ele teria violado sua condição de atleta amador, segundo as regras do basquete colegial de Ohio. Acabou suspenso, o que gerou uma série de protestos dos fãs.



8 DE FEVEREIRO

No primeiro jogo após a revogação da pena, LeBron anotou 52 pontos contra o Westchester de Los Angeles, registrando a melhor marca de sua carreira. Converteu 24 de 31 arremessos tentados, incluindo seis da linha de três pontos. “Senti que esta era a minha noite”, disse.



11 DE FEVEREIRO
Até a arbitragem se rende à idolatria. O juiz Tony Celantano sofreu investigação por ter posado para uma foto com LeBron em plena quadra, após uma partida.



24 DE FEVEREIRO

Como acontece com os grandes astros do basquete, LeBron teve sua camisa 23 aposentada pela Saint Vincent-Saint Mary. Diante de quase 4 mil pessoas na Rhodes Arena, ele manteve a humildade no discurso: “Meus companheiros de time também fazem parte disso, foram eles que me ajudaram a chegar até aqui.”



18 DE MARÇO
O uniforme do jogador foi doado para o museu do Hall da Fama da NBA. A justificativa é preservar a memória do “maior nome do basquete colegial americano, talvez em todos os tempos”, segundo o diretor do museu, Howie Davis.



22 DE MARÇO

Encerramento da temporada com chave de ouro: LeBron marca 25 pontos e pega 11 rebotes na grande final contra o Kettering Alter, dando à sua escola o terceiro título nos últimos quatro anos.



26 DE MARÇO
O próximo passo do fenômeno será transmitido ao vivo para o Brasil pela ESPN Internacional. Na quarta-feira, ele estará em quadra no McDonald’s All American, que reúne as estrelas do high-school. Absolutamente imperdível.


22.3.03



:::: BLOCO DE NOTAS ::::

Todo sábado, um passeio rápido pela liga




A mira afiada de Yao funcionou ontem



GATILHO - Faltavam 43 segundos para o fim do jogo. O Houston Rockets precisava de uma cesta para fechar a tampa e abortar qualquer tentativa de reação do Golden State Warriors. Numa hora dessas, nada mais imprudente que passar a bola para Yao Ming na linha de três pontos. Com seus 2.26m, o pivô chinês olhou para o aro distante, arremessou e... converteu. A vitória na casa do adversário deixou o Houston mais perto dos playoffs. Yao, que só tinha tentado (e errado) um chute de três na temporada, agora pode se orgulhar dos 50% de aproveitamento na estatística.

::::::::

REFORÇO - Na próxima semana, Dikembe Mutombo volta ao New Jersey Nets. A lesão no pulso é coisa do passado. Cabe agora ao técnico Byron Scott reintegrá-lo ao grupo sem que isso represente uma mudança drástica para os vice-líderes do Leste. Jason Collins e Aaron Williams quebram o galho, mas não conseguem fechar os buracos no garrafão dos Nets. Com o retorno de Mutombo, a equipe reforça sua condição de candidata ao título da conferência.

::::::::

FUTURO - Gary Payton está seriamente inclinado a renovar seu contrato com o Milwaukee Bucks. Mas a decisão não será tomada logo após o fim do campeonato. O armador pretende viajar com a família e descansar a cabeça. Na volta, vai conversar sobre o futuro com o técnico George Karl. Do jeito que a coisa anda, com a classificação escorrendo pelos dedos, as férias podem ser antecipadas. Payton declarou que se sente capaz de render bem por mais quatro ou cinco anos. Se realmente ficar em Milwaukee, tornará quase inevitável a saída de Sam Cassell.

::::::::

FUNDO DO POÇO - A “Operação Lebron” continua firme em Cleveland. O calouro Dajuan Wagner se submeteu a uma cirurgia no joelho direito e ficará alguns meses de molho. O desfalque deve tornar ainda mais sombria a reta final dos Cavaliers, que hoje repousam folgados na lanterna da competição, de olho num lugar privilegiado no próximo draft.

::::::::

PLANTÃO MÉDICO - Quem também entrou na faca foi Scottie Pippen. Uma artroscopia no joelho esquerdo deve deixá-lo fora das quadras por três semanas. Com isso, ele perde a chance de travar o último duelo contra o amigo Michael Jordan, na partida de terça-feira entre Portland e Washington. Bem adaptado à posição 1, Pippen vai fazer falta na arrancada para os playoffs. Grant Hill, por sua vez, recebeu uma boa notícia. Os médicos acreditam que a quarta operação no tornozelo esquerdo pode enfim solucionar o problema, reduzindo a possibilidade de abandono da carreira.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

Em pesquisa da ESPN.com, Kevin Garnett tem 40% da preferência popular na corrida para ser o MVP. Em seguida vêm Kobe Bryant (26%), Tracy McGrady (13.5%) e Tim Duncan (11%).

:::::::: ::::::::

O sucesso de Yao Ming rende frutos no Oriente. Os americanos já estão de olho no sul-coreano Ha Seung-Jin, 18 anos, que cursa o segundo grau numa escola de Seul.

:::::::: ::::::::

Shaquille O’Neal criticou a convocação de Mike Bibby para a seleção que vai disputar a Olimpíada de Atenas. Se não quer ajudar jogando, podia pelo menos não atrapalhar falando.

:::::::: ::::::::

Bibby, por sinal, devolveu na mesma moeda: “Shaq quer chamar um pouco mais de atenção para ele, já que Kobe tem recebido todos os méritos do time. Não posso culpá-lo por isso.”

:::::::: ::::::::

(Foto - NBAE)

21.3.03



SINAL VERDE PARA A TERCEIRA IDADE




Hardaway pode formar com Miller a dupla
de armadores do Indiana na próxima fase




No dia 16 de fevereiro, o Indiana Pacers visitou o Atlanta Hawks e esqueceu as regras de cortesia. De forma grosseira, cometeu cinco faltas técnicas e acabou derrotado por 99-86. A partir daquela noite, instalou-se a crise. A equipe, que então liderava o Leste, perdeu 12 de 15 jogos e hoje ocupa a modesta quarta posição da conferência.

No elenco, pouca gente escapou das nuvens negras. Brad Miller se contundiu; Ron Artest foi suspenso três vezes; Jermaine O’Neal teve o padrasto hospitalizado; Jamaal Tinsley se ausentou para cuidar da mãe doente. Entre os titulares, somente Reggie Miller se manteve firme em quadra durante todo esse tempo. Aliás, não tão firme assim. Com 13 pontos por partida, ele atravessa uma temporada decepcionante, provando que um velhinho cansado é pouco para compensar os problemas da garotada.

E se forem dois velhinhos, será que o quadro melhora?

A diretoria dos Pacers parece defender essa tese. A julgar pelas declarações da cartolagem, a contratação do veterano armador Tim Hardaway é questão de dias. Aos 36 anos, ele voltaria à ativa com a missão de incendiar um grupo desmotivado e evitar o naufrágio nos playoffs.

O atleta, que já defendeu Warriors, Heat, Nuggets e Mavs, foi chamado esta semana para uma entrevista e uma sessão de treinos no ginásio do Indiana. Quem testemunhou a performance ficou espantado. O primeiro a mostrar empolgação foi o técnico Isiah Thomas. “Se um cara como Hardaway mostra interesse em atuar pelo seu time, não custa nada dar uma olhada nele. Não estamos insatisfeitos com o material humano que temos, mas trata-se de um dos grandes nomes da NBA”, elogiou.

A diplomacia do treinador é compreensível, mas a busca de um reforço para a armação tem a ver com o momento infeliz de Tinsley, que vem produzindo abaixo do esperado. Por esse motivo, o segundo velhinho seria muito bem vindo. Conrad Brunner, experiente comentarista do site oficial dos Pacers, deu o aval, alegando que equipe precisa de gente capaz de arremessar a bola decisiva sem tremer. Teoricamente, Hardaway e Miller esbanjam esse dom. Se a dupla estará em forma na próxima fase, já é outro papo.

De qualquer forma, a aposta é válida. O sucesso da empreitada vai depender menos da técnica e mais do físico. Mas se Jordan, Pippen, Stockton e Malone ainda estão aprontando, ninguém pode ser barrado por critério de idade. Que venha o bom e velho Tim.

(Fotos - NBAE)