18.11.04



oeste sem lei
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))) Na gangorra da NBA, o Seattle
surpreende e o Denver decepciona



Às vezes fica difícil entender o que se passa no terreno acidentado do Oeste americano. Como todos estão cansados de saber, a costa do Pacífico reúne as melhores equipes de basquete do país. Ano após ano, a corrida aos playoffs ganha ares de faroeste e, no fim das contas, vale a lei do mais forte. O problema é que a temporada 2004-2005 começou turva, sem permitir que se saiba quem são os mais fortes.

Ou algum sabichão esperava, por exemplo, que o Seattle Sonics pulasse na frente com oito vitórias na seqüência? Nem a mãe do Ray Allen.

Paixões de torcedor à parte, sabemos que cada campeonato tem seu fogo de palha. Na NBA, que se arrasta por oito meses, isso fica ainda mais evidente. Não são poucos os coelhos, se vocês me permitem tomar emprestado o termo usado para identificar os corredores que disparam na frente e deixam o pelotão passar no meio do caminho.

Difícil, no basquete americano, é saber quem é coelho e quem é zebra de verdade. No Oeste, até agora, quatro times surpreenderam e outros quatro decepcionaram. Vamos a eles.


))) Os azarões

Além do Seattle, que vem atropelando quem passa pela frente, merecem destaque as campanhas de Phoenix (6-2), Utah (6-2) e até o pobre L.A. Clippers (5-4). Destes quatro, só dois me inspiram confiança para uma arrancada de fôlego, capaz de garantir uma boa colocação nos playoffs. E, me desculpem, os Sonics de Allen não estão no pacote.

A médio prazo, a tabela não chega a reservar grandes pedreiras para a turma comandada por Nate McMillan, que vem gastando basquete como há muito não fazia. Ninguém duvida da capacidade de Ray Allen, um dos jogadores mais injustiçados da liga em termos de reconhecimento na mídia. Duvidamos, sim, do resto do elenco, que é fraco e dificilmente suportará a longa estrada de 82 partidas. Tirando Rashard Lewis, que mantém o bom nível, sobram apenas atletas medianos e, com boa vontade, alguns jovens promissores. Posso queimar a língua, mas acho bom a torcida do Seattle aproveitar o momento. A festa não deve durar muito tempo.

O mesmo vale para os Clippers, que definitivamente não são o melhor time de Los Angeles. Com um elenco frágil, a equipe carrega o mérito de ter sido a única a bater os Sonics. Venceu aqui e acolá, mas só conseguiu convencer de fato na atípica ensacada que aplicou no Indiana Pacers, vocês lembram, no meio daquela crise entre Ron Artest e Rick Carlisle.

Com Suns e Jazz, a banda toca em ritmo diferente. Ali, sim, é possível encontrar qualidade para enfrentar a maratona. São times jovens, bem treinados e com talento pra lá de razoável. Não digo que vão brigar pelo título, mas têm condições de segurar o rojão quando os medalhões começarem a subir.


))) As tartarugas

Nas apostas do Oeste, ninguém esperava que Sacramento (4-4), Houston (4-5), Denver (3-5) e Memphis (3-5) estariam até agora brigando para ultrapassar o aproveitamento de 50%. A diferença é que, ao contrário dos azarões, é possível identificar nestes quatro um talento capaz de mudar o panorama e impulsionar uma boa corrida ao mata-mata.

Os Kings precisam enfrentar um desafio que passa por mudança de filosofia: o grupo que sempre se orgulhou de ter a rotação mais qualificada da NBA não pode mais lançar mão deste argumento. Rick Adelman precisa fazer os astros jogarem. Se não for pelas mãos calejadas de Stojakovic, Webber e Bibby, vai ficar difícil.

No Memphis, parece que só o tempo resolve a questão. Hubie Brown precisa azeitar a máquina, e isso ele sabe fazer como poucos técnicos na liga. A franquia começou sonolenta, com quatro derrotas seguidas, e precisa acordar rápido para voltar à disputa.

Os Nuggets perderam três seguidas na semana passada (duas para o Utah e uma para o Seattle). Foi o que desequilibrou a equipe. De resto, conseguiu boas vitórias, mas precisa melhorar o rendimento fora de casa. O mesmo vale para os Rockets, que começaram com dois fracassos e, quando iam se arrumando, pegaram Wolves e Lakers pela frente. No caso do Houston, só para constar, não custa nada arrumar um armador de verdade para o lugar de Charlie Ward.

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Além do recado preciso que solta toda terça na Folha de S. Paulo, Melchiades Filho agora reproduz suas colunas no endereço melk.blog.uol.com.br. Ótima pedida para os que não acessam o jornal ou para quem quiser consultar textos antigos.

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foto . nbae

17.11.04



visita de cortesia
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))) Nash fez Nelson sentir saudades ontem


Quando o relógio zerou e a sirene tocou no American Airlines Center, Steve Nash correu para o vestiário. Dos visitantes. A sensação de ser um intruso na casa onde passou os últimos seis anos tinha também uma face de alívio. No aguardado retorno ao Texas, o armador saiu vitorioso. Comandou o Phoenix Suns com 17 pontos e espantosas 18 assistências, mostrando aos ex-patrões que vai fazer falta durante a temporada.

A vida de Nash mudou em julho. Com o passe livre, ele manifestou o interesse de permancer em Dallas, mas não resistiu aos US$ 60 milhões oferecidos pelo Phoenix. Era a chance de voltar à sua porta de entrada na NBA e, de quebra, embolsar um fortuna.

No mundo do esporte, o natural era que, no mínimo, fosse chamado de mercenário pela torcida dos Mavs, que ainda penam para escolher um substituto à altura na posição 1. Nada disso. Pelo jeito, o que se viu nas arquibancadas foi uma manifestação unânime de apoio e saudade. Faixas de agradecimento se espalhavam pelo ginásio, mostrando que as relações entre fã e ídolo muitas vezes se pautam no terreno do respeito.

Dentro da quadra, o canadense continua endiabrado. Por causa dele, o Phoenix evoluiu aos tubos em relação à temporada passada. O jovem Amare Stoudemire, que ontem carimbou 34 pontos, sabe que um armador de qualidade contribui para que todo o elenco cresça. Era só disso que os Suns precisavam: alguém capaz de fazer a turma render.

"Ainda tenho muito a aprender, por isso fico feliz de ter Steve aqui para me ensinar. Ele é um dos melhores do mundo quando se trata de entregar a bola no lugar certo", elogiou o ala-pivô.

De fato, talvez só Jason Kidd consiga superar Nash nesse aspecto. Desde já, caiu nas costas dele a missão de manter o elenco na ponta dos cascos. Hoje o time ocupa o terceiro lugar do Oeste mas sabe que, daqui a pouco, os cachorros grandes começam a subir. Para conter o ímpeto das equipes que vêm atrás, será preciso estar sempre próximo dos 100%. Missão complicada para quem acabou de abraçar um grupo novo.

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Na onda de azar que assola os brasileiros na NBA, Leandrinho machucou o tornozelo e não tem previsão de volta. De fato, será um ano difícil.

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foto . cnn/sports illustrated

16.11.04



quero ser grande
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))) Está difícil conter o ímpeto de LeBron


Tudo bem, o Cleveland Cavaliers começou a temporada perdendo três jogos seguidos. A primeira derrota custou uma dupla prorrogação contra o Indiana, e as outras duas foram fora de casa, contra Miami e Milwaukee. A partir daí, o time acordou. Bateu Hawks, Suns, Wizards e Warriors, escalando a tabela e chegando rápido ao grupo que se classifica para os playoffs.

Por trás da mudança de atitude, claro, está um adolescente de 19 anos, que completa 20 daqui a um mês. Correndo por fora, LeBron James já é o cestinha do campeonato, com 28.6 pontos por noite. Sem cerimônia, deixou para trás medalhões como Bryant, Nowitzki e Iverson. Mais que isso, devolveu à pauta uma discussão que começou no ano passado.

O garoto vai ou não vai se tornar um astro?

Quando escrevo astro, refiro-me aos astros de verdade, gente do quilate de Michael Jordan, Magic Johnson e do próprio Kobe. Não vamos cair na besteira de discutir se esse é melhor que aquele, mas há um clube seleto na história da NBA reservado aos grandes craques, os homens que de fato gastaram basquete e chegaram longe.

No ano passado, quando estreou na liga, LeBron carregava nas costas a responsabilidade de esmurrar a porta deste grupo. Tinha ao seu lado a sombra de Carmelo Anthony, calouro um pouco mais experiente com a manha da universidade no currículo. Uma viagem curta ao mata-mata fez muita gente prever que Melo teria um futuro mais brilhante.

Deste canto, continuo mantendo a fé no armador dos Cavs. Para este ano, ele ainda a vantagem de ter sido cercado por um pouco mais de talento, o que facilita as coisas. Dentro da nova configuração do elenco, sem tanta responsabilidade nos ombros, chegou o momento de explodir.

E LeBron está explodindo.

A capacidade técnica, a força atlética e a idade precoce fazem dele um fortíssimo candidato a fincar bandeira no topo do basquete americano muito em breve. Nada de novo Jordan, novo Magic, sequer novo Kobe. Cada um na sua, sem comparações. Mas não tenham dúvidas de que o fenômeno colegial está de mangas arregaçadas, pronto para a briga.

Tenham boa vontade com ele.

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Para quem almeja ser grande, só pontos não bastam. Vale lembrar que LeBron James passou a pegar muito mais rebotes (8.6 por jogo), virou um senhor ladrão de bolas (2.43) e um bloqueador razoável (1.57), além de elevar o aproveitamento de arremessos para quase 50%. É desse jeito, dedicando atenção em todos os fundamentos, que se constrói uma carreira vitoriosa.

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foto . cnn/sports illustrated

13.11.04



mvp em evolução
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))) Garnett manda avisar que
está no páreo, e muito vivo



Steve Francis, Dwyane Wade, Grant Hill, Manu Ginobili, Kobe Bryant... todos eles merecem o calor dos holofotes que andam circulando pela NBA neste início de temporada. É justo que se fale de quem tem comido a bola por aí, mas não há como não sentir falta de um nome na mídia:

O monstruoso Kevin Garnett.

Não sei se alguém já reparou, mas o MVP do ano passado começou este campeonato cumprindo uma missão que parecia impossível: melhorar seus números em todos os fundamentos. Se ele já era genial em 2003-2004, o que dizer da versão turbinada que estamos vendo em 2004-2005?

Apesar das previsões otimistas, o Minnesota Timberwolves caminha em meio a trancos e barrancos, com três vitórias e duas derrotas. Nas cinco partidas, KG foi o maior pontuador e reboteiro do time. Por onde passou, não deixou pedra sobre pedra e mandou o recado: vai ser difícil tirar dele o cinturão de melhor atleta do basquete americano.

A tábua de estatísticas revela que Garnett tem médias de 24.8 pontos, 15.4 rebotes e 7.1 assistências a cada noite, além de 50% no aproveitamento de arremessos. Assustadores, todos esses números são os melhores de sua carreira, provando que o ala de 28 anos ainda tem estrada para evoluir.

A vítima mais recente foi um Houston Rockets sem Tracy McGrady. Em pleno Texas, Garnett carimbou 20 pontos, 17 rebotes, nove assistências e três roubadas. Para a equipe engrenar e tentar repetir a performance do torneio passado, basta que os companheiros acompanhem o ritmo. Por enquanto, Sam Cassell e Latrell Sprewell estão devendo um pouco. Quando se acertarem e a reativarem a química, vai ser duro frear o comboio.

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Sem grandes estrelas e com um elenco extremamente bem arrumado, o Utah Jazz parece ter aprendido a lição do Detroit Pistons: não é preciso encher os uniformes com celebridades para levantar canecos. De quebra, Jerry Sloan ainda emplacou um diferencial em relação aos atuais campeões, o ataque bem executado. Por via das dúvidas, criador e criatura se enfrentam hoje à noite, quando a turma de Andrei Kirilenko recebe em Salt Lake City um Detroit desfalcado de Ben Wallace. Será um grande jogo, que o descaso das TVs nos impedirá de acompanhar ao vivo.

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foto . nbae

12.11.04



entrevista . anderson varejão
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))) "Não posso viver do prestígio de LeBron"


O Phoenix Suns poderia ser hoje o único time invicto da NBA, mas foi justamente contra os jovens do Arizona que o veterano Zydrunas Ilgauskas resolveu acertar o melhor arremesso de sua carreira. Foi uma raríssima bola de três (a quarta convertida em sete anos de NBA) que levou o Cleveland Cavaliers para a prorrogação e impulsionou a equipe de LeBron James rumo à vitória. Num jogo cheio de atrações, Anderson Varejão nem chegou a entrar em quadra.

Não importa.

Com um elenco ainda em formação, o calouro brasileiro terá chances de sobra para mostrar serviço. O técnico Paul Silas já deixou claro: “Ele me impressionou na pré-temporada e nas partidas em que teve oportunidade de jogar. Definitivamente ganhará mais minutos”.

Após começar o campeonato com três derrotas, o Cleveland já venceu duas e agora engrena numa boa seqüência: Wizards e Warriors em casa, seguidos de dois confrontos com os Bobcats. Quase uma mamata, boa chance para Anderson aparecer. Enquanto os minutos prometidos não vêm, o ala dos Cavs conversou com o escritório da NBA para a América Latina sobre a vida nova nos Estados Unidos.

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Como vai a rotina em Cleveland?
Até o momento, minha nova vida vai muito bem. Tudo está muito tranqüilo. A verdade é que Cleveland é uma cidade onde você não tem muito que fazer, mas ainda assim tenho me adaptado muito bem. Conheci brasileiros que me ajudam em algumas coisas e, mesmo estando sozinho, não posso me queixar.

Você costuma sair muito para se divertir?
Não saio muito. Gosto de ir a uma churrascaria onde conheci muitos brasileiros, e lá encontro alguns amigos, só isso.

Do que sente saudades dos tempos de Barcelona?
De tudo. Barcelona é uma cidade única, com muitas opções de lazer: praia, restaurantes e muitos lugares para conhecer.

Mantém contato com os ex-companheiros do Barcelona e com os jogadores de futebol, como Ronaldinho Gaúcho?
Quando os horários coincidem, sim. Normalmente pela internet ou por telefone. Sempre tratamos de estar em contato.

Em relação aos Cavaliers, como é sua relação com o técnico Paul Silas?
Muito boa. Não nos falamos muito porque ele é reservado, mas nos entendemos e sei que espera muito de mim.

E com os companheiros de time?
Esta é uma equipe jovem e isso facilita as coisas. Pouco a pouco, aprendo mais o inglês. Acredito que com o passar dos meses tudo será mais fácil e, ao fim da temporada, estarei falando o idioma perfeitamente.

O que significa jogar ao lado de LeBron James?
É importante. Aonde quer que vamos, sua presença chama atenção. Somos seus companheiros e devo aproveitar as oportunidades ao máximo. Ao mesmo tempo, não posso viver do prestígio de LeBron. Quero fazer o meu nome na equipe e na liga.

Tem falado com os brasileiros “veteranos” da NBA?
Sim, claro. Falo muito com o Nenê, com o Leandrinho, com o Alex e, claro, com o Rafael Araújo, o outro calouro, que está em Toronto. Temos uma ótima relação.

Você pensa em aproveitar a experiência da NBA na seleção brasileira?
Claro que sim. Nossa seleção tem muito futuro. É um grupo jovem e tem demonstrado boas possibilidades. Não chegamos à Olimpíada, mas todos sabem que temos muito talento. Acho que estaremos na China em 2008. A Argentina é um bom exemplo. Mostrou que é possível vencer. Eles passaram muito tempo jogando juntos, os atletas se conhecem. É algo que pode funcionar no Brasil.

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Por falar em entrevistas, o site da ESPN publicou ontem uma bem interessante com o encrenqueiro do momento. Marc Stein ouviu todas as explicações de Ron Artest, que declarou amor ao Indiana Pacers, descartou a aposentadoria precoce e não desmentiu os problemas de relacionamento com Jermaine O’Neal. No fim das contas, os argumentos são vagos e confusos, como convém a um atleta polêmico que está aí para complicar. Para quem encara leitura na língua nativa do homem, vale uma visita ao link.

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foto . nbae

11.11.04



o inacreditável artest
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))) A agenda de rapper cansou o atleta


Então vejam se eu entendi bem ou se as nove horas de vôo destruíram meus neurônios. Apontado pela mídia como um dos favoritos na conferência Leste, o Indiana Pacers começa a temporada confirmando as previsões e atropela adversários em seqüência. Eis que, num surto de insanidade, Ron Artest chama o técnico Rick Carlisle num canto e pede um mês de folga.

O motivo?

Recuperar-se do estafante calendário de divulgação de seu primeiro CD de rap, a ser lançado no fim deste mês. Por favor, leiam as palavras do próprio e não pensem que estou inventando: “Tenho me dedicado muito à música, preciso de descanso. Meu álbum chega às lojas no dia 23 de novembro e, depois disso, vou tratar de dedicar todo o meu tempo à missão de ganhar o título da NBA.”

Só pode ser brincadeira.

Miniférias para encarar eventos musicais em pleno decorrer do campeonato? Definitivamente, Artest não é um sujeito sério. Um gozador como ele merece punição muito maior que o castigo de dois jogos imposto por Carlisle.

Contra o Minnesota, na terça-feira, o Indiana teve garra para arrancar uma vitória apertada, graças a Jermaine O’Neal. Contra os Clippers, ontem, o que se viu foi uma enfiada histórica, de 102-68. Os 34 pontos de diferença representaram a pior derrota da equipe em todos os tempos jogando em Indianápolis.

Enquanto o torcedor é punido com o fracasso, o falastrão Artest continua recebendo seus salários de forma integral e, bem ou mal, acaba lucrando com parte da folga que reivindicou. Afinal, já são duas partidas sem cansar seu físico. A próxima é amanhã, na Filadélfia, e o treinador ainda não confirmou se o atleta volta ao quinteto titular. Se voltar, a instituição se desmoraliza. Se não voltar, cresce o risco de outro tropeço, já que O’Neal machucou o tornozelo contra o Los Angeles.

O fato é que, por mais marginal que seja, um jogador do calibre de Ron Artest não pode, em hipótese alguma, dar essa demonstração de total desinteresse pelo uniforme que defende. Ou não foi isso que ele fez? Se prefere se dedicar ao rap e precisa sacrificar o basquete para empunhar microfones, que abandone logo as quadras e abrace de vez os palcos. Com um pouco de sorte, vai vender um bocado de discos e embolsar dólares a balde.

Inconcebível é protagonizar um papelão desses, justamente quando os Pacers conseguem equilibrar o elenco e reunir um grupo capaz de brigar pelo caneco de campeão.

Entre um e outro verso de protesto, o sonho do título pode escorrer entre os dedos.

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Por falar em papelão, vejam esta história. O indivíduo finalmente se convence a ir ao ginásio para assistir a uma partida dos Bobcats, candidatos firmes a saco de pancadas na temporada. Afinal, o basquete está de volta a Charlotte, há um projeto sério, uma arena nova e, mesmo sem grandes craques, talvez valha a pena ver a turma suando a camisa em quadra. O pobre torcedor, então, passa a mão num catálogo e encontra o telefone fornecido pelo time para compra de ingressos.

Tecla o número e, do outro lado da linha, surpresa: uma mocinha atende com voz sensual, sussurrando palavras obscenas e oferecendo os mais variados prazeres da carne.

Franquia nova tem dessas coisas. Por um equívoco que até agora ninguém conseguiu explicar, o número de compra de ingressos do Charlotte cai direto numa central de tele-sexo.

A gafe foi consertada, as desculpas foram pedidas, mas o vexame está feito. Assim fica difícil ganhar credibilidade.

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O pleito foi apertado. Com 52 votos, vocês decidiram manter este visual do Rebote. Em segundo lugar, ficou a versão verde, com 42 menções, enquanto o azul (13) e o cinza (8) foram menos cotados. Seguindo a voz do povo, tudo fica como está.

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foto . nbae

7.11.04



vaias na despedida
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))) Pierce humilhou os Knicks


* De Nova York

Cá entre nós, que ninguém nos ouça. Parece que eu não dou muita sorte para os times da casa. Após sete dias na terra de George Bush, o Rebote fecha sua miniturnê com três partidas, três ginásios diferentes e três sovas a favor dos visitantes. Heat, Sixers e Knicks que me perdoem. E fiquem tranqüilos, que eu já estou de saída.

A noite de sábado ferveu em Nova York. A estréia do time local no Madison Square Garden mexeu com a cidade e, a dez quadras do ginásio, os cambistas já gritavam pelas esquinas. Até no Radio City Music Hall, que tinha show programado para o mesmo horário, o assunto era basquete. “Knicks tickets, Knicks tickets”, era o que mais se ouvia nas cercanias da famosa casa de shows.

Depois do perrengue em Nova Jersey e na Filadélfia, o departamento de imprensa funcionou direitinho desta vez. Quando cheguei à entrada dos jornalistas, minha credencial era a primeira da pilha. Elevador até o sexto andar, portão 64, fila C, meu nome na mesa, tudo muito fácil. Em vez dos japoneses que me acompanharam no jogo dos Sixers, no Madison fiquei cercado de pesos pesados: ESPN, grandes estações de rádio e até o correspondente do L’Equipe, da França, que sentou ao meu lado.

Na apresentação do Boston Celtics, deu para sentir pela primeira vez a fúria dos nova-iorquinos: Paul Pierce e Gary Payton levaram uma vaia ensurdecedora. Mais tarde, os uivos da torcida se voltariam para a prata da casa, mas àquela altura os fãs só queriam saber de festa. Quando o locutor apresentou o quinteto titular do New York, o edifício tremeu. Coube ao jovem Jamal Crawford, uma das poucas caras novas do time, fazer a saudação para as arquibancadas.

O povo gostou e aplaudiu de pé.

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))) O jogo


))) Sweetney tentou, mas pouco conseguiu


Estava tudo perfeito e assim continuaria se não fosse um pequeno detalhe: havia ali um jogo de basquete a ser disputado, e o Boston não estava a fim de festa. Pierce começou em ritmo acelerado, marcando seis pontos logo de cara. Payton parecia um garoto na armação, trocando bons passes e chutando com precisão. O primeiro quarto terminou com oito pontos de diferença para os visitantes, e o buraco só aumentou dali para frente.

Preocupado, o técnico Lenny Wilkens voltou para o segundo período com o calouro Trevor Ariza em quadra. Muito aplaudido, o rapaz correspondeu às expectativas e mostrou que pode ser uma peça importante na rotação do New York. Michael Sweetnei também entrou com vontade, marcando 18 pontos, mas ontem não era o dia. O time cometia erros bizarros, não ganhava um rebote sequer e abria verdadeiras avenidas na defesa. Os Celtics foram se aproveitando e, no intervalo, já venciam por 55-36.

Foi aí que as vaias mudaram de lado.

Impaciente, a torcida começou a bufar a cada tropeço. Logo no início do terceiro quarto, completou-se o desastre. A diferença chegou a três dezenas de pontos e qualquer chance de reação foi por água abaixo. No período final, o que se viu foi um jogo sem graça. Doc Rivers manteve seus titulares em quadra, mas Wilkens foi lançando os reservas.

Resultado: um humilhante 107-73. O que era para ser uma estréia festiva virou uma derrota vergonhosa por 34 pontos. E a torcida vaiou, vaiou, vaiou...

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))) O pós-jogo

Em busca de uma explicação, os jornalistas foram direto ao vestiário dos Knicks, que ainda estava fechado. De lá saiu Lenny Wilkens, para uma rápida entrevista na sala de imprensa. Diante de uma dúzia de repórteres, o treinador não poupou os atletas:

“O que aconteceu hoje foi devastador. Precisamos entender que, no basquete, tudo começa na defesa. Não fizemos nosso dever de casa e caímos num buraco. É claro que não gostamos quando a torcida vaia, afinal esta é a nossa casa e nós precisamos de apoio. Mas, por outro lado, não podemos deixar alguém entrar na nossa casa e fazer o que eles fizeram hoje conosco”.

Dei uma passada rápida no vestiário do Boston, onde Gary Payton, já de terno marrom, colhia os louros da vitória. Paul Pierce tinha ido embora e haviam sobrado poucos jogadores. Para não perder tempo, fui direto caçar explicações dos jogadores do New York.

O clima na sala era de velório. Assim que entrei, literalmente trombei com Walt Frazier. Sem saber o que fazer diante de uma lenda do basquete, pedi desculpas e ouvi dele um comentário rápido sobre o jogo: “Esses caras não mostraram a menor energia hoje”. Valeu a noite.

Stephon Marbury, que esteve muito mal na partida, confirmou o diagnóstico de Frazier. Com um paletó meio estranho, que definitivamente não combinava com nenhuma outra peça de roupa, o armador falava quase para dentro, envergonhado com o que acabara de apresentar à torcida.

“Quando o tempo vai passando, você sempre acha que pode reagir, que pode fazer algo diferente. Hoje não deu. Em todos os aspectos do jogo, fomos muito mal. Não importa se perdemos por um ponto ou por 50, sempre ficarmos chateados com uma derrota”, explicou.

Quando o repórter da rádio ESPN perguntou sobre as fortes vaias que vieram das arquibancadas, Marbury foi ainda mais incisivo que Lenny Wilkens: “Se eu fosse torcedor, também vaiaria. Eles têm toda razão. É inconcebível jogarmos desse jeito em Nova York. Não dá para acreditar”.

Shandon Anderson, Tim Thomas, Jamal Crawford, todos foram saindo devagar, cabisbaixos e claramente abatidos. O último a deixar o vestiário foi o pivô titular Nazr Mohammed, que até começou bem a partida, mas depois afundou com o resto do time. “Eu gostaria muito de ter uma resposta sobre o que aconteceu hoje, mas infelizmente não tenho”, resumiu o grandalhão, colocando o ponto final numa noite de vergonha para o New York Knicks e, principalmente, para sua apaixonada torcida.

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Apesar dos percalços, a viagem valeu a pena. No geral, deu para ter uma visão diferente do esporte, conhecendo jogadores e técnicos de perto. Volto ao Brasil hoje à noite, levando na bagagem muitas fotos, algumas compras e inúmeras recordações legais. Obrigado a vocês, guerreiros, que aturaram esses textos gigantes sem reclamar. Não liguem para as baixarias nos comentários, depois isso se resolve. Durante a semana, o Rebote retoma seu ritmo normal.

Um forte abraço a todos.


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foto. nbae

6.11.04



sixers, suns e os japoneses
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))) Amare Stoudemire fez a festa ontem à noite


* Da Filadélfia

Enfim, o sol deu as caras na Pensilvânia. O frio continua devastador, mas pelo menos dá para circular pelas ruas. O hotel fica grudado no Museu Rodin, mas um pouco longe do Wachovia Center, onde os Sixers receberam o Phoenix Suns na noite de ontem. No caminho para o ginásio, o taxista gente fina deu várias dicas sobre a cidade, mas o tempo é curto e o turismo vai ficar para a próxima.

A NBA sempre foi símbolo de organização, certo? Bem, comigo não. Ou eles têm alguma pinimba com brasileiros ou andam meio enrolados com as credenciais. Após gastar um bocado de sapato até achar o obscuro departamento de imprensa, fui informado por uma mocinha de que não havia credenciais para mim, e tampouco meu nome estava na lista dos jornalistas internacionais escalados para sexta-feira. Em cima da hora, vejam só, fui salvo por Yuta Tabuse.

Explico: depois de várias ligações, a funcionária da NBA resolveu me colocar numa parte do ginásio que nunca foi aberta para a imprensa, mas estava disponível ontem para acomodar a horda de repórteres japoneses que acompanha o calouro do Phoenix. Lá fui eu para o topo da arena, mas a distância da quadra não chegou a atrapalhar. O assento permitia que eu visse bem os jogadores e ainda dava uma noção ampla da partida. Ao meu lado, dezenas de japas sisudos e uma polonesa simpática, bem mais velha, incumbida de seguir o compatriota Maciej Lampe onde quer que ele esteja.

Devidamente acomodado, abri o laptop cheio de esperanças, mas... nada de conexão. Paciência. Fechei a engenhoca, saquei a câmera fotográfica e fiquei, lá de cima, disparando flashes e fazendo anotações num bloquinho do Minnesota Timberwolves.

De cara, nota-se uma diferença gritante entre a torcida da Filadélfia e a de Nova Jersey. Os fãs dos Sixers se manifestam desde o aquecimento, incentivando os atletas da casa e vaiando os adversários. Quando Allen Iverson passou a mão no microfone para fazer a tradicional saudação do início da temporada, o prédio quase veio abaixo.

Chegou a arrepiar.

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))) O jogo


))) Marion anotou 24 pontos


Com a bola em movimento, a arquibancada parece viva. É uma gritaria a cada rebote, a cada cesta, a cada toco. O problema é que a animação não contagiou os jogadores. Bem armado por Mike D’Antoni, o Phoenix logo sufocou o Philadelphia e abriu vantagem no placar. O técnico optou por começar com o pivô Jackson Vroman, mas logo se tocou da besteira que estava fazendo e lançou o ala-armador Quentin Richardson em seu lugar. Formou-se, então, o tal quinteto atlético e veloz com Rich, Nash, Johnson, Marion e Stoudemire.

Não sei se foi sorte minha, mas os Suns jogaram muito ontem. A equipe consegue combinar uma boa briga dentro do garrafão (os atletas se matam por cada posse de bola) e uma velocidade mortal nos contra-ataques. Com um elenco frágil, os Sixers foram facilmente envolvidos.

Iverson carregava todas as bolas para o ataque e tentava conduzir a movimentação, mas parecia desconfortável na nova função. Jim O`Brien começou com Aaron McKie ao lado do craque, mas teve de mudar de opção várias vezes, alternando com Willie Green e até com Kyle Korver. Kenny Thomas e o novato Andre Iguodala tiveram atuações consistentes, mas o cestinha foi mesmo Iverson (25 pontos), que voltou a ser o velho chutador desesperado no quarto período. Errou muito e não conseguiu cortar a vantagem do oponente, que venceu por 108-98.

Leandrinho entrou sempre no fim de cada período. Movimentou-se bem e pareceu desenvolto no ataque, apesar de um pouco inseguro na defesa. Em dois ataques quase seguidos, levou dribles desconcertantes de Iverson, no estilo crossover. Nos últimos segundos do primeiro quarto, o craque dos 76ers chamou o brasileiro para um 1x1. A torcida se levantou, mas viu seu ídolo perder a bola, que acabou nas mãos de Joe Johnson para uma cesta espetacular do meio da quadra, enquanto soava a campainha.

É impressionante como Iverson tentou, algumas vezes, aplicar o mesmo crossover em Steve Nash, que permanecia firme na marcação. É esse tipo de coisa que Leandrinho precisa aprender com o titular. O resto é experiência, que só o tempo traz.

Nos minutos finais, placar praticamente definido, os técnicos começaram a lançar os reservas menos cotados. Para decepção dos jornalisras ao meu lado, Tabuse e Lampe continuaram sentadinhos no banco e nem chegaram a tirar o agasalho. Azar o deles, sorte minha. Foi bom presenciar uma vitória maiúscula do time de Leandrinho. O brasileiro só marcou dois pontos (numa infiltração arrojada), mas atuou durante 11 minutos e fez um trabalho honesto na defesa contra Iverson. Os donos da noite foram Stoudemire (29 pontos) e Marion (24).

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))) O pós-jogo


))) Tabuse não saiu do banco


Ao contrário da partida em Nova Jersey, na qual entrei com ingresso de torcedor, ontem a credencial me dava a acesso aos vestiários. Assim que a sirene tocou, jogo encerrado, peguei o elevador. Como estava no último andar, demorei um pouco a achar o lugar certo e, quando cheguei, vi dezenas de jornalistas cercando um jogador no corredor. Iverson? Stoudemire? Que nada. Eram os japas entrevistando Tabuse. O tímido oriental ainda estava de uniforme. Provavelmente, nem tomou banho depois do jogo, já que ficou o tempo inteiro comportadamente sentado no banco.

Como eu não entendia uma palavra do que estava sendo dito ali, passei batido e cheguei à porta do vestiário do Phoenix. Do lado de fora, o técnico Mike D’Antoni, extremamente simpático, conversava com meia dúzia de jornalistas. Explicava a estratégia adotada para conter o ímpeto de Iverson: “Nosso objetivo era que ele ficasse na média de um ponto para cada arremesso. No fim, ele teve 25 pontos em 20 arremessos. Chegamos muito perto da perfeição e conseguimos vencer”.

A repórter polonesa perguntou por que Maciej Lampe não tem sido usado. “Porque ele só tem 19 anos”, respondeu D’Antoni, abrindo um sorriso. “Vai ser um grande jogador, mas ainda é muito jovem. Já conversei com ele sobre isso”.

Aproveitei o gancho e indaguei sobre o aproveitamento de Leandrinho. O técnico parecia ainda mais bem-humorado: “Ele está muito bem. Tem trabalhado duro, mas sabe que ocupa um lugar à sombra de um grande jogador (Nash). Tenho certeza de que Leandro ainda vai evoluir muito”. Elogio feito, agradeci a atenção e cruzei a porta do vestiário.

Cinco ou seis atletas, já de banho tomado, conversavam com a imprensa enquanto se vestiam. Leandrinho, pelo visto, ainda estava lá dentro, no chuveiro, então me aproximei para bater um papo com Steve Nash. O assunto, claro, era a presença do brasileiro no time.

“I love Leandro”, sorriu o armador do Phoenix quando eu pedi que avaliasse o companheiro. Com a voz baixa, toalhinha quase indecente amarrada na cintura, Nash engrenou nos elogios: “Ele é absurdamente veloz, arremessa muito bem da linha de três e tem garra de sobra. Essa é uma combinação excelente para um jogador de basquete. Por isso não tenho a menor dúvida: Barbosa vai ser um grande nome na NBA.”

Peguei toda essa seda rasgada e levei para o próprio Leandrinho, que àquela altura já estava de calça jeans e camiseta branca. Quando me apresentei, ele pareceu feliz ao ver que poderia falar português. Destacou a energia do time e a presença em quadra mais forte que no ano passado.

“O conjunto é muito bom e a equipe é muito rápida. Estou confiante. Este ano, nada vai impedir que a gente chegue ao playoff, mesmo sabendo que é difícil brigar no Oeste”, previu o armador, que acabara de travar um confronto direto com um dos melhores jogadores do planeta. “Eu já tinha marcado Iverson antes, tanto na seleção como na NBA. É muito difícil, mas não impossível. Tento fazer o melhor.”

Parte dos frutos pode ser creditada ao aprendizado recente com Nash. Os ensinamentos de Stephon Marbury, que estava no Phoenix até metade da temporada passada, parecem não ter sido tão importantes assim. Quando sugeri a comparação, o brasileiro não ficou em cima do muro e soltou o verbo:

“São duas experiências totalmente diferentes. O Marbury não gosta de armar jogadas para o time. Prefere marcar pontos, gosta de aparecer. O Nash cria situações para os companheiros. Nossa, ele me ensina muito!”, explicou Leandrinho, que já aponta o canadense como um grande amigo fora das quadras. “É a pessoa com quem mais me dou bem no time. Ele tem uma namorada paraguaia e quer muito aprender a falar espanhol. Então eu ajudo com meu português. Nash está sempre na minha casa, ou eu na casa dele”.

Conquistar a simpatia de um dos armadores mais criativos da liga significa um grande passo para qualquer jovem atleta. Bom sinal para o nosso Barbosa, que segue asfaltando sua estrada no meio dos cachorros grandes.

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Sábado é dia de Madison Square Garden. Os Knicks do fominha Marbury fazem sua primeira exibição em casa diante dos Celtics do igualmente fominha Paul Pierce. Não sei se o laptop vai pegar no ginásio. Se possível, dou notícias antes.

Mais uma vez, o texto ficou enorme, espero que não se importem. Até.


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fotos. nbae e cbs sportsline

5.11.04



deu o óbvio
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))) O limitado Charlotte estreou ontem com derrota


* Da Filadélfia

Passava um pouco das sete da noite e o esloveno Primoz Brezec subiu para disputar o tapinha inicial com Michael Ruffin. Quando os dois voltaram ao chão, o Charlotte Bobcats era, oficialmente, um time da NBA. A trigésima franquia da liga estreou ontem diante de sua torcida e fez bonito durante três períodos, mantendo uma vantagem de um ponto sobre o Washington Wizards. O quarto decisivo, no entanto, recolocou o basquete nos trilhos e selou a vitória dos rapazes da capital.

A exemplo do que havia feito em Memphis na quarta-feira, Antawn Jamison tomou conta da partida. O novo contratado do Washington caminha firme como candidato a melhor jogador da primeira semana de temporada. Até agora, não decepcionou os cartolas que apostaram nele como ponto-chave para reerguer a equipe.

As estripulias de Jamison, na verdade, não importam tanto aqui. O assunto da noite foi a expectativa em torno dos Bobcats, que iniciaram a jornada imersos em total descrédito. A imprensa eletrônica americana passou boa parte do dia avaliando se o Charlotte vai ou não vai quebrar o recorde de pior campanha da história da NBA.

Por enquanto, o título pertence ao Philadelphia 76ers, que venceu apenas nove vezes em 1973. Acredita-se que o elenco dos Cats, entulhado de jovens sem a menos experiência, tem tudo para fazer história pelo avesso. De fato, o risco é assustador.

O que se viu na noite de quinta-feira foi um time com ataque solidário, mas pouco operante. Todo mundo participou da rotação e os pontos foram quase igualmente divididos. O cestinha, com 19 pontos, foi o calouro Emeka Okafor, o único sopro de esperança no meio de todos aqueles atletas medianos. Brezec, Steve Smith, Gerald Wallace e Jason Kapono também se empenharam, mas falta brilho a essa gente. A impressão é que, bem armado, qualquer quinteto de pelada consegue bater o caçula do basquete profissional americano.

É o preço da estratégia do dublê de técnico e cartola Bernie Bickerstaff, que optou por gastar pouco no começo da escada e colher os frutos lá no alto. O problema é que, antes de pisar no segundo degrau, a franquia pode ganhar, ainda este ano, o carimbo do fracasso.

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))) Nash e os Suns visitam os Sixers esta noite


Chove, chove e chove na Filadélfia. Ainda não deu para botar o nariz fora do hotel. Espero que o tempo melhore, porque logo mais tem Sixers x Suns no Wachovia Center. As duas equipes vêm embaladas por vitórias na primeira rodada e devem promover um grande embate.

Jogando de uniforme laranja, o Phoenix bateu o Atlanta Hawks na America West Arena graças aos 23 pontos de Amare Stoudemire, que jogou de pivô. Gostei da estratégia do técnico Mike D’Antoni, optando por um quinteto titular mais leve, sem Jake Voshkuhl ou Maciej Lampe. Shawn Marion e Quentin Richardson formaram a ala enquanto Steve Nash dividiu a armação com o promissor Joe Johnson. É difícil reunir no mesmo elenco jogadores tão versáteis como Marion, Richardson e Johnson. Por isso D’Antoni não pode se dar ao luxo de escalar um grandalhão desengonçado embaixo da cesta enquanto gente habilidosa esquenta o banco.

Leandrinho foi o reserva que mais jogou. Marcou 9 pontos, deu três assistências e acabou pendurado com cinco faltas. Com o tempo, o brasileiro pode se tornar peça fundamental na rotação ofensiva dos Suns.

O Philadelphia fez ainda mais bonito. Foi a Boston e arrancou uma vitória dramática em pleno Fleet Center. Allen Iverson anotou 30 pontos e ainda distribuiu seis passes, cumprindo a cartilha que agora lhe cabe: pontuar e criar jogadas para os companheiros. Se conseguir manter esse ritmo, deve levar seu time aos playoffs sem sustos. Na quarta-feira, ele contou com a ajuda valiosa do jovem Kyle Korver. Juntos, os dois promoveram uma bela reação no quarto período. O triunfo teve sabor especial para o técnico Jim O’Brien, que treinou os Celtics nos últimos quatro anos e saiu de lá por causa de divergências com o cartola Danny Ainge. Logo na estréia à frente dos Sixers, teve a oportunidade de se vingar do ex-time.

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Por mais um desses fenômenos inexplicáveis da informática, meu laptop-poltergeist resolveu ganhar vida e, sozinho, se conectou à internet. Sem cabos, sem Kinko’s, sem Starbucks ou o que o valha. Estou no quarto do hotel, navegando tranqüilamente, sem pagar um tostão. Deve ser o tal wireless que o Texano citou outro dia.

O fato é que, se a conexão fantasma se estender ao ginásio, vou atualizar o site logo mais ao vivo, durante o jogo, de olho na quadra e com a maquininha no colo. A partida começa às 19h daqui, 22h daí, mas pretendo mandar algumas linhas bem antes disso. E conto com a presença de vocês, claro, para não ficar falando sozinho. Caso o poltergeist me abandone, escrevo na manhã de sábado. Até.


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fotos. nbae

4.11.04



à beira da quadra
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))) Alonzo e Shaq estavam ali, a dez metros


* De Nova Jersey

A quarta-feira começou com um “sinto muito”. Era a assessora da NBA, simpática no e-mail, me avisando que estava tudo ok para as partidas de sexta e sábado, mas para a estréia de Shaquille O’Neal... bem, “sinto muito”. Por uma falha de comunicação entre os departamentos, fiquei sem credencial ou ingresso para o embate entre Heat e Nets.

Àquela altura, eu tinha duas opções: esquecer East Rutherford (e passar a noite circulando em Nova York) ou tentar a sorte na mão de um cambista. Pois lá estava eu, duas horas antes do tapinha inicial, brigando com a máquina de venda de passagens no terminal de Port Authority. Fila chata, gente apressada, e até que a viagem foi rápida. Em 20 minutos, o ônibus chegou à Continental Airlines Arena, que não é tão isolada assim como dizem.

Já cheguei procurando os “vendedores alternativos” mas, por via das dúvidas, resolvi passar na bilheteria e tive uma surpresa: mesmo sendo o primeiro compromisso da temporada e coincidindo com a estréia de Shaq no Miami, ainda havia um monte de ingressos à venda, em todos os cantos do ginásio e com quase todos os preços disponíveis. De fato, a torcida dos Nets não gosta muito de basquete.

Uma vez lá dentro, impressiona a imensa praça de alimentação que cerca as arquibancadas. Tem de tudo para comer e beber. E como o americano come! Tudo muito organizado, centenas de jovens envergando os uniformes mais variados, da 21 de Brian Scalabrine à camisa que Kevin Garnett usava no segundo grau. Fui chegando devagar e logo estava na minha poltrona, bem perto da quadra.

Os atletas entraram para o aquecimento e eu me vi ali, a 10 metros de Shaq, Dwyane Wade, Eddie Jones, Richard Jefferson, Alonzo Mourning...

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))) O jogo

Com a bola quicando, ficou evidente a falta que Jason Kidd faz ao New Jersey. Com Jacque Vaughn comandando a armação, o time da casa parecia perdido no ataque. Todo mundo se apressava em passar a bola para Jefferson que, bem marcado, não conseguia produzir. Resultado: Miami 13-2 antes do primeiro pedido de tempo.

Quando faltavam cinco minutos para o fim do período inicial, o técnico Lawrence Frank lançou Mourning no lugar de Eric Williams. Tive a honra de levantar e bater palma (eu e todo o ginásio) para o retorno de um grande pivô. A torcida reconheceu a importância daquele momento e, a cada lance de Zo, derramava-se em aplausos. Contra Shaq, Michael Doleac ou Malik Allen, Alonzo mostrou que ainda pode ser muito útil ao basquete. Brigou pelos rebotes com disposição de garoto e encarou a marcação sem medo.

Com o veterano em quadra, Jason Collins passa a jogar na posição 4, numa formação que me agrada muito. Jefferson completa a ala e a armação fica a cargo de Vaughn e Ron Mercer. O primeiro decepcionou (a rotação funcionou melhor com Travis Best), mas o segundo levantou a arquibancada em vários momentos. Não foi o bastante para impedir que o Heat abrisse 20 pontos de vantagem.

Fica a impressão de que Jason Kidd vai fazer esses sujeitos evoluírem. Com a volta do armador, Mercer, Williams, Planinic e Buford devem crescer e o New Jersey pode até brigar por um lugar ao sol. Sem seu principal atleta, no entanto, o que se vê é um bando em quadra. Na poltrona ao lado da minha, um menino pedia, a cada ataque, que a bola chegasse a Jefferson. “Não passa, Rich, arremessa!”, gritava, ilustrando a limitação do time.

Do outro lado da quadra, os visitantes nem precisaram da força de Shaq para vencer. O gigante deu apenas uma amostra grátis do que pode fazer, marcando 16 pontos. Dwyane Wade comandou o show armando praticamente todas as jogadas e distribuindo dribles desconcertantes a torto e a direito. Até a torcida dos Nets se rendeu à habilidade do jovem de 22 anos. Ficou claro que, com o devido entrosamento (e sem contusões), o Miami pode se tornar uma das potências da liga. Rasual Butler se movimentou bem e Damon Jones surpreendeu com uma boa atuação. Se O’Neal se mantiver saudável, vai ser difícil segurar essa gente.

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))) O pós-jogo

Assim que terminou a partida, 100-77, o rapper Jay-Z se levantou da primeira fileira para ir embora. Pronto: todo mundo esqueceu o basquete. A garotada voou para cima dele, todos com seus celulares equipados com câmeras, implorando por uma foto com o ídolo. Eu bem que tentei prestar atenção na entrevista que Shaq dava a poucos metros de mim, mas o tumulto foi tamanho que não deu pra ouvir nada.

No ônibus de volta para Nova York, ninguém falava sobre Nets ou Heat. “Adivinha o que aconteceu! Acabei de ver o Jay-Z!”, a menina no banco da frente contava a novidade para alguém do outro lado da linha. Na parte de trás, a turma cantava uma música do rapper.

E eu, flutuando no banco, voltava para o hotel completamente realizado, após ter assistido meu primeiro jogo da NBA ao vivo.

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Amanhã tem mais. Se a assessoria da NBA não furar de novo (toc, toc, toc), estarei no Wachovia Center para ver os Sixers de Allen Iverson contra os Suns de Leandrinho. Vou tentar escrever algumas linhas ainda hoje, de algum lugar da Filadélfia. À noite, tem Nets x Bulls na TV, boa chance de conferir a molecada de Chicago.

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Texano, valeu pelas dicas. Por enquanto, o que me salva é o Kinko’s, com acesso baratinho para laptops. Por isso o texto tão grande. Desculpem se ficou cansativo, mas achei que valia a pena contar a aventura em detalhes. Repararam que os acentos estão de volta? Espero que continue assim. Até

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foto. cnn/sports illustrated

3.11.04



a volta da muralha
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* De Nova York

Pelo jeito, a briga com o teclado vai continuar feia. Impossibilitado de usar o laptop por uma desses artigos obscuros da Lei de Murphy, ao menos consegui acionar a iternet do quarto do hotel. Estou aqui escolhendo cuidadosamente cada palavra para evitar os acentos. Os mais atentos devem ter notado: nesta pequena engenhoca, nada de til, cedilha, circunflexos e agudos. Mas tudo bem, se fosse mole nao seria divertido. Perdoem as falhas na ortografia e vamos em frente.

A temporada deu sua largada hoje com o triunfo do Dallas sobre o Sacramento. Este eu nao vi. Fiquei na TNT com a primeira partida do campeao Detroit Pistons, que recebeu o Houston Rockets de Tracy McGrady e, num jogo feio, venceu por 87-79.

O que se viu foi um T-Mac menos agressivo que no ano passado (talvez seja o efeito da primeira semana, depois deve melhorar). Quando chegou o quarto derradeiro, o craque desandou a partir para dentro e arremessar de longe, lembrando os velhos tempos de Orlando Magic, quando queria resolver a parada sozinho. Agora ficou diferente. Em Houston, McGrady tem um time para compartilhar as jogadas. Se adotar o desespero como estrategia, vai afundar agarrado aos colegas. Ontem, deixou a quadra com parcos 18 pontos.

Diante da forte defesa dos Pistons, o gigante Yao Ming foi outro que sumiu. Errou um bocado e esbarrou na muralha dos Wallaces. Foram eles, por sinal, os donos da noite.

Primeiro, receberam os aneis do campeonato passado. Depois, mostraram em quadra por que mereceram levantar o caneco. Rasheed se esbaldou com 24 pontos (sendo 11 no quarto periodo), seis rebotes e dois tocos. Levantou a torcida nos momentos decisivos da partida e comandou um grupo que, com mais um ano de entrosamento, certamente vai brigar pelo bi. Ben Wallace registrou 15 pontos e 20 rebotes. O habilidoso Rip Hamilton manteve o nivel dos companheiros, com 15 pontos e oito passes.

Foi apenas o primeiro passo, mas duas coisas ficaram claras:

1) Para fazer do Houston uma franquia vencedora, McGrady precisa moldar seu jogo para um estilo dierente, mais coletivo.

2) Outra vez, preparem-se para Larry Brown: Vai ser duro furar essa defesa do Detroit.

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No Brasil, passa das 3h da madrugada. Aqui, 0h20. Lakers e Nuggets em quadra. Nene saiu do banco e, 10 segundos depois, ja tinha feito sua primeira falta. Estou aqui torcendo por ele na dobradinha da TNT.

Volto mais tarde.


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fotos . nbae

2.11.04



mais de nova york
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* De Nova York

Compras feitas, estou eu aqui de novo. O dia hoje foi fraco, mais centrado em Bush e Kerry do que no basquete. De noite tem jogo na TV. Temporada iniciando, muita gente comentando.

Durante a tarde, o treinador do New Jersey, Lawrence Frank, deu uma longa entrevista para um programa de TV. Papo mole, disse estar certo de que os Nets podem surpreender mesmo sem Kenyon Martin, Kerry Kittles e, por enquanto, o contundido Jason Kidd. Ruim de acreditar, nem mesmo os apresentadores caem na conversa.

Na quarta as coisas esquentam, estarei em New Jersey para conferir o bla-bla-bla de Frank ao vivo. Se der, mando noticias de la. Caso contrario, tentarei escrever cedo na quinta.

Abs a todos

1.11.04



ao vivo do front
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* De Nova York

Salve, salve. O vento gela, o Burger King continua excelente e a TV anuncia sem parar que Shaquille O`Neal pode ficar fora do jogo de quarta-feira. Pelo visto, Jason Kidd corre risco parecido. Tudo bem, ainda assim verei tudo de perto.

No primeiro dia de Rebote Nova York, a viagem cansativa roubou muita energia, mas tive de dar uma passada na famosa loja da NBA na Quinta Avenida. Aquele lugar deveria ter visita guiada de dois dias! E nem assim daria para ver tudo! Os mais diversos uniformes, camisas de treino para todos os gostos, artigos de todo tipo e, pasmem, uma miniquadra de basquete no andar de baixo. Fiquei de voltar depois para as compras.

Por hoje, encerra-se o expediente. O sono me chama. Volto agora para o hotel, que por sinal fica exatamente em frente ao Madison Square Garden. Basta atravessar a rua para cair dentro da casa dos Knicks.

Abs

31.10.04



cartas na mesa (parte 2)
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))) Wolves e Lakers: mais um ano
de tempo quente no velho Oeste



Muita coisa mudou, mas um aspecto continua intacto: o Oeste ainda é a terra sem lei do basquete americano. Mais uma vez a disputa promete ser intensa da primeira à última rodada. Shaquille O'Neal trocou de lado, mas T-Mac e K-Mart chegaram para reforçar as fileiras. Dada a largada, convém não apartar as brigas.

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))) PACÍFICO


))) Webber, Bibby e os Kings têm caminho livre


1. Sacramento Kings
O vigor do banco de reservas foi por água abaixo e, de bom, só sobrou o endiabrado Bobby Jackson. Mas o quinteto titular continua sendo um dos mais alinhados da NBA. Para vencer uma divisão do Pacífico órfã de Shaquille O’Neal, bastam duas coisas: evitar contusões graves e manter a motivação de Peja Stojakovic, que chegou a pedir para ser trocado. Avançar nos playoffs é outro papo, mas na temporada regular vai ser difícil segurar os Kings.

2. Los Angeles Lakers
Sem Shaq, fica faltando um reboteiro. Mas quem pode reclamar do talento espalhado por este elenco? Odom, Butler, Divac, Grant, Rush e George podem formar um esquadrão de cobertura respeitável para Kobe Bryant, que agora não enfrenta mais fogo amigo: está livre para ser o astro absoluto da franquia, como sempre quis. Para azeitar a nova turma, também não faltará competência, com a contratação do técnico Rudy Tomjanovich.

3. Phoenix Suns
A campanha vergonhosa no ano passado foi inexplicável. Havia talento de sobra (Marion, Stoudemire, Marbury) e deu tudo errado. É hora de uma nova tentativa, desta vez sob o comando de um velho conhecido: o cerebral Steve Nash. Além disso, caso alguém não tenha percebido, está justamente no Phoenix um dos melhores bancos da liga, com destaque para Joe Johnson, Leandrinho e Zarko Cabarkapa.

4. Golden State Warriors
Saiu Nick Van Exel, entrou Derek Fisher. Até aí tudo bem. Mas quem substitui Erick Dampier? Ninguém. E assim o Golden State desce a ladeira, dando trabalho ao novo treinador, Mike Montgomery.

5. Los Angeles Clippers
A equipe se desmontou na esperança de pescar Kobe Bryant. Não deu certo e o que sobrou foi um elenco frágil, acostumado a apanhar sem reagir. A grande novidade é o arremessador Kerry Kittles. Ou seja, não se pode esperar muita coisa.

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))) SUDOESTE


))) Duncan quer se recuperar do fiasco na Grécia


1. San Antonio Spurs
Na divisão mais disputada de toda a NBA, o San Antonio Spurs continua dando as cartas. Como sempre, a diretoria mexeu pouco (e bem) durante as férias. Foi buscar em Brent Barry um jogador experiente, atlético e dono de um gatilho raro no basquete atual. De resto, continuam por lá Duncan, Parker, Ginobili... o que dizer desta turma? Se nenhum Derek Fisher alucinado aparecer pelo caminho, troféu neles.

2. Houston Rockets
T-Mac está na área e Yao Ming tem motivos para sorrir. A dupla faz do Houston candidato automático à briga no Oeste, apesar da falta de coesão no elenco. Para a posição 1, Charlie Ward é uma opção meio batida. Na ala, Jim Jackson e Juwan Howard não seguram a onda. A solução? Bola para o cestinha, bola para o chinês.

3. Memphis Grizzlies
No ano passado, Grizzlies e Mavs travaram uma batalha árdua até a última rodada. Na classificação para o mata-mata, deu Dallas. O mesmo deve se repetir este ano na briga por posições na divisão Sudoeste, mas desta vez tem tudo para dar Memphis. James Posey está mais maduro, Pau Gasol teve uma Olimpíada fantástica e o banco tem ótimas peças (Wells, Swift, Cardinal, Battier). Sob o jugo de Hubie Brown, os garotos do Tennessee virão tinindo.

4. Dallas Mavericks
Tudo bem que há talento por lá, mas ninguém é capaz de preencher o vácuo deixado por Steve Nash. Por melhor que sejam Devin Harris, Marquis Daniels e Jason Terry, será difícil ajustar a armação no mesmo nível. Em compensação, Erick Dampier chega para resolver o problema crônico da falta de pivô, o que exige mudança no esquema de jogo. Para que o ano corra bem, o Dallas terá de compensar dentro do garrafão a perda de qualidade fora dele.

5. New Orleans Hornets
Sem Jamal Mashburn e com Baron Davis insatisfeito, não dá para confiar muito no New Orleans. Ainda mais com o azar de ser transferido para o Oeste, justamente nesta divisão encardida. Tem material humano para uma campanha digna, mas não adianta iludir ninguém.

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))) NOROESTE


))) No auge da carreira, KG tem fome de títulos


1. Minnesota Timberwolves
A espinha dorsal continua intacta e não há nada que impeça os Wolves de repetir a bela campanha do último campeonato. Nem há muito o que dizer: Garnett está no auge e seus asseclas continuam em forma. A novidade é que, na corrida pelo topo do Oeste, Shaq não é mais um obstáculo.

2. Utah Jazz
Quem tem Jerry Sloan à frente do banco ganha automaticamente o direito de sonhar alto. Ainda mais quando a diretoria consegue reunir gente boa para brincar dentro da quadra. É o caso do renovado Jazz, com a força de Carlos Boozer e Mehmet Okur embaixo da cesta, a garra de Carlos Arroyo na armação e a vontade de Matt Harpring, que tenta recuperar a forma. Sem falar no melhor de todos eles, o polivalente Andrei Kirilenko, que tem tudo para se inscrever no salão nobre da liga.

3. Denver Nuggets
Será que eles deveriam estar à frente do Utah nesta lista? Talvez. Mas continuo achando que, num time onde estão Marcus Camby, Kenyon Martin e Nenê, alguém está sobrando. Seria mais inteligente trocar um deles por um bom armador da posição 2 ou um reserva decente para Carmelo Anthony. Mesmo um tanto torto, o Denver deve fazer bonito na conferência.

4. Portland Trail Blazers
No papel, até que o time não é ruim. Na prática, só sobra o talentoso Zach Randolph. De resto, são quatro veteranos (Abdur-Rahim, Stoudamire, Van Exel e Ratliff) que estão mais pra lá do que pra cá. Vai ser mais um ano de fartas ocorrências policiais e más notícias esportivas.

5. Seattle Supersonics
Enquanto Ray Allen e Rashard Lewis fazem o trabalho sujo de evitar o vexame, os jovens continuam buscando um lugar ao sol. Enquanto Ridnour, Collison, Murray e Radmanovic não desabrocharem de vez, o Seattle não vai a lugar nenhum, a não ser que se aventure numa negociação ousada para atrair um All-Star que faça companhia a Ray Allen.

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A CONFERÊNCIA OESTE

1. San Antonio (S)
2. Minnesota (N)
3. Sacramento (P)
4. Houston
5. LA Lakers
6. Memphis
7. Dallas
8. Phoenix

MVP ))) Kobe Bryant (LAL)

Calouro ))) Shaun Livingston (LAC)

Evolução ))) Mehmet Okur (UTA)

Defensor ))) Andrei Kirilenko (UTA)

Reserva ))) Nenê (DEN)

Técnico ))) Jerry Sloan (UTA)

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Por agora, é isso. Embarco logo mais e, assim que puder, dou notícias de Nova York. Até lá.

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fotos . nbae

30.10.04



cartas na mesa (parte 1)
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))) Pistons e Pacers: o desafio de
chegar outra vez à final do Leste



Os preparativos da viagem consumiram cada segundo desta semana, mas a bola de cristal não agüentou ficar presa na gaveta. Começo de temporada sem previsões não tem a menor graça, então vamos a elas. Hoje, vocês ficam com o renovado Leste. Amanhã é a vez do acirrado Oeste. E assim seguimos, de palpite em palpite.

Divirtam-se, discordem, manifestem-se.

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))) CENTRAL


))) Sheed tentará o bicampeonato com o Detroit


1. Detroit Pistons
O que há de novo? Nada. E não pode haver notícia melhor para o atual campeão, que adiciona mais um ano de calos a um elenco já calejado. Antonio McDyess vai dar as caras, mas sinceramente não acredito que cause algum impacto. Vai disputar com Darko Milicic os minutos herdados com a saída de Mehmet Okur. Além disso, vale prestar atenção no argentino Carlos Delfino, que promete aprontar.

2. Indiana Pacers
Stephen Jackson é a chave. O armador chega a Indianapolis para preencher a única lacuna deixada pelo time na última temporada: a falta de uma opção ofensiva nos arremessos de fora. Todo mundo sabe que Reggie Miller já dobrou a esquina, então Jackson ganha importância absoluta no esquema de Rick Carlisle. O resto fica tranqüilamente na conta de Jermaine O’Neal e Ron Artest.

3. Cleveland Cavaliers
Sai Carlos Boozer, entra Drew Gooden. A perda de qualidade é gritante. Ainda assim, os Cavs não devem passar vergonha. LeBron James estará mais maduro e terá em Eric Snow um armador de verdade para criar jogadas. Vale destacar ainda o batalhador Jeff McInnis, o habilidoso calouro Luke Jackson e (por que não?) nosso Anderson Varejão.

4. Milwaukee Bucks
A questão aqui é bem clara: com TJ Ford em forma, os Bucks devem chegar longe, provavelmente à frente do Cleveland. Sem TJ Ford, os Bucks não vão a lugar nenhum, provavelmente atrás do Chicago. As atuações de Michael Redd e Desmond Mason só se sustentam com um armador veloz para criar oportunidades. Resta ao técnico Terry Porter torcer pela saúde do seu garoto.

5. Chicago Bulls
Lembram que, quando Jordan e Pippen saíram, a cartolada prometeu reconstruir a dinastia? A torcida continua esperando e, salvo milagres, terá mais um ano de decepção. Os jovens parecem ser bons, mas não dá para apostar num time entulhado de novatos, sem um atleta de peso sequer. Uma pena.

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))) ATLÂNTICO


))) Steph e Crawford vão dividir minutos em NY


1. New York Knicks
Um Stephon Marbury motivado, um Allan Houston saudável e um Jamal Crawford com a mão calibrada. Se conseguir essa química na armação, o técnico Lenny Wilkens tem tudo para atravessar a temporada feliz da vida. Bastaria uma colaboração razoável de alas como Tim Thomas e Jerome Williams para os Knicks assumirem o topo da divisão. Agora que o rival Miami Heat foi deslocado para outras paragens, a concorrência diminuiu e o caminho ficou mais fácil.

2. Philadelphia 76ers
Entusiasta de uma boa retranca, Jim O’Brien sabe que um ferrolho de respeito é capaz de fazer um time voar longe no Leste. Com isso em mente, o técnico dos Sixers chegou a fazer uma viagem intercontinental para seduzir Allen Iverson, o craque da companhia, antes da Olimpíada. Foi na Turquia que a dupla se encontrou e conversou para começar o ano em paz. Se o astro não implicar com o treinador (como fez com os dois últimos), é meio caminho andado. De resto, recai a expectativa sobre as performances de Samuel Dalembert, Willie Green, John Salmons e do calouro Andre Iguodala. São cinco incógnitas que podem fazer a diferença.

3. New Jersey Nets
A queda de nível no elenco foi brutal com as saídas de Kenyon Martin e Kerry Kittles. Quem ficou acabou desmotivado, mas os Nets ainda contam com o melhor armador da liga e com um ótimo finalizador. O sucesso vai depender da parceria entre Jason Kidd e Richard Jefferson, mas será difícil chegar muito longe com coadjuvantes tão limitados. Repousa certa curiosidade sobre a volta de Alonzo Mourning, mas o pivô não deve repetir o vigor do passado.

4. Boston Celtics
Gary Payton chegou, mas e daí? Alguém acredita que ele vai fazer a diferença? Posso até queimar a língua, mas o fardo vai continuar pesado nos ombros do pobre Paul Pierce. A esperança é que Doc Rivers rabisque alguma novidade na prancheta e faça render os promissores Jiri Welsch e Marcus Banks.

5. Toronto Raptors
Se tudo correr como previsto, Rafael Baby Araújo terá um ano de intenso purgatório. Por mais que Chris Bosh evolua e Rafer Alston dê novo gás à armação, este ainda é o time de Vince Carter. E o sujeito mais acrobático da NBA anda insatisfeito. Chegou a pedir publicamente para ser negociado, não conseguiu e terá de sofrer mais um ano no Canadá.

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))) SUDESTE


))) O'Neal quer fazer mágica à frente do Miami


1. Miami Heat
Nada de Detroit, Indiana, Philadelphia ou New York por perto. Além de ter feito a maior contratação das férias, o Miami ainda deu sorte na nova geografia do basquete americano. Pegou uma divisão que não chega a assustar, a não ser pela presença imprevisível do vizinho Orlando Magic. Shaquille O’Neal, Dwyane Wade e Eddie Jones caminham para formar um trio indigesto, mas nenhum dos três pode se contundir durante o ano. Se acontecer algum acidente, surge o risco de descer a ladeira.

2. Orlando Magic
Sem Tracy McGrady, a equipe vai apostar num esquema ofensivo mais solidário. Tudo começa no astro Steve Francis, mas não pára por aí. O técnico Johnny Davis não vai dispensar o gatilho de Cuttino Mobley, a juventude de Dwight Howard e a experiência de Grant Hill. Este último, por sinal, conta com a torcida sincera desta página para dar a volta por cima.

3. Washington Wizards
Gilbert Arenas e Antawn Jamison estão juntos outra vez, reeditando uma dupla de sucesso efêmero no Golden State Warriors. Melhor para o Washington, que adiciona talento no ataque e volta a rezar pela explosão do jovem Kwame Brown. Será que agora o pupilo de Jordan desencanta?

4. Atlanta Hawks
Só mesmo a entrada dos Bobcats no circuito para aliviar a barra dos cartolas da Geórgia. Mesmo com as inclusões de Antoine Walker e Al Harrington, os Hawks não inspiram confiança. Os dois terão de se desdobrar se quiserem levar a equipe a algum lugar.

5. Charlotte Bobcats
Experiência, experiência, experiência. É isso que a nova franquia vai perseguir durante o campeonato. O elenco pobre não permite sonhar com nada muito diferente da lanterna. Em todo caso, será interessante acompanhar a performance do novato Emeka Okafor e do “veterano” Gerald Wallace.

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A CONFERÊNCIA LESTE

1. Detroit (C)
2. Miami (S)
3. New York (A)
4. Indiana
5. Orlando
6. Philadelphia
7. New Jersey
8. Washington

MVP ))) Jermaine O’Neal (IND)

Calouro ))) Dwight Howard (ORL)

Evolução ))) Stephen Jackson (IND)

Defensor ))) Ron Artest (IND)

Reserva ))) Jamal Crawford (NYK)

Técnico ))) Larry Brown (DET)

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fotos . nbae

27.10.04



a vez dos armadores
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))) Kidd e Snow, dois atletas
com novos desafios este ano



Não dava mesmo para escapar dos grandalhões. Numa pré-temporada em que Shaquille O’Neal, Kenyon Martin, Carols Boozer, Mehmet Okur, Erick Dampier, Brian Grant e Vlade Divac trocam de uniforme, o noticiário recai naturalmente sobre a turma que fica mais perto do aro. Um olhar mais atento, contudo, recomenda atenção especial ao lado mais atarracado dos esquemas táticos. Com os elencos renovados, diversos armadores que atuam na posição 1 ganharam novo status, numa mudança coletiva como há muito não se via na NBA.

Ao passar os olhos sobre as 30 equipes, o Rebote pescou cinco duplas de baixinhos que precisam subir degraus se quiserem chegar a algum lugar.

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))) KIDD, IVERSON e as múltiplas funções



Em New Jersey, deu até vontade de ir embora. Quando soube que a diretoria abriu a porta dos fundos para K-Mart e Kerry Kittles, o astro Jason Kidd deixou a garganta falar mais alto que o cérebro e pediu publicamente para ser negociado. Não conseguiu, claro. Não é todo mundo que tem bala na agulha para incluir o melhor armador do planeta em suas fileiras. Poeira baixa, lá está o craque diante de um baita desafio: além das assistências para Richard Jefferson, ele vai ser exigido como pontuador. Precisa crescer suas médias se não quiser ver os Nets no fundo do poço.

Na Filadélfia, o quadro é o oposto. Allen Iverson sempre se preocupou em receber a bola e fazê-la chegar à cesta. O resto era o resto. O problema é que agora o escudeiro Eric Snow se foi e deixou vaga a função de armar as jogadas para os 76ers. Lá vai Iverson para a posição 1, abrindo espaço no elenco para o promissor Willie Green. Nada de chutar sem freio. A cada ataque, o tatuado encrenqueiro terá a incumbência de fazer o jogo fluir. Missão espinhosa para um fominha nato.

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))) NASH, FRANCIS e o estrelato solitário



Os últimos anos foram de sombra parcial para Steve Nash. Mesmo com um dos domínios de bola mais eletrizantes da liga, não foi fácil para o canadense brilhar tendo ao seu redor gente do quilate de Finley, Nowitzki, Jamison e Walker. No Arizona, tudo vai ser diferente. De volta ao Phoenix Suns, Nash continuará cercado de talento, mas será o astro da companhia. Talvez seja isso que falte para fincar de vez a bandeira na elite do basquete americano.

O mesmo acontece com Steve Francis. Em Houston, ele precisava dividir as jogadas com Yao Ming, o gigante chinês que ganha terreno a cada noite e impede que o esquema fique centrado num armador. Com a migração para Orlando, Francis encara o desafio de substituir Tracy McGrady e, finalmente, ganha a oportunidade de carregar um time nas costas para justificar o apelido Franchise.

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))) PAYTON, MARBURY e a ressurreição



Para quem andava meio morto, é um prato cheio. Após fracassar no Los Angeles Lakers, Gary Payton conta com Paul Pierce, Ricky Davis e um punhado de jovens para mostrar que ainda está vivo. As turbulências na ida para Boston aumentam ainda mais a responsabilidade do veterano em relação à torcida dos Celtics, que anda meio sem paciência com um time empenhado em negar as glórias do passado.

Stephon Marbury não está tão morto assim, mas tem muito a provar neste ano. Será o primeiro campeonato inteiro com o New York Knicks, time dos sonhos de infância. Com Allan Houston em forma e Jamal Crawford no banco, a equipe tem tudo para chegar novamente aos playoffs e brigar de verdade, em vez de ser varrida na primeira fase.

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))) WADE, SNOW e a arte de virar escada



A saída de T-Mac do Orlando Magic abriu na Flórida um futuro promissor para o jovem Dwyane Wade, que caminharia a passos largos para ser o rei do estado em muito breve. O obstáculo tamanho GG, no entanto, pousou bem no seu time, o Miami Heat, e Wade voltou ao posto de coadjuvante. Com Shaquille O’Neal em quadra, o habilidoso armador assume uma tarefa dupla: pontuar em alto nível e preparar terreno para o superpivô. Se a química der certo, a NBA pode ganhar uma dupla fenomenal.

Alguns degraus abaixo, Eric Snow também vai se transformar em escada. De certa forma, o discreto carregador de piano já exercia esse papel ao lado de Allen Iverson. O astro dos Sixers, no entanto, nunca foi de esperar bolinha pronta na mão. Vamos ver como será agora, em Cleveland, com o emergente LeBron James, que ainda precisa de ajuda para se tornar um verdadeiro All-Star.

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))) FORD, ARROYO e a liderança precoce



Comandar um grupo jovem é coisa pra veterano, certo? Não em Milwaukee, onde o ensaboado TJ Ford, de apenas 21 anos, promete agarrar os Bucks a unha. Em volta dele, o técnico Terry Porter acomodou atletas promissores como Michael Redd e Desmond Mason. Com um esquema bem azeitado, talvez dê para fazer bonito.

No Utah Jazz, caiu nas mãos do pequeno Carlos Arroyo, não muito mais experiente, o fardo de liderar o novo comboio formado por Boozer, Okur, Harpring e Kirilenko. Para encarar a responsabilidade, Arroyo terá de repetir o espírito de liderança mostrado na Olimpíada de Atenas, quando conquistou o mundo à frente da seleção de Porto Rico.

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26.10.04



feliz ano novo
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))) Shaq é o símbolo das mudanças na liga


Time novo, seis divisões, Shaq na Flórida e Yao tabelando com T-Mac. A uma semana do tapinha inicial, a NBA se aquece para apresentar ao torcedor um modelo 2004-2005 turbinado e esculpido num verão em que os cartolas trocaram as praias pelo ar-condicionado dos escritórios. O resultado é uma nova geografia que começa nas mudanças territoriais e se estende a trocas de uniforme capazes de redesenhar a correlação de forças na elite da liga.

Sendo assim, cá está o Rebote acordando de sua folga, que também não foi essa moleza toda. Neste período de recesso, muita coisa foi pensada, estudada e avaliada. Algumas surpresas podem aparecer por aqui durante o campeonato, mas agora vale concentrar o foco em apenas uma:

A viagem ao olho do furacão.

Durante uma semana, a partir de segunda-feira, esta página monta acampamento em Nova York. Os textos serão escritos de lá, para dar a noção exata do clima quente que se anuncia no início da temporada. O roteiro prevê escalas em cidades vizinhas e, se tudo correr como previsto, teremos a cobertura ampla de três partidas ao vivo.

Para começar enfiando o pé na porta, no dia 3, o Rebote vai invadir a Continental Airlines Arena, em East Rutherford. Numa noite de gala, o ginásio do New Jersey Nets será o palco da estréia de Shaquille O’Neal com a camisa 32 do Miami Heat. O prédio vai tremer e nós vamos estar lá dentro.

A parada seguinte será na Filadélfia, quando os 76ers de Allen Iverson abrem as portas do Wachovia Center para o Phoenix Suns de Steve Nash e Leandrinho.

A pequena turnê se encerra com chave de ouro em pleno Madison Square Garden, no dia 6, quando Stephon Marbury e o New York Knicks recebem o Boston Celtics de Gary Payton e Paul Pierce.

Mais que a oportunidade de acompanhar os jogos in loco, a viagem serve para revelar a expectativa diante de uma temporada imprevisível, cheia de caras novas e elencos refeitos.

Até o fim desta semana, nosso papo continua aqui, em solo brasileiro e ritmo diário. Tudo pronto para mais um ano de basquete.

Até amanhã.

Abraços a todos,

Rodrigo Alves

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30.9.04




um alô breve
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Então é isso. Fim de Olimpíada, um mês de descanso, nem uma mísera linha sobre basquete.

Se não fossem vocês, sempre essenciais, fazendo barulho na caixa de comentários, já teríamos teias de aranha nos cantos da tela.

Na verdade, esta aparição-relâmpago é só para dar um sinal de vida e informar que o site continuará em repouso até meados de outubro. Até lá, muita coisa pode mudar (para melhor, espero). Enquanto as novidades não chegam, a bola continua com vocês. Abusem do fórum e, qualquer coisa, me procurem temporariamente no email roa@ism.com.br.

Forte abraço,

RODRIGO ALVES

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28.8.04



a nova ordem
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))) O fiasco dos Estados Unidos de Jefferson
expôs ao mundo os novos rumos do basquete



Como se esperava, Estados Unidos e Lituânia vão se bicar outra vez. Revanche para os americanos, acuados ainda na fase eliminatória pela mão certeira de Sarunas Jasikevicius, o armador que cravou sete bolas da linha de três antes de trocar farpas com o técnico Larry Brown. Palco armado, chegou a hora do acerto de contas, com um detalhe que pouca gente havia previsto:

A medalha em jogo brilha um pouco menos que o ouro.

A seleção certa vez chamada de Dream Team disputa hoje com os europeus um bronze de gosto amargo. O curso previsível do esporte apontava EUA e Lituânia como protagonistas da grande final em Atenas. Só faltou combinar com Manu Ginobili e Gianluca Basile, heróis de um torneio que, de previsível, não teve nada. Lá estão Argentina e Itália se estapeando pelo direito de ouvir o hino no pódio.

Haja o que houver no desfecho do torneio, este período de duas semanas na Grécia foi histórico. Para torcedores, críticos e dirigentes, a Olimpíada tornou-se útil em dois aspectos:

1) Saciar um sentimento de anti-americanismo um bocado justificável, acentuado pela arrogância de jogadores que se esbaldam a bordo de um navio na véspera da estréia.

2) Subverter, de uma vez por todas, a lógica do basquete internacional.

Como admirador desses abnegados que se matam para acertar uma bola laranja dentro de um aro, confesso que a segunda parte é a que me interessa.

Vamos a ela, pois.

Tudo funciona como um ciclo. Sem medo de enfiar a nova ordem goela abaixo dos incrédulos, caminhos recentes jogaram no mesmo saco a NBA e o resto do mundo. Até pouco tempo improvável, essa mistura foi tão chacoalhada que nasceu dail uma poção curiosa. Um foi obrigado a aturar o outro, pelo bem do esporte e dos interesses financeiros.

Daqui em diante, nada será como antes.

E a culpa, em grande parte, é de um americano chamado David Stern.

Movido por cifras astronômicas e pela vontade de entrar para a história, foi ele que insistiu em entupir a liga de estrangeiros. Promoveu intercâmbios, aboliu fronteiras, encurtou distâncias. Talvez sem se dar conta, o comissário foi brilhante na tarefa de fabricar adversários para seu país.

O problema é a diferença de mentalidade. Para vencer na NBA, os gringos se submetem a um árduo processo de adaptação. É lá que eles ganham o pão durante o ano, daí o esforço para se enquadrar no ambiente. A mão contrária não existe. Para vencer em terra estrangeira, os americanos julgavam que o talento bruto de segundo escalão era suficiente.

Bem, não era.

Quando chega a hora da Olimpíada, diversas equipes internacionais exibem líderes com experiência nos Estados Unidos. É a Argentina de Ginobili, a China de Yao Ming, a Espanha de Pau Gasol. Ao redor deles, os técnicos salpicam atletas que sabem jogar o tal basquete-Fiba. É o Jasikevicius da Lituânia, o Basile da Itália, o Ortiz de Porto Rico. E lá vão os americanos, sempre puro-sangue, descendo a ladeira.

Se Kobe, Shaq, Garnett, T-Mac e Kidd estivessem em Atenas, o resultado fatalmente seria outro. Com as grandes estrelas, não seria difícil atropelar os rivais, por mais fortes que fossem. Hoje, o primeiro escalão da NBA ainda é superior ao “resto do mundo”. Não sei até quando vai ser. Do jeito que a coisa anda, com Stern incansável até no desejo de incluir equipes européias na liga, fica difícil prever o futuro.

O que se sabe, por enquanto, é que o orgulho americano foi para o brejo. De uma vez por todas, caiu o mito. Do mais rico europeu ao mais pobrinho da América Central, todos aprenderam a não ter medo do bicho-papão.

Para os ianques, existe solução? Treinar uma seleção de amadores? Colocar a faca no pescoço dos medalhões? Não faltam idéias, mas talvez seja tarde. No ar gelado de algum escritório, David Stern deve estar pensativo, de bolso cheio, talvez até com um sorriso no rosto. Está feito o estrago.

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15.8.04



fracasso anunciado
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))) Odom, Marbury e o retrato da derrota


Quando o gigante Amare Stoudemire caiu de maduro após uma finta simples do franzino Carlos Arroyo, ficou nítido que alguma coisa estava fora da ordem. Corria o segundo quarto da estréia americana na Olimpíada de Atenas. Figura de terceiro escalão na NBA, o bravo armador de Porto Rico já havia construído, àquela altura, as bases de uma atuação heróica, que culminaria com um impensável placar de 92 a 73.

A favor da zebra, claro.

Enquanto Stoudemire se levantava e Arroyo festejava mais dois pontos, fiquei me perguntando, naquele momento, onde estariam Kidd, T-Mac, Kobe, Carter, Allen, Bibby, Garnett, Wallace, Martin, Brand, Malone, Hamilton, Shaq e Jermaine. Vendo pela TV, talvez. Por motivo de segurança, cansaço, contusão ou até casamento, todos eles estão longe da Grécia. Recusaram a convocação educadamente e partiram para merecidas férias.

Azar de Allen Iverson e Tim Duncan, que aceitaram o chamado e deram a cara para bater.

Sobrou para eles a missão de carregar nas costas o peso da tradição e driblar cães ferozes que dão o sangue para arrancar uma migalha qualquer dos Estados Unidos. Porto Rico conseguiu bem mais que isso. Liderou a partida do início ao fim e venceu de forma categórica. Uma sova de 19 pontos não deixa margem a dúvidas.

Ah, então a esquadra porto-riquenha é superior à americana? Claro que não. A ausência dos superastros não transforma os olímpicos ianques em atletas de meia tigela. Marbury, Odom, Jefferson, LeBron, Carmelo & Cia merecem algum crédito.

Por que, então, existe um risco tão grande de naufrágio? Há um conjunto de motivos.

1) O elenco é cheio de buracos. Para começar, falta um pivô autêntico. Perde-se a referência embaixo da cesta e os grandalhões adversários acabam levando vantagem, mesmo com menos habilidade. O ataque, portanto, se volta para o perímetro. E aí entra o segundo problema, talvez o maior de todos: não há bons arremessadores. São todos péssimos. Tudo bem que Kobe Bryant está enrolado com a Justiça, Ray Allen preferiu curtir a lua-de-mel e Tracy McGrady tem medo de terroristas. Sendo assim, que chamassem Allan Houston, Michael Redd ou qualquer outro que saiba chutar de média distância. No domingo, a pontaria foi desastrosa. Da linha dos três, foram 24 tiros e apenas três acertos. Assim, seria melhor levar o L.A. Clippers.

2) A escolha do técnico foi errada. Larry Brown é um dos melhores da NBA (na última temporada, sem dúvida foi o melhor), mas seu grande trunfo é a defesa. Foi assim que os Pistons surpreenderam o planeta e roubaram o título dos Lakers. Criar um ferrolho retranqueiro não é tarefa para curto prazo, principalmente com atletas de características ofensivas que jamais atuaram juntos. Elaborar um sistema vencedor leva tempo e requer carregadores de piano. Se a seleção está repleta de estrelas, seria mais prudente nomear um treinador que jogue para frente, garantindo pontuações elásticas que dificilmente seriam alcançadas pelos rivais.

3) A garotada não resiste à pressão. Iverson percebeu isso quase na metade do jogo e, diante do pânico dos colegas, tentou resolver sozinho, correndo a quadra toda em desespero. Quem acompanha a NBA sabe o que acontece quando o craque dos Sixers entra em parafuso. Chutou dez bolas de três e só acertou uma. Ele e Duncan somaram apenas 30 pontos. É pouco para um time de meninos.

A medalha de ouro continua lá, no horizonte, mas agora o estrago está feito. A derrota expôs feridas que precisam ser fechadas o quanto antes, de preferência até terça-feira, quando os adversários serão os donos da casa.

Talvez uma saída seja barrar o inoperante Richard Jefferson, fixar Lamar Odom na posição 3 e lançar Stoudemire ou Boozer (prefiro o primeiro) no time titular, para compor o garrafão ao lado de Duncan. Além disso, Brown precisa destacar alguém para armar as jogadas com calma, como fez Arroyo em Porto Rico. Iverson não sabe cumprir essa função, e Stephon Marbury é uma caixinha de surpresas. Crescem, portanto, as chances de Dwyane Wade.

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Como de praxe, a liga elegeu, ao fim da temporada, sua seleção com titulares, reservas e terceiro time. Dos 15 nomeados, 12 eram americanos, mas apenas Iverson e Duncan estão em Atenas.

Descaso é isso aí.


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Por falar em não-americanos, foi antológica a cesta de Manu Ginobili que selou a vitória da Argentina contra Sérvia-Montenegro. Desequilibrado e com o relógio indo embora, o guerreiro do San Antonio Spurs garantiu seu lugar na galeria olímpica de 2004.

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foto . cnn/sports illustrated