21.9.03



VOU ALI COMER UM BOLO E JÁ VOLTO




No decorrer desta semana, o Rebote completou seu primeiro ano de vida. Em 19 de setembro de 2002, este espaço entrava no ar com dois pequenos textos: um sobre a aposentadoria de Patrick Ewing; outro sobre a indecisão de Michael Jordan quanto a jogar mais uma temporada.

Pois Jordan resolveu ficar, Ewing passou para o lado dos cartolas e, exatamente um ano depois, aqui estamos soprando velinhas pela primeira vez.

O que era para ser apenas um exercício pessoal diário acabou atraindo um bocado de gente. Graças à fidelidade dos amigos (na maioria dos casos, amigos que eu nunca vi na vida), o contador já vai rodando na casa das 16 mil visitas. No fundo, não é a numeralha que importa, e sim as participações, os comentários, o simples ato de passar os olhos nos textos.

Como presente de aniversário, o Rebote aproveita as águas calmas desta entressafra de basquete e tira duas semanas de folga. É tempo suficiente para tomar fôlego e recarregar as baterias, de olho num campeonato que promete.

O retorno fica marcado para 4 de outubro, um dia antes de Dallas x Utah, partida que abre a pré-temporada.

Aí vai começar tudo de novo. Salvo algum imprevisto, a volta já será em ritmo diário.

Obrigado a todos por estes 12 meses.

Um abraço em cada um de vocês,

Rodrigo Alves

14.9.03



2010: UMA ODISSÉIA NA EUROPA




Em 7 anos, Nowitzki pode jogar literalmente em casa



Imaginem a cena. Aos 26 anos, no auge da forma, LeBron James toma um avião com seus companheiros de time e, durante sete horas, os Cavaliers cruzam o Atlântico rumo à Espanha. Na noite seguinte, Cleveland e Barcelona se enfrentam diante de uma platéia ensandecida que lota o ginásio do clube catalão. Fim de partida, e os americanos viajam de volta já pensando no próximo compromisso, contra o poderoso Denver de Nenê e Carmelo Anthony. Tudo isso válido pela NBA.

Difícil acreditar? Por via das dúvidas, convém ir se acostumando com a idéia.

O manda-chuva David Stern já cogitou a hipótese, vários jogadores têm opinado sobre o assunto e uma legião de dirigentes vem estudando todos os detalhes: até o fim da década, se tudo der certo, a liga profissional dos Estados Unidos vai expandir seus horizontes para o outro lado do oceano.

Stern ainda não sabe de que forma isso vai ser feito, mas julga que este é um caminho inevitável. A possibilidade mais forte seria convidar duas equipes européias para integrar a NBA a partir de 2010, o que pode criar cenas insólitas como esta aí de cima. A idéia parece um tanto irreal por conta das viagens exaustivas, mesmo se o calendário permitir que cada time americano vá à Europa apenas uma vez por temporada e faça lá uma seqüência de jogos.

“O maior problema seria esta cota extra de viagens”, confirma o pivô Marcus Camby. “As pessoas não têm idéia de como isso é cansativo. Os deslocamentos dentro do nosso país já são duros o bastante.”

O plano B seria instituir uma nova liga só com times europeus. Para isso, novas equipes seriam criadas ou as atuais seriam aproveitadas? Ainda não dá para responder a essa pergunta. Ninguém sabe se clubes tradicionais como Barcelona e Treviso se submeteriam a um selo genuinamente yankee. Em todo caso, algumas cidades já estão sendo estudadas como possíveis alvos. Barcelona, Milão, Paris, Londres, Atenas e Berlim saíram na frente.

Além da escolha das sedes e da logística das viagens, a decisão ainda depende de uma infinidade de outros fatores, como as condições técnicas dos ginásios, o potencial interesse do público e as barreiras do idioma.

Até lá, muita água vai rolar debaixo da ponte.

::::::::

PORTEIRA ABERTA - Não custa lembrar que, no ano que vem, o Charlotte Bobcats entra em cena, elevando para 30 o número de franquias da liga. A entrada dos europeus reabriria a velha polêmica do inchaço. Será bom ou mau negócio?

::::::::

POSSE - A avalanche de estrangeiros na NBA, por sinal, está causando um tumulto que nós já conhecemos bem no âmbito do futebol internacional. Os times pagam salários astronômicos a seus atletas e são obrigados a liberá-los para defender suas seleções em torneios mundo afora. Mark Cuban, por exemplo, ficou feliz da vida ao saber que Canadá e Alemanha não se classificaram para as Olimpíadas de Atenas. Assim, o dirigente vê menos risco de contusão para Steve Nash e Dirk Nowitzki. Reclamar, tudo bem. O que não pode é começar a proibir, como tentam fazer os gigantes do futebol na Europa.

::::::::

E AGORA ? - Após dizer um milhão de vezes que desejava ficar em Atlanta, Jason Terry assinou um pré-contrato com o Utah Jazz. A diretoria dos Hawks tem uma semana para cobrir a oferta. “Diante da estrutura do elenco e das incertezas sobre a possível venda da franquia, estou pronto para mudar de ares”, explicou o armador. “O Utah fez uma proposta extremamente difícil de ser coberta.” Será mesmo? Durante todo o verão, a cartolagem de Atlanta garantiu que nenhuma quantia seria o bastante para tirar Terry da equipe. Resta esperar para ver.

::::::::

ULTIMATO - Cansado da via-crúcis a que tem se submetido nos últimos anos, Grant Hill decidiu que esta é sua última tentativa de voltar as quadras. Se não der certo, e mais uma cirurgia for necessária, o craque do Orlando Magic vai encerrar a carreira. Até agora, foram quatro operações no tornozelo esquerdo, que lhe permitiram apenas 46 jogos nas últimas três temporadas. A recuperação segue em marcha lenta e a previsão de retorno para fevereiro não deve ser cumprida. Jogador, comissão técnica e médicos concordam que é melhor esperar até 2004-2005.

::::::::

FUTURO - O mesmo prazo vale para Jay Williams, que se recupera de um grave acidente de moto. Nas próximas semanas, o armador do Chicago Bulls deve falar com a imprensa numa entrevista coletiva. É uma pena que um jovem promissor tenha colocado a carreira em risco por causa de um acesso de imprudência. Vale lembrar que Williams estava sem capacete e não tinha licença para dirigir motos. Além disso, o contrato padrão de atletas da NBA proíbe o uso deste tipo de veículo, justamente pelo alto risco de acidentes.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

Ainda suspenso pelo Boston, Vin Baker admitiu o alcoolismo publicamente. O jogador embarcou num tratamento sério, está sem beber há seis meses e pretende voltar às quadras em breve. “A suspensão me deu a chance de uma nova vida”, garante. Força para ele.

:::::::: ::::::::

Pouca gente sabe, mas Voshon Lenard teve média de 14 pontos por partida na última temporada. É mais um bom reforço para o Denver Nuggets.

:::::::: ::::::::

Indiana e Seattle estudam seriamente a troca de Ron Artest por Brent Barry.

:::::::: ::::::::

Nick Van Exel em Nova York? Está aí uma química que pode dar certo. O espírito guerreiro do armador casaria bem com a torcida apaixonada dos Knicks. As negociações seguem a pleno vapor.

:::::::: ::::::::

(Foto – NBAE/Ronald Martinez)

7.9.03



GIGANTE ACORDADO




Shaq persegue a forma física



Faltavam cinco minutos para o fim do jogo quando Shaquille O’Neal foi para o banco de reservas. De fato, não havia mais motivo para mantê-lo em quadra. Naquele 15 de maio, mais de 18 mil torcedores viram o Los Angeles Lakers ser atropelado pelo San Antonio Spurs, que exatamente um mês depois, em 15 de junho, comemoraria o título contra o New Jersey Nets.

O sonho do tetra terminava ali, com o sabor azedo da derrota. Apesar dos 31 pontos naquela noite, o pivô carregava nos ombros boa parte da culpa pelo fracasso. O excesso de peso lhe arrebentava os joelhos, que mal agüentavam sustentar o corpo inchado. O nível de gordura no organismo superava os 20%, castigando os ossos e minando a mobilidade.

Eis que, antes do previsto, chegaram as férias. Para surpresa geral, as praias da Califórnia ficaram em segundo plano e Shaquille O’Neal, pasmem, virou um rato de academia.

Motivos para entrar em forma não faltam. As chegadas de Karl Malone e Gary Payton deixaram o grandalhão animado com a chance de retomar os trilhos da dinastia. Por outro lado, criou-se uma apreensão inevitável, acirrarando a disputa de egos na franquia. A estrela de Kobe Bryant, por sinal, sobe a cada ano. Diante de tamanha concorrência dentro do próprio elenco, convém não bobear.

Em julho, Shaq contratou como personal trainer um ex-fuzileiro naval que servia à Marinha em Portland. Desde então, sem alarde, a rotina inclui corridas leves, musculação, comida balanceada e um bocado de descanso para não maltratar as articulações. As mudanças de hábito já renderam quase dez quilos perdidos. No montante de 160, não chega a ser grande coisa. Mas é o suficiente para revelar uma disposição que parecia adormecida nos últimos anos.

Tudo isso não é apenas para garantir o fôlego ao lado de Payton, Malone e Bryant. A partir de outubro, a diretoria terá a opção de renovar antecipadamente o contrato de O’Neal. O pivô espera que lhe ofereçam o máximo permitido: US$ 121 milhões por três anos. “Seria ótimo se eles me fizessem essa oferta”, diz. “Acho que mereço.”

Assim, o esforço terá valido a pena.

::::::::

Enquanto astros como Shaq se enquadram nas cartilhas da disciplina, tem muito pé-rapado por aí fazendo besteira a torto e a direito. Vejamos o caso singular deste indivíduo chamado Joseph Forte.

Aos 23 anos, ele vive a expectativa de sua terceira temporada. O Seattle Sonics, no entanto, já deixou claro que ele não vestirá mais a camisa do time, mesmo que seja preciso pagar seu salário até o fim do contrato. Na verdade, a diretoria demorou (e muito) para tomar esta decisão.

Em dois anos de carreira, Forte tem um histórico invejável de tumultos. Já esmurrou um companheiro no vestiário; faltou a inúmeros treinos; recusou-se a ser incluído na lista de contundidos; agrediu um torcedor na Carolina do Norte; foi preso por porte ilegal de arma e drogas.

Somam-se a isso as sensacionais médias de pontos (1.2), rebotes (0.7) e assistências (0.6) por partida. É ou não é um atleta indispensável para a NBA?

::::::::

BRUXAS - Em inferno astral semelhante seguem Ruben Patterson e Atoine Rigaudeau. O primeiro, insatisfeito, pediu aos cartolas do Portland para ser negociado. Deveria saber que nenhum dirigente em sã consciência vai querer um encrenqueiro com quatro anos restantes em contrato (foi essa, aliás, a resposta que a diretoria lhe deu). O segundo era All-Star na Europa, passou vergonha no Dallas e foi mandado para o Golden State, que acaba de dispensá-lo! Se arrependimento matasse...

::::::::

DOCE LAR - No decorrer desta semana, o Houston Rockets abre as portas de seu novíssimo ginásio, o Toyota Center. A casa nova de Yao Ming tem 94 suítes de luxo, um restaurante cinco estrelas, uma adega de vinhos, paredes de madeira nobre e um telão gigante com resolução duas vezes maior que o normal. As poltronas são as mais confortáveis de toda a NBA, e nenhuma outra arena tem tantos banheiros. Enquanto não chega a inauguração, aqui você confere os últimos retoques na fachada, o vestiário do time e a visão de uma das suítes. O primeiro visitante será o New Orleans, dia 12 de outubro, em amistoso da pré-temporada. Para celebrar os novos tempos, o armador reserva Moochie Norris, dono de um dos black-powers mais estilosos da liga, passou a máquina zero na cabeleira.

::::::::

BABEL - Mavericks e Nuggets continuam disputando para ver quem inclui mais estrangeiros em suas fileiras. O Dallas, que já tem um alemão, um canadense, um francês, um mexicano e um de Ilhas Virgens, contratou o armador islandês Jon Stefansson. O Denver, que conta com um brasileiro, um esloveno e um da Geórgia, foi buscar na Holanda o pivô Francisco Elson.

::::::::

PLANTÃO POLICIAL - Na tarde de sábado, dois jovens foram assassinados com tiros na cabeça num luxuoso salão de beleza de Miami. O proprietário do estabelecimento é o pivô Alonzo Mourning. Há três semanas, ladrões invadiram a casa de Rod Strickland em Washington e roubaram uniformes antigos do jogador, que já passou por diversas equipes. As camisas estavam expostas nas paredes, protegidas em quadros de vidro.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

Após três cirurgias, o joelho de Antonio McDyess está 90% recuperado. Mas como alegria de torcedor do New York dura pouco, um outro joelho tem sido motivo de preocupação: Allan Houston passou por uma artroscopia e é dúvida para o início da temporada.

:::::::: ::::::::

Jacques Vaughn está de volta a Atlanta. Em 2001-2002, quando estreou pelos Hawks, o armador errou seus 22 primeiros arremessos.

:::::::: ::::::::

Com quase 27 pontos de média, Pau Gasol é a grande estrela do campeonato europeu de seleções, que oferece três vagas para a Olimpíada de Atenas. Espanha, França, Lituânia e Grécia avançaram para as quartas-de-final e agora esperam os adversários que virão da repescagem. Sérvia (campeã mundial) e Grécia (sede) já estão classificadas para os Jogos.

:::::::: ::::::::

Por falar nisso, a França bateu a Itália, no sábado, por 82-52. Tony Parker passou quase todo o último quarto no banco. Que sina, hein...

:::::::: ::::::::

31.8.03



A BICADA DO PÁSSARO




O craque Larry Bird começou mal na cartolagem



Corria a tarde de quarta-feira na cidade de San Juan quando tocou o celular de Jermaine O’Neal. No outro lado da linha, Isiah Thomas anunciou em voz mansa que não era mais o técnico do Indiana Pacers. O’Neal desabou numa poltrona, soltou uma risada e perguntou se Thomas estava brincando. Não estava.

Consumava-se ali a primeira ação relevante de Larry Bird como presidente da franquia, uma espécie de estréia nefasta no cargo que ocupa desde o início de julho. Ao fim da ligação, o trio de personagens estava claramente definido: um cartola cheio de si, um técnico magoado e um All-Star enfurecido.

“Ele era mais que um técnico pra mim. Era como um pai”, O’Neal revelou à imprensa horas depois, numa entrevista coletiva. A notícia caiu para ele como uma bomba. Antes de renovar com os Pacers, o jovem pivô avisou o manda-chuva Donnie Walsh que só ficaria se Thomas continuasse no comando das pranchetas. Palavra empenhada, US$ 126 milhões extraídos do cofre, uma caneta para cada lado, contrato renovado.

Pouco tempo depois, Bird entrou na história.

O ex-craque do Boston Celtics avaliou o retrospecto recente do time e julgou indesculpável a queda abrupta de rendimento na reta final da última temporada regular. Vestindo a fantasia do chefe que precisa mostrar serviço, ele se empenhou em encontrar um culpado. E elegeu como vilão o homem que o enfrentou, há duas décadas, em batalhas históricas nos playoffs da NBA.

“Não sei com que time eu teria assinado, mas se soubesse que isso ia acontecer, não teria renovado com o Indiana. Ponto final.” Algo me diz que essas palavras de O’Neal são mais confiáveis que as de Donnie Walsh.

Além de causar a revolta do melhor jogador da equipe, a demissão de Thomas teve outro lado desagradável: o técnico sequer foi chamado por Bird para uma conversa. Não teve tempo de contar sua versão do fracasso no último campeonato. Não pôde nem explicar ao novo patrão que, no período da derrocada,

1) O padrasto de O’Neal tentou se suicidar.
2) A mãe de Jamaal Tinsley foi derrotada pelo câncer.
3) O sogro de Austin Croshere morreu repentinamente.
4) O temperamento de Ron Artest desandou.
5) A mão santa de Reggie Miller perdeu a calibragem de uma hora para outra.

Demissão sumária, nada de explicações. Assim, abriu-se o caminho para a contratação do amigo Rick Carlisle. O novo técnico terá em mãos o mesmo Artest enlouquecido, o mesmo Miller descalibrado, um Scot Pollard que não joga metade do que joga Brad Miller e (o mais grave de tudo) um Jermaine O’Neal pra lá de insatisfeito.

Boa sorte para a dupla Bird/Carlisle. E que Thomas encontre um chefe mais ético no próximo emprego.

::::::::

Na noite daquela quarta-feira, um atleta da seleção americana teve atuação apagada contra o México e foi eliminado com cinco faltas após ter jogado apenas 12 minutos. Adivinhe quem.

::::::::

POLÊMICA - Quem costuma passar por aqui com alguma freqüência já deve ter percebido minha simpatia pelo basquete de Allen Iverson. De fato, sua convocação para o Pré-Olímpico me agradou bastante, assim como vinham agradando suas atuações solidárias e esforçadas nas quadras de Porto Rico. Eis que, em plena semifinal, o baixinho invocado abandona o torneio por conta de uma lesão no polegar da mão direita. No calor da notícia, Renato Ribeiro, competente repórter do Sportv, informou que Iverson, na verdade, se envolveu numa pendenga disciplinar.

O atleta teria se esbaldado numa festa até alta madrugada e faltado a um evento beneficente, no qual bateria bola com crianças, irritando o técnico (e seu quase-desafeto) Larry Brown. Se realmente foi verdade (principalmente o bolo no evento), reprovo a atitude sem pestanejar. Até porque, na sexta-feira, Iverson gastou o dia de folga participando de um torneio de 3-contra-3 na região de Caguas. A brincadeira foi promovida pela Reebok, que tem com o jogador um contrato vitalício.

Em todo caso, continuo esperando dados mais concretos. É estranho que os grandes sites esportivos americanos (ESPN, CBS, Fox, Sports Illustrated) não tenham dado uma nota sequer sobre o fato. Mais estranho ainda é o episódio ter sido ignorado até agora pelos grandes jornais da Filadélfia (Inquirer, Daily News e New Observer), que adoram pegar no pé de Iverson. Prefiro não condenar ninguém antes da hora, e não acredito que a lesão no dedo seja apenas uma notícia de fachada, como insinuou o Sportv. O basquete americano nunca foi de encobrir atos de indisciplina. Ao contrário, sempre puniu publicamente os encrenqueiros.

::::::::

NERVOSINHOS - Justamente no dia em que o bad boy estava no banco, os americanos pareciam encapetados. Na semifinal de sábado contra Porto Rico, os ânimos esquentaram. Kenyon Martin, irritado, empurrou Daniel Santiago e gerou um tumulto desnecessário. Tracy McGrady, debochado, provocou Eddie Casiano antes de uma enterrada e quase armou uma confusão ainda maior. Não deu para entender.

::::::::

QUE FIQUE CLARO - Voltando ao Sportv: o narrador Luiz Carlos Júnior disse dezenas de vezes que Kobe Bryant não disputa o Pré-Olímpico por causa das acusações de estupro. Errado. Kobe foi cortado porque está se recuperando de cirurgias que fez no joelho e no ombro. Bem antes do escândalo sexual, já se sabia que ele não iria a Porto Rico.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

Danny Ferry trocou os Spurs pelos Pacers, mas deve tomar o caminho de volta em breve. Nos próximos dias, o Indiana deve dispensar o jogador, que assumirá um cargo técnico em San Antonio.

:::::::: ::::::::

Após perder Gilbert Arenas e Antawn Jamison, o Golden State corre o risco de ficar sem Jason Richardson, que foi condenado esta semana por violência doméstica e pode pegar alguns meses de cadeia.

:::::::: ::::::::

Pat Riley vai ter trabalho para encaixar Lamar Odom, Caron Butler, Eddie Jones e Dwyane Wade no time titular. Se conseguir, acreditem, o Miami Heat pode se tornar uma gratíssima surpresa.

:::::::: ::::::::

Alô cartolagem, atenção para o fim de feira: Jason Terry, Jim Jackson, Raja Bell, Tyrone Hill, Voshon Lenard, Rod Strickland, Brian Shaw, Gary Trent, Jacque Vaughn e Walt Williams ainda estão dando sopa por aí.

:::::::: ::::::::

(Foto – CBS/Sportsline)

24.8.03



CHANCE DE OURO




Iverson sobra dentro dos shorts, mas
pratica um basquete na medida exata




Cá entre nós, não há tanto o que falar sobre o Pré-Olímpico. Os americanos seguem passeando sem muito esforço e os brasileiros mostram um basquete mais sólido, apesar das panes esporádicas. Três jogadores, no entanto, parecem dispostos a mostrar algo além de um serviço burocrático: dois da seleção deles (Allen Iverson e Vince Carter) e um da nossa (Anderson Varejão).

Iverson quer provar a validade de sua convocação, contestada por causa da fama de bad boy. Quem acompanha a NBA sabe que o baixinho invocado do Philadelphia vinha pleiteando uma vaga no Dream Team há vários meses. Nas quadras de Porto Rico, ele não tem poupado esforços para justificar o chamado.

Livre do inferno astral das contusões, Carter ainda não reencontrou sua melhor fase no Toronto Raptors. Enfrentando seleções fracas, ele pode readquirir a forma e, de quebra, exibir seu amplo repertório de enterradas. Tem sido assim nessas primeiras partidas.

Anderson, por sua vez, agarra com unhas e dentes a oportunidade de mostrar aos gringos que pode figurar no próximo draft. Muita gente apostava que ele jogaria nos Estados Unidos já na temporada 2003-2004. Não deu. As fracas atuações nas finais do campeonato europeu deixaram os olheiros com um pé atrás. Agora surgiu uma nova chance de mostrar serviço. Varejão na pensou duas vezes: caprichou no penteado e no basquete.

::::::::

TROFÉU ABACAXI - Na contramão dos destaques, cada time tem seu eleito no quesito fracasso: Kidd lá, Nenê cá. O armador do New Jersey Nets aparece com um ou dois passes brilhantes por partida, daqueles que valem o ingresso, mas sua consistência ainda não deu as caras no torneio. O mesmo acontece com o nosso bom Hilário, que foi feliz na estréia e depois passou a desfilar atuações discretas. Até agora, o grandalhão não decolou.

::::::::

NOME CERTO - Hilário, aliás, é coisa do passado. O site oficial da NBA já registra o pivô brasileiro apenas como Nenê (com direito ao acento circunflexo). Em toda a liga, é o único atleta sem sobrenome. Não deixa de ser uma vitória pessoal.

::::::::

AUDIÊNCIA ZERO - Voltando ao Pré-Olímpico: se o grande objetivo era mostrar ao torcedor que o prestígio da seleção americana continua de pé, a missão não tem funcionado como previsto. Não pela qualidade das partidas, mas pela quantidade de espectadores. Nos EUA, o torneio só está sendo transmitido em pay-per-view. Culpa de Hector Figueroa, executivo da companhia porto-riquenha HF Sports. Foi ele que pagou US$ 2 milhões à FIBA pelos direitos de transmissão e recusou uma proposta da ESPN.

::::::::

AGORA VAI - Demorou, mas engrenou. A troca de Nick Van Exel por Antawn Jamison despertou o espírito negociador em Mark Cuban. O Dallas Mavericks já assinou com o armador Travis Best (preenchendo um buraco que se abriu na armação) e pretende se livrar de Chris Mills assim que possível. O ala veio como contrapeso na transação com o Golden State e vai continuar sendo moeda de troca. A idéia de Cuban é reforçar o garrafão.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

O Sacramento Kings é o 12º time na carreira de Tony Massenburg. O ala, que tem justamente 12 anos de NBA, igualou o recorde de Chucky Brown, até então o maior nômade da história da liga.

:::::::: ::::::::

Os asilos da Flórida já começam a temer a concorrência. Tim Hardaway, de 36 anos, e Steve Smith, de 34, podem voltar a vestir a camisa do Miami Heat. Do jeito que a coisa vai, daqui a pouco o próprio Pat Riley vai entrar em quadra.

:::::::: ::::::::

US$ 90 milhões com a Nike, US$ 5 milhões com a Upper Deck, US$ 12 milhões com a Coca-Cola. LeBron James ainda nem estreou como profissional e já garantiu com folgas sua independência financeira.

:::::::: ::::::::

Foi constrangedor ver um reserva de Ilhas Virgens, de câmera em punho, filmando o jogo contra os Estados Unidos. Dá para entender a admiração, mas tietagem tem limite.

:::::::: ::::::::

(Foto – Andrew D. Bernestein/NBAE)

17.8.03



CARTADA DE ÚLTIMA HORA




Musselman não poderá mais contar
com a habilidade de Antawn Jamison





O falastrão Mark Cuban já estava com uma das mãos no troféu abacaxi desta pós-temporada. Era o favorito absoluto para receber o selo de cartola fracassado do verão americano, afinal o Dallas Mavericks embarcou numa fossa olímpica após a eliminação nos playoffs. A letargia se estendeu pelo período de negociações e a equipe se limitou a aplaudir a perícia administrativa dos rivais do Oeste. Enquanto Lakers, Wolves, Kings e Spurs injetavam ainda mais talento em suas fileiras, Cuban gastava tempo proferindo impropérios sobre o caso Kobe Bryant.

Eis que, no entanto, o fim de semana chegou. E o Dallas, enfim, disparou seu tiro certeiro.

Quando as luzes de segunda-feira se acenderem no escritório da NBA, será oficializada uma troca respeitável com o Golden State Warriors. Nick Van Exel, Evan Eschmeyer, Popeye Jones e Avery Johnson darão lugar a Antawn Jamison, Danny Fortson, Chris Mills e Jiri Welsch.

O Texas perde a experiência de Van Exel, e só. Eschmeyer, Jones e Johnson foram apenas peças de decoração na última temporada; não farão a mínima falta. Em troca, Cuban pescou o habilidoso Jamison, estrela em ascensão que há muito tempo merecia uma oportunidade num time de ponta. De quebra, o reboteiro Danny Fortson e seus 118 quilos se apresentam para reforçar um garrafão esquálido.

Jamison chega na hora certa para preencher (com muito mais qualidade) o vazio deixado por Adrian Griffin, que assinou com o Houston Rockets. Sendo assim, os Mavs passam a formar com LaFrentz, Nowitzki, Jamison, Finley e Nash. A despeito de um pivô razoável, são quatro excelentes opções de ataque, privilégio que até agora só era possível encontrar em Los Angeles. O banco recebe o reforço de Fortson e continua afiado, com Bradley, Najera, Abdul-Wahad, Williams e Bell (os dois últimos ainda com passe livre), sem falar no calouro Josh Howard.

Pronto. Após semanas consecutivas de inércia, o Dallas fez o dever de casa. Mais uma vez, está confortavelmente instalado na elite.

::::::::

PERDAS - E o Golden State? Para quem já perdeu Gilbert Arenas e deve perder Earl Boykins, não chega a ser de todo ruim substituir a dupla por Van Exel e Speedy Claxton. O problema é que temos aí a história do cobertor curto. Ao equilibrar a armação, abre-se um rombo na ala. Sem Jamison, todo o peso ficará nos ombros de Troy Murphy, que desde já passa a rezar por boas atuações do calouro francês Mickael Pietrus.

Em seu terceiro ano de NBA, Jason Richardson vai ter de provar que suas habilidades vão além das enterradas acrobáticas. Pena que as saídas de Jamison e Arenas sejam o bastante para desmantelar um dos times mais empolgantes do último campeonato. A não ser por um milagre, o playoff continua sendo apenas um sonho.

::::::::

NOVO CARTEIRO - J-Rich não é o único atleta com um desafio espinhoso pela frente. Keon Clark abandona o posto de eterno coadjuvante no Sacramento Kings para assumir, em Salt Lake City, uma posição que nos últimos 18 anos foi ocupada por Karl Malone. Clark deixou a Califórnia em boa hora. Sua relação com o técnico Rick Adelman ficou um bocado estremecida quando Chris Webber se machucou no último mata-mata. O substituto, para surpresa geral, foi o instável Hedo Turkoglu. “Ali eu percebi que a coisa era política”, acusa Clark, evitando se comparar a Malone: “Nunca haverá outro Carteiro; mas eu também posso fazer minhas entregas”.

::::::::

LARGADA - Liderada por Tim Duncan, a nova versão do Dream Team não chegou a dar show, mas mostrou à sua torcida que o destino do basquete americano no Pré-Olímpico deve ser bem diferente da atuação pífia no campeonato mundial. No amistoso contra Porto Rico, hoje cedo, em Nova York, os Estados Unidos venceram por 101-74, com 21 pontos e 15 rebotes de Duncan. Tracy McGrady marcou 15 pontos e Ray Allen, 14. Respaldados pela boa atuação de Carlos Arroyo, os porto-riquenhos engrossaram a partida até o terceiro quarto, quando perdiam por apenas 3 pontos. No período final, entretanto, os EUA fizeram 26-8 e fecharam a tampa. O próximo compromisso das feras é para valer: a corrida por uma vaga em Atenas começa na quarta-feira, contra o Brasil de Nenê e Leandrinho.

::::::::

FICÇÃO? - Terminaram em fevereiro as filmagens de um longa-metragem independente que narra o drama de um astro do basquete acusado de estupro. Poucos meses depois, quando a vida imitou a arte e Kobe Bryant se viu envolvido em enredo idêntico, o diretor Jennifer Harper mal acreditou. Por trás da coincidência, um detalhe ainda mais curioso: o financiador do filme é o pivô Dale Davis, do Portland Trail Blazers. “Não quero fazer publicidade com a situação de Kobe”, garantiu Davis, que investiu US$ 1 milhão no projeto.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

Jerry West parece esmerado em continuar a série de lambanças no Memphis Grizzlies. À procura de um grandalhão, o cartola trabalha com uma lista que inclui Nazr Mohammed, Adonal Foyle, Erick Dampier, Jerome James e Vitaly Potapenko. Lamentável.

:::::::: ::::::::

Após muita conversa, o Indiana Pacers acertou a renovação de Reggie Miller. O contrato deve ser oficializado no decorrer da semana, com valores bem modestos.

:::::::: ::::::::

Se Lamar Odom for mesmo para Miami, Eddie Jones deve fazer as malas logo depois. A tática é reservar espaço na folha salarial e fazer uma proposta ousada por Kevin Garnett no ano que vem.

:::::::: ::::::::

Aos 38 anos, Arvydas Sabonis sai de cena. Com seu estilo desajeitado, o pivô lituano foi um dos maiores responsáveis pela abertura da NBA para os estrangeiros. Em tempos de carência embaixo da cesta, vai deixar saudade.

:::::::: ::::::::

(Foto - Rocky Widner/NBAE)

10.8.03



DINHEIRO NA MÃO É VENDAVAL




Kenyon Martin não abre mão de seus valiosos dólares



O amigo consegue imaginar a suave quantia de 66 milhões de dólares pingando em sua conta bancária ao longo dos próximos seis anos? Com a ajuda da calculadora, fica um pouco mais fácil. Para se ter uma idéia, é dinheiro suficiente para comprar, a cada ano, 22 coberturas na Av. Vieira Souto, um dos pontos mais caros do Rio de Janeiro, em frente à praia de Ipanema. Se apartamentos não o atraem, que tal gastar a fortuna com 140 carros populares por mês? Ou 4 mil computadores por semana? Ou quem sabe 15 mil Big Macs por dia?

Agora imagine se essa bolada trouxesse a reboque a oportunidade de jogar basquete ao lado de Jason Kidd e Alonzo Mourning, com chances reais de conquistar o título da NBA. Que tal?

Pois saiba que o doutor Kenyon Martin acha tudo isso muito pouco.

A um ano do fim de seu contrato com o New Jersey, o ala desistiu de renovar com o time porque não está disposto a fechar por menos de US$ 87 milhões. Como os Nets só admitem desembolsar US$ 66 milhões, Martin pediu para ser negociado. Quanta inteligência.

Que o rapaz é um astro em ascensão, ninguém duvida. Em sua terceira temporada, ele já acumula dois títulos do Leste, e seus músculos respondem por boa parte deste mérito. A força física e a habilidade embaixo da cesta o credenciam a bater na porta da elite da posição. O que não dá para entender é a decisão de pular do barco justamente agora que o elenco se fortaleceu, que o garrafão ganhou mais poder, que a síndrome do vice pode dar lugar à glória do anel de campeão.

::::::::

Por conta dessa ligeira ganância monetária, Martin pode acabar no Portland Trail Blazers, que vive imerso em pólvora devido às brigas constantes no grupo. A troca mandaria ainda Dikembe Mutombo para o time de Maurice Cheeks, enquanto o New Jersey receberia Rasheed Wallace e Ruben Patterson.

Bom negócio para o Portland, que enfim se livraria de Wallace; para Mutombo, que evitaria o marasmo da reserva de Mourning; para Patterson, que pode se tornar um dos melhores reservas da liga; até para os Nets, que não teriam do que reclamar com um quarteto do naipe de Kidd-Jefferson-Rasheed-Alonzo. Só quem sai no prejuízo é o próprio Martin, que poderá comprar algumas coberturas a mais na Vieira Souto, mas vai ficando cada vez mais distante do cobiçado título.

::::::::

Lamar Odom faz check-in hoje no aeroporto de Miami e pega um avião de volta a Los Angeles para ter uma conversa com Elgin Baylor, cartola dos Clippers. O objetivo é convencê-lo a não cobrir a proposta feita pelo Heat.

O habilidoso ala tem repetido nas últimas semanas que “é hora de ir para outro lugar”. O destino é mesmo o Miami de Pat Riley, que ainda não oficializou a proposta pelo jogador, mas está disposto a pagar US$ 60 milhões por seis anos. Como Odom não chega a ser um Kenyon Martin, a quantia está para lá de boa.

O Los Angeles tem se mostrado um invejável pilar de resistência neste verão americano. Já conseguiu segurar Elton Brand (assediado pelo próprio Heat) e Corey Maggette (que quase foi para Utah). Mesmo que Odom vá embora, o saldo ainda será positivo.

Em Miami, a contratação é encarada como a última esperança para evitar uma campanha vergonhosa. Sem Alonzo Mourning e com um banco que beira o ridículo, Riley precisa de reforços com urgência. A chegada dos razoáveis John Wallace e Loren Woods não anima nem o torcedor mais otimista.

::::::::

Em sessão que durou apenas sete minutos e decepcionou centenas de repórteres e fotógrafos, Kobe Bryant bateu ponto no tribunal de Eagle (Colorado) na última quarta-feira e teve seu depoimento preliminar marcado para o dia 9 de outubro. Algumas horas antes de o jogador chegar à corte, a imprensa americana divulgou a informação (com fontes não reveladas) de que Kobe teria bloqueado a porta quando a vítima do suposto estupro tentou sair do quarto de hotel onde ambos estavam em 30 de junho.

::::::::

Quando Bryant der seu depoimento no início de outubro, a pré-temporada da NBA estará em seu quinto dia, e os Lakers já terão feito duas partidas (ambas contra o Golden State). Alguns amistosos já despertam grande expectativa. LeBron James estréia numa terça-feira (dia 7), quando seu Cleveland enfrenta o Detroit de Darko Milicic. No mesmo dia, Leandrinho e o Phoenix recebem o New Jersey de Kidd e Mourning. Na quarta, o campeão San Antonio pega o Memphis e, na quinta, tem Leandrinho contra Nenê em Denver.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

O Utah Jazz ainda briga por Jason Terry e Stephen Jackson. É pouco, muito pouco, para quem tinha Malone e Stockton.

:::::::: ::::::::

Terry Porter assume o posto de técnico do Milwaukee com uma missão espinhosa pela frente: fazer o time vencer sem Glenn Robinson, Ray Allen, Sam Cassell, Gary Payton...

:::::::: ::::::::

No ginásio universitário da zona oeste de Manhattan, a seleção americana começa hoje os treinamentos para o Pré-Olímpico de Porto Rico, marcado para o fim do mês. Só lembrando o plantel: Tim Duncan, Karl Malone, Jermaine O’Neal, Elton Brand, Richard Jefferson, Nick Collison, Vince Carter, Tracy McGrady, Allen Iverson, Ray Allen, Mike Bibby e Jason Kidd. A estréia desta turma, adivinhem, é contra o Brasil, no dia 20.

:::::::: ::::::::

O site NBA.com está promovendo uma eleição para escolher a melhor foto da última temporada. Cá entre nós, as concorrentes não chegam a empolgar. Por isso remexi os arquivos com imagens que guardei ao longo do campeonato e resolvi fazer meu Top-10 paralelo. Aí vai:

10. A enterrada do ano, por Amare Stoudemire.

9. Othella Harrington perde a cabeça.

8. Dirk Nowitzki se engancha em Tim Duncan.

7. Não há bola perdida para Kevin Garnett.

6. Allen Iverson celebra uma vitória no playoff.

5. A concentração inabalável de Troy Hudson.

4. O passe mágico de Kobe Bryant.

3. Desmond Mason voa alto.

2. T-Mac brinca de levitação.

1. Jason Richardson anda no ar.

:::::::: ::::::::

(Foto de abertura - Noren Trotman/NBAE)

27.7.03



OPERAÇÃO SILENCIOSA




Nesterovic vai dividir espaço
no garrafão com Tim Duncan




Até hoje, a informação é meio nebulosa. Gregg Popovich, técnico e dirigente do San Antonio Spurs, prefere trancar o assunto numa gaveta enferrujada do passado. As línguas mais afiadas, porém, garantem que ele trabalhou como espião militar no início dos anos 70, quando serviu à Aeronáutica americana.

Pelo que se vê hoje, até que faz sentido.

Agindo em silêncio, sem alarde ou estardalhaço, Pop mexeu uma peça aqui, outra ali, e fez do San Antonio Spurs versão 2003-2004 um time ainda melhor do que o campeão de 2002-2003. Enquanto Malone, Payton, Kidd e Mourning guiavam todos os holofotes para Los Angeles e New Jersey, os defensores do título executaram movimentos cirúrgicos, capazes de dar um trato no elenco e deixá-lo em pé de igualdade com os famintos rivais do Oeste.

Na calada da noite, o San Antonio perdeu Danny Ferry (ou seja, não perdeu ninguém) e ganhou Rasho Nesterovic, Hedo Turkoglu, Ron Mercer e Robert Horry. Está aí um cartola que sabe agir no escuro.

Obviamente não precisamos levar em conta a inevitável saída de David Robinson, prevista há um bocado de tempo. A turma que ficou, unida à que chegou, devolve os Spurs ao altar dos favoritos.

Em uma equipe que prima pela versatilidade, Mercer e Turkoglu se encaixam como luvas. Nenhum dos dois é gênio, mas ambos têm múltiplas habilidades. Nesterovic é bom o bastante para suprir o jogo razoável apresentado pelo Almirante no fim da carreira. Quanto a Horry, não podemos cobrar dele a constância do gatilho fatal que tantas vezes derrubou os adversários dos Lakers. Mas em condições especiais o veterano pode, sim, mostrar serviço. Na reserva de Tim Duncan, ele não terá muitos minutos em quadra, e seu papel será semelhante ao de Steve Kerr: contribuição esparsa, mas sólida.

Incluindo no caldeirão um ano a mais de experiência para Tony Parker e Manu Ginobili e o jogo correto de Malik Rose e Bruce Bowen, temos novamente uma senhora esquadra. Dá até para fazer uma caridade ao Denver e liberar Stephen Jackson.

::::::::

CHEGA - Cansado das repetidas eliminações na primeira rodada dos playoffs, o Minnesota Timberwolves jogou a cautela para o alto e salpicou talento ao redor de Kevin Garnett. O time titular terá três belas novidades em relação ao último campeonato: Latrell Sprewell, Sam Cassell e Michael Olowokandi. Trata-se de uma respeitável injeção de ânimo para um grupo que estava na iminência de se acostumar com o fracasso. O trio de reforços estava mesmo precisando respirar novos ares. Spree só faltou ser enxotado de Nova York; Cassell perdeu prestígio em Milwaukee no episódio da contratação de Gary Payton; e Olowokandi não agüentava mais perder, perder, perder. Ao lado de KG, Wally Szczerbiak e Troy Hudson, pintou a chance da sorte grande.

::::::::

PRUDÊNCIA - O Sacramento perdeu dois reservas (Turkoglu e Scot Pollard) e ganhou um titular (Brad Miller). Sempre tive com este pivô um certo grau de implicância. Miller só conquistou um lugar ao sol devido à carência crônica da posição, por isso não vejo motivo para colocá-lo na elite dos grandalhões da liga. Ainda assim, fez muito bem a diretoria dos Kings. Com a proximidade da aposentadoria de Vlade Divac, era preciso investir logo em alguém capaz de garantir alguma qualidade embaixo da cesta. No fim das contas, o branquelo desajeitado será mais uma peça útil para Rick Adelman.

::::::::

ABISMO - Parecia impossível, mas o Oeste ficou ainda mais forte. Para comprovar isso, proponho um rápido exercício de imaginação, formando duas seleções de jogadores roubados da conferência rival. O Leste engrossou suas pobres fileiras com Campbell, Pollard, Howard, Pippen e Arenas. Já o Oeste afanou Miller, Sprewell, Mercer, Cassell e Payton. É fácil notar quem levou vantagem.

::::::::

PROJETO 2005 - Muita gente criticou os engravatados do Atlanta, que liberaram Glenn Robinson e receberam Terrell Brandon na transação com Wolves, Sixers e Knicks. Brandon tem a carreira ameaçada por uma grave contusão, e provavelmente não jogará um minuto sequer pelos Hawks. A estratégia, no entanto, é de longo prazo. Praticamente todos os atletas do elenco têm contrato vencendo em julho de 2005. Até lá, a equipe deve fazer apenas figuração em quadra, preparando o terreno para uma faxina geral que vai possibilitar a chegada de pelo menos dois jogadores de primeira linha com passe livre. A tática é arriscada, mas a ousadia não deixa de ser elogiável.

::::::::

ARMADILHA - Na falta de ação verdadeira, a imprensa americana começa a inflar as cotações dos atletas que se destacam nos torneios de verão. Não vale a pena cair nessa. As disputas só reúnem gente do segundo escalão para baixo, por isso os grandes nomes têm sido Frank Williams, Mike Dunleavy, John Salmons, Jannero Pargo, Melvin Ely, e por aí vai. Para se ter uma idéia, o MVP do Rocky Mountain Revue, em Salt Lake City, foi Lonny Baxter, do Chicago Bulls. Precisa dizer mais?

::::::::

SEM PRESSA - Parabéns ao Leandrinho, que enfiou 20 pontos no San Antonio. Stephon Marbury, claro, não jogou, e o cestinha dos Spurs foi um sujeito chamado Amemdola Okalaja. Portanto, nada de conclusões precipitadas. Vamos deixar para avaliar o brasileiro quando começarem os amistosos da pré-temporada em setembro.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

O esforço é válido, mas, cá entre nós, Juwan Howard não resolve o problema do Orlando Magic. Para um grupo que já tem Drew Godden como um promissor ala de força, seria mais oportuno investir num pivô que pudesse, de fato, garantir rebotes e distribuir tocos no garrafão.

:::::::: ::::::::

O Dallas Mavericks continua comendo mosca. Mark Cuban ainda tenta trocar Raef LaFrentz por Kurt Thomas. Que tédio.

:::::::: ::::::::

Elden Campbell quer ser titular no Detroit, que tem Ben Wallace e Darko Milicic embaixo da cesta. Menos, vovô, menos.

:::::::: ::::::::

Um juiz do caso Kobe Bryant permitiu a presença de câmeras de TV na sessão prevista para 6 de agosto. É impressão minha ou já paira no ar um clima semelhante ao do julgamento de OJ Simpson?

:::::::: ::::::::

(Foto - NBAE)

20.7.03



MAUS LENÇÓIS




Enquanto Malone chega, Kobe se complica



“Meu erro foi o adultério. Tenho de dar satisfações à minha esposa e a Deus pelas ações naquela noite. Rezo para que ambos me perdoem. Nada do que aconteceu no dia 30 de junho foi contra a vontade da mulher que agora falsamente me acusa.”

Kobe Bryant está literalmente em maus lençóis.

As aspas acima, reproduzidas mundialmente na sexta-feira, ilustram o drama enfrentado pelo astro do Los Angeles Lakers, justo agora que seu time resolveu reforçar o elenco com Gary Payton e Karl Malone, criando um prognóstico otimista dentro da quadra. Como as informações chegam ao Brasil em pílulas esparsas, proponho usar este espaço para lançar alguma luz sobre o triste episódio, que pode mudar o rumo de uma das carreiras mais estelares do basquete.

Antes de mais nada, cabe esclarecer que a acusação sofrida por Bryant não é de assédio sexual (como parte da imprensa brasileira tem mencionado), e sim de abuso/violência sexual. Ou seja, estupro. O mal-entendido se dá na tradução do termo em inglês, “sexual assault” (abuso), bem mais grave que “sexual harassment” (assédio).

O craque vai se apresentar à Justiça no início de agosto, acusado de ter violentado uma jovem de 19 anos. A suposta vítima trabalha num spa ao lado do resort onde o atleta estava hospedado em 30 de junho, na cidade de Vail (Colorado), para operar o joelho direito no dia seguinte. Se a condenação vier, a pena pode chegar a quatro anos de prisão.

Não convém, a esta altura, tirar conclusões precipitadas. Os advogados vão a campo em ambos os lados, e nos resta aguardar a decisão judicial. Em todo caso, o jogador dificilmente conseguirá apagar a mancha na imagem de bom rapaz.

Na melhor das hipóteses, se for absolvido do abuso sexual, Kobe vai carregar o rótulo de adúltero. O alarde da imprensa já basta para arranhar sua reputação. Neste caso, é bom deixar claro, o assunto passaria a ser doméstico. Ninguém tem nada a ver com tal história, a não ser ele, a mulher e a amante-relâmpago. Qualquer condenação moral na esfera esportiva seria hipócrita. Falhas desta ordem acontecem em diversas famílias.

Na pior das hipóteses, se for condenado, o quadro se complica, e muito. Afinal de contas, trocando em miúdos, lugar de estuprador é na cadeia, seja ele quem for. Quem pratica qualquer ato de violência contra uma mulher, especialmente no plano sexual, deve ser punido como manda a lei.

Andes do veredicto, o caso ainda vai passar por uma série de meandros, recursos, idas e vindas. Será que a mocinha está querendo se aproveitar da fama do tricampeão para arrancar dele um polpudo acordo financeiro? Pode ser. Será que o atleta realmente pisou na bola? Seria uma grande decepção. O julgamento não cabe a nós. Para isso existem promotores, defensores e juízes.

::::::::

SURREAL - A turma de Sacramento que me perdoe, mas parece piada esta história da contratação de Dennis Rodman. O boato surgiu forte durante a semana, quando o ícone máximo da indisciplina na NBA jantou com os irmãos Maloof, proprietários da equipe. Pelo visto, o obstáculo da negociação foi puramente financeiro, já que a dupla de cartolas parece cansada da política de torrar dólares a torto e a direito. Preocupante é saber que o critério técnico-físico sequer foi levado em conta. Ou seja, se houvesse dinheiro disponível, aquele elenco coeso receberia um senhor de 42 anos conhecido por arrumar algumas das piores confusões da história da liga. Rodman, que encerrou sua carreira há três anos com passagens curtas e polêmicas por Los Angeles e Dallas, disse que vestir o uniforme dos Kings seria “uma oportunidade deliciosa de ferrar os Lakers”. Menos, bad boy. Na verdade, ferrado estaria o pobre torcedor do Sacramento.

::::::::

FOLGA MONETÁRIA - David Stern e seus comparsas decidiram que o teto salarial para a temporada que se aproxima será de US$ 43.8 milhões, o que representa um aumento de US$ 2 milhões em relação ao último campeonato. A mudança beneficiou alguns times, como o Washington Wizards, que agora acumula US$ 8.5 milhões para gastar no mercado. A quantia deve ser suficiente para seduzir Gilbert Arenas, que ostenta o chamado passe livre restrito (ou seja, o Golden State tem prazo de 15 dias para cobrir qualquer proposta recebida pelo atleta). O problema é que no cofre dos Warriors só há US$ 4 milhões para segurar o rapaz. Arenas só fica se houver uma reformulação no elenco.

::::::::

TUDO POR BRAND - Pat Riley jogou pesado e saiu derrotado. Sem Alonzo Mourning, o técnico-cartola do Miami Heat apostou todas as suas fichas numa proposta de US$ 84 milhões por Elton Brand, um reforço de primeira linha para o time da Flórida. A situação de Brand, porém, era a mesma de Arenas, e o Los Angeles Clippers igualou a oferta. Com isso, o ala permanece na Califórnia, em boa parte graças aos esforços do novo treinador, Mike Dunleavy, que exigiu a renovação do jovem astro. A expectativa é que a mesma política sirva para Corey Maggette (assediado pelo Utah), mas não para Andre Miller, que deve mesmo ir para Denver. O próximo alvo de Riley passa a ser Lamar Odom.

::::::::

REFORÇO MORAL - Aos 37 anos, Scottie Pippen está de volta a Chicago. Com experiência de sobra, o veterano pode dar boas dicas à garotada que se amontoa no elenco dos Bulls. Mas, cá entre nós, sua contratação soa mais como uma jogada psicológica do gerente e ex-colega John Paxson, interessado em vender a idéia de que tudo voltará a ser como nos bons tempos. A sólida campanha do Portland credencia Pippen como velhinho salvador, mas seu destino não deve ser muito diferente de um Romário no Fluminense ou um Edmundo no Vasco: muita experiência, alguma eficiência e pouquíssimos resultados.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

Antonio Daniels chega a Seattle para ser titular. É bom jogador. Após seis anos na sombra de armadores mais habilidosos, ele finalmente terá a oportunidade de mostrar serviço, com a ajuda providencial de Ray Allen.

:::::::: ::::::::

O Boston Celtics acertou ao renovar o contrato de Walter McCarty, que não é nenhum gênio mas funciona bem como reserva.

:::::::: ::::::::

Rasho Nesterovic em San Antonio, Michael Olowokandi em Minnesota, e eu com um pé atrás. Acho excessiva a badalação em torno dos dois. São pivôs razoáveis, nada muito além disso.

:::::::: ::::::::

(Fotos – NBAE)

13.7.03



TIME DOS SONHOS




Se tivesse uma bola de cristal,
Malone veria dias animadores




Após três anos de dinastia, o Los Angeles Lakers trombou com Tim Duncan e sentiu gosto amargo do fracasso. Pelo visto, o sabor não agradou nem um pouco. Decidida a recolocar a franquia no caminho das glórias, a diretoria resolveu jogar pesado. Em meio aos dólares escassos, o anel de campeão tornou-se uma isca infalível para seduzir uma dupla de All-Stars que chega para formar, ao lado de outro par de craques, um time titular sem paralelos na NBA. A receita é parecida com a do Real Madrid: preencher os uniformes com talento de primeiro nível e deixar o resto nas mãos do técnico.

Karl Malone, Gary Payton, Kobe Bryant e Shaquille O’Neal formam o Dream Team que Phil Jackson pediu a Buda.

Se vai dar certo, só o tempo dirá, até porque o banco de reservas é ruim de doer. Mas o mestre-zen é o único treinador que pode encher a boca para dizer que tem quatro atletas fora-de-série à sua disposição. Na beira da quadra, sua missão primordial vai ser administrar os egos inflados. Encaixar um ala de ligação ali no meio chega a ser uma tarefa irrelevante. Coitado de Devean George, mal vai pegar na bola.

Sinceramente, não creio que haverá uma batalha para ver quem atrai mais holofotes. Payton e Malone, ambos na curva final da carreira, sacrificaram o bolso pelo sonho de conquistar um título. O armador desprezou uma oferta mais gorda do Milwaukee e o ala se contentou com pífios honorários. Se a dupla afrouxou a ganância financeira para almejar o belo troféu dourado, não vale a pena estragar tudo no terreno da vaidade. Ficamos combinados assim: Kobe e Shaq comandam o show; e os recém-chegados fornecem a ajuda que faltou na última temporada.

::::::::

Todo mundo sabe que Karl Malone não tem exatamente o perfil do sujeito boa praça. Em dezoito temporadas, o ala desandou a falar besteiras por aí e criou um punhado de antipatias. Mas acusá-lo de traidor e egoísta por ter deixado Salt Lake City soa como choro de torcedor saudoso. É até compreensível que os fãs do Utah Jazz fiquem chateados com seu ídolo, assim como a turma de Chicago não gostou nem um pouco de ver Michael Jordan envergando um uniforme azul por duas temporadas. Partir em busca de uma realização pessoal, no entanto, não significa jogar por terra uma história de quase duas décadas.

O que Malone fez pelo Jazz jamais será apagado. O público de Utah viu, ao vivo, durante anos a fio, a construção da carreira de um dos maiores alas-de-força de todos os tempos, se não o maior. Foram 14 seleções para o All-Star Game, dois títulos de MVP, duas medalhas de ouro olímpicas e uma dobradinha memorável com John Stockton. O anel só não veio porque Jordan apareceu duas vezes no caminho.

Se vier agora, com os Lakers, poderemos até discutir a divisão percentual da conquista, dependendo das atuações de cada estrela. Mas não há mal algum em perseguir o sucesso. Malone não está pisando em ninguém, não está passando colegas para trás, não está manchando em nada sua bela carreira. Ao contrário, está enfrentando um baita desafio. Ele sabe que, caso o troféu não venha, os críticos vão babar de felicidade.

::::::::

IRONIA - Um dos pontos mais curiosos de toda essa discussão é saber que Malone usa o número 32, que em Los Angeles foi aposentado em homenagem a Magic Johnson, um dos maiores gênios do basquete, discriminado pelo próprio Malone quando se anunciou portador do vírus HIV.

::::::::

SOZINHO - Triste é a situação de Jerry Sloan, que renovou seu contrato com o Jazz e ficou a ver navios, sem suas grandes estrelas. Que ninguém se iluda: contratar Andre Miller e um punhado de atletas medianos não vai fazer do Utah um grande time. Se a folga salarial não for bem empregada, o torcedor terá de se contentar com um elenco medíocre, que tem tudo para repetir o trágico destino dos Bulls na era pós-Jordan.

::::::::

NOVA FORÇA - Ao levar seus músculos para New Jersey, Alonzo Mourning põe mais lenha na fogueira de expectativas para a próxima temporada. Como ninguém manda nos caprichos do organismo, convém manter uma certa dose de cautela. Mas se os problemas de saúde não atrapalharem, os Nets terão em 2003-2004 um time tão bom quanto os afamados medalhões do Oeste. Mourning é um daqueles jogadores que equilibram magistralmente habilidade e força física. Na elite dos pivôs da NBA, não há mais ninguém com essa característica. Além da qualidade garantida embaixo da cesta, vale festejar a permanência do All-Star Jason Kidd, que decidiu renovar por seis anos. Somando-se a isso a evolução natural de Kenyon Martin e Richard Jefferson, além da vontade engasgada de rasgar o rótulo de vice-campeão, vai ser duro segurar a turma de Byron Scott.

::::::::

VAMOS DEVAGAR - Com a renovação de Jermaine O’Neal, a imprensa americana já lista o Indiana Pacers como um dos favoritos no Leste. Discordo. Ainda há muitas perguntas em aberto. Os Millers (Brad e Reggie) vão permanecer? Ron Artest vai tomar jeito? Al Harrington vai desabrochar? Jamaal Tinsley vai aprender a jogar basquete?

::::::::

DECEPÇÃO - San Antonio e Dallas, as duas maiores forças do Texas, têm se dado muito mal neste período de negociações. Os Spurs vêem seus pretendentes tomando rumos distintos: Malone e Mourning acertaram com outras equipes, enquanto Kidd, O’Neal e PJ Brown concordaram em renovar seus contratos. E agora? O que fazer com todo aquele dinheiro? Gastar com Michael Olowokandi ou Brad Miller? Sinceramente, acho que vale mais a pena guardar para o ano que vem. Os Mavs de Mark Cuban, por sua vez, fizeram muito alarde e acabaram comendo mosca. Terão de se contentar com o segundo escalão.

::::::::

(Foto – Jed Jacobsohn/NBAE)

5.7.03



COFRES ABERTOS




Brand e Odom podem trocar de uniforme
e abrir uma folga salarial em Los Angeles




Os telefones não param de gritar. A temporada de negociações na NBA segue congestionando linhas e troncos, mas por enquanto nenhum acordo pode extrapolar o terreno verbal. Caneta e papel só estão liberados a partir do dia 16. O intervalo alimenta um noticiário frágil e convida os amantes do basquete para uma longa incursão no maravilhoso mundo da boataria. De mãos atadas, a imprensa dança ao ritmo dos empresários, que plantam rumores a torto e a direito, sempre com o intuito de valorizar o passe livre do cliente. Pouco há de concreto nesse balaio de chutes e divagações. Portanto, não vale a pena cair em tentação. Resta apenas conhecer melhor o cenário que se apresenta.

O primeiro passo é vasculhar os cofres de cada time, para em seguida avaliar o talento disponível em cada posição. Assim fica mais difícil cair no conto do agente coruja ou na ladainha do jornalista caçador de manchetes.

Vamos então ao ranking das contas bancárias, segundo o registro divulgado pela revista Sports Illustrated.



1. LOS ANGELES CLIPPERS – US$ 35 milhões
É claro que essa fortuna só vira realidade se a equipe montar uma barca com Lamar Odom, Elton Brand, Michael Olowokandi, André Miller e Corey Maggette. Se todo mundo sair, sobram dólares para investir em Tim Duncan, Jason Kidd ou Jermaine O’Neal. Mas é claro que essa bolada deve ser bastante reduzida com a renovação de alguns dos talentos locais.

2. DENVER NUGGETS – US$ 22 milhões
Aqui vale a mesma regra. A poupança forrada depende da liberação do marajá Juwan Howard, que recebe um salário astronômico e, cá entre nós, não faz por merecer tanto em quadra. Sem ele, seria possível contratar, por exemplo, Gilbert Arenas ou Michael Olowokandi (ou ambos).

3. UTAH JAZZ – US$ 21 milhões
O vazio deixado por John Stockton na folha de pagamento pode chegar ao montante acima se Karl Malone procurar outra vizinhança (o que é muito provável). Com a saída do astro, abre-se o caminho para pescar um atleta top de linha e outro razoável. A permanência de Malone, entretanto, não impede o investimento num armador como Andre Miller.

4. SAN ANTONIO SPURS – US$ 18 milhões
Está aí um time que colhe frutos de sua boa administração. Mesmo mantendo Tim Duncan, sobram esses R$ 18 milhões para convencer Jason Kidd a trocar de camisa, além de buscar um reforço mediano e renovar com Speedy Claxton e Stephen Jackson.

5. WASHINGTON WIZARDS – US$ 7 milhões
A renovação de Jerry Stackhouse por dois anos não foi o suficiente para deixar o Washington na pindaíba. Ainda sobrou dinheiro para apostar num atleta de qualidade como Corey Maggette.

6. MIAMI HEAT – US$ 7 milhões
Se Alonzo Mourning realmente for embora, abre-se este espaço para contratar um substituto de peso. Outra saída seria reforçar a armação. Como Pat Riley deixou passar TJ Ford no draft, Andre Miller pode ser um objetivo real.



São estes os times com bala na agulha para navegar no mercado de passe livre. O resto da liga vai ter de penar para seduzir alguém da elite. Mesmo assim, bolso modesto não é motivo para pânico. É possível encontrar nas prateleiras soluções baratas e eficientes. Para que cada um tire suas próprias conclusões, o Rebote propõe as listas com os melhores valores de cada posição.



PIVÔS
1. Alonzo Mourning (Miami)
2. Brad Miller (Indiana)
3. Michael Olowokandi (L.A. Clippers)
4. Rasho Nesterovic (Minnesota)
5. Elden Campbell (Seattle)
6. Shawn Kemp (Orlando)
7. Pat Burke (Orlando)
8. Vladimir Stepania (Miami)
9. Jake Voskuhl (Phoenix)
10. Scott Williams (Phoenix)

Cartas na manga:
Pedrag Drobnjak (Seattle)
Mark Blount (Boston)



ALAS
1. Tim Duncan (San Antonio)
2. Jermaine O’Neal (Indiana)
3. Karl Malone (Utah)
4. Elton Brand (L.A. Clippers)
5. Juwan Howard (Denver)
6. Lamar Odom (L.A. Clippers)
7. Corey Maggette (L.A. Clippers)
8. Scottie Pippen (Portland)
9. Derrick Coleman (Philadelphia)
10. PJ Brown (New Orleans)

Cartas na manga:
Kenny Thomas (Philadelphia)
Gary Trent (Minnesota)



ARMADORES
1. Jason Kidd (New Jersey)
2. Gilbert Arenas (Golden State)
3. Gary Payton (Milwaukee)
4. Richard Hamilton (Detroit)
5. Andre Miller (L.A. Clippers)
6. Jason Terry (Atlanta)
7. James Posey (Houston)
8. Stephen Jackson (San Antonio)
9. Reggie Miller (Indiana)
10. Darrell Armstrong (Orlando)

Cartas na manga:
Speedy Claxton (San Antonio)
Earl Boykins (Golden State)

(Foto – NBAE)

29.6.03



SHOWTIME ÀS AVESSAS



Não faz muito tempo e Jerry West era considerado um modelo de dirigente vitorioso. A fama se justificava pela construção de um time que encantou o mundo e deu ao Los Angeles Lakers o merecido rótulo de showtime. Sabe-se, no entanto, que os sonhos não duram para sempre. O tempo passou, o mundo girou e West foi parar em Memphis. Na maior cidade do Tennessee, uma carreira repleta de glórias vai se esvaindo pelo ralo, em meio a decisões bizarras e inexplicáveis.

O festival de bobagens começou pouco depois do último All-Star Game, quando West embarcou dois valiosos novatos num avião rumo à Flórida. Carregando previsões animadoras na bagagem, Drew Gooden e Gordan Giricek foram bem acolhidos pelo Orlando Magic de Tracy McGrady. Em troca, os Grizzlies receberam Mike Miller, que não passa de um bom chutador. Sua mira calibrada não compensa a perda de dois jovens talentos.

Apesar da má sorte de ter perdido Darko Milicic para o Detroit Pistons, West tinha uma boa chance de se recuperar no draft de quinta-feira, com duas escolhas na primeira rodada. A noite parecia agradável com a seleção do habilidoso armador Marcus Banks e da promessa colegial Kendrick Perkins. Pouca gente entendeu quando os dois foram trocados por Troy Bell e Dahntay Jones (ambos razoáveis, pescados pelo Boston). Sem motivo aparente, o Memphis perdeu um talento imediato (Banks) e um jovem ainda em formação, mas cheio de gás (Perkins).

Não satisfeito, West completou a trapalhada no dia seguinte, quando moveu mundos e fundos para renovar os contratos de três jogadores medíocres: Robert Archibald, Chris Owens e Mike Batiste. “São atletas valiosos que podem contribuir para o sucesso da equipe no futuro”, justificou a velha raposa. Difícil de engolir. Como calouro, Batiste manteve a inexpressiva média de 6 pontos por jogo. Archibald disputou apenas 12 partidas na última temporada e Owen só pisou em quadra uma vez! Se este é o futuro dos Grizzlies, West bem que podia pular do barco antes que sua imagem se arranhe por completo.

::::::::

NOVA FORÇA - O Detroit, por sua vez, saiu como grande vencedor do draft. Além de Milicic ter caído do céu (fruto de uma negociação antiga com o Vancouver), Joe Dumars foi cirúrgico na segunda escolha. Carlos Delfino tem boas chances de seguir as pegadas do conterrâneo Manu Ginobili. Na teoria, o sérvio e o argentino formam a melhor dupla desta safra (assim como Gooden e Giricek no ano passado). Sob a batuta de Larry Brown, vem aí um grupo capaz de levantar o nível da conferência Leste. Sem contar que Ben Wallace e Milicic podem formar, simplesmente, o melhor garrafão de toda a liga.

::::::::

INJUSTIÇA - Knicks e Clippers foram criticados por muita gente na noite de quinta-feira. Não acho que os torpedos são válidos. Os detratores alegam, por exemplo, que não faz sentido ficar com Mike Sweetney porque sobram alas de força em Nova York. Ora, de que adianta escalar Clarence Weatherspoon, Othela Harrington, Lee Nailon e Kurt Thomas se nenhum deles consegue resolver a doença crônica da equipe embaixo da cesta? Sweetney pode, sim, aparecer como solução para o problema, especialmente se tiver a ajuda de um Antonio McDyess saudável. Como se não bastasse, o técnico Don Chaney ainda recebeu um presente de última hora: o polonês Maciej Lampe, que escorregou até o segundo round. No Los Angeles, a estratégia foi se precaver para a possível debandada de Michael Olowokandi e Elton Brand. Tudo bem que o natural seria escolher TJ Ford, de olho na saída de Andre Miller. Mas se a idéia era reforçar o garrafão, Chris Kaman e Sofoklis Schortsanitis podem dar conta do recado.

::::::::

EX-TRIO - Com a ida de Sam Cassell para Minnesota, o Milwaukee elimina o último vestígio de um trio que já levou a equipe às finais do Leste. Ao lado de Glenn Robinson e Ray Allen, Cassell liderava um elenco coeso, capaz de brigar pelas primeiras posições da tabela. Agora sua missão é outra: ajudar o astro Kevin Garnett e o esforçado Wally Szczerbiak no ataque. Se o negócio parece excelente para os Wolves, não chega a ser de todo ruim para os Bucks. A folga na folha de pagamento significa alguns sacos de dinheiro a mais na tarefa de segurar Gary Payton. Caso o veterano fique, terá ao seu redor um grupo jovem (Tim Thomas, Michael Redd, Desmond Mason e TJ Ford) e ansioso por orientações. Cabe ressaltar que a reconstrução é um trabalho a longo prazo, e não se sabe por quanto tempo Payton ainda agüenta o tranco da NBA. Por favor não esperem que os novos contratados Joe Smith e Anthony Peeler resolvam alguma coisa de imediato.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

Como o Golden State apostou no francês Mickael Pietrus, é bem provável que a diretoria esteja tramando a saída do acrobático Jason Richardson. A estratégia serviria para abrir espaço no caixa e facilitar a permanência de Gilbert Arenas.

:::::::: ::::::::

Ao despachar Xue Yuyang para Denver, o Dallas Mavericks se livrou de uma baita dor de cabeça. Representantes da Confederação Chinesa de Basquete se apressaram em dizer que o jovem pivô ainda não está pronto para a NBA e não será autorizado a jogar nos Estados Unidos.

:::::::: ::::::::

Na calada da noite, o Seattle ofereceu ao Washington o bom arremessador Vladimir Radmanovic, além das escolhas 12 e 14 no draft, para ter Kwame Brown. O técnico Eddie Jordan, que acaba de assumir o comando dos Wizards, recusou educadamente. Ele acha que ainda é cedo para se livrar do jovem ala-pivô.

:::::::: ::::::::

Se o basquete ficará mais vistoso com Carmelo Anthony, só o tempo vai dizer. Mas, desde já, o Denver Nuggets passa a ter o uniforme mais feio de toda a NBA.



:::::::: ::::::::

(Fotos – CBS Sportsline)

27.6.03



NOITE DE GALA



Como o servidor não suportou um post muito extenso, fui obrigado a dividir a primeira rodada do draft em duas partes. As 14 primeiras escolhas, publicadas em tempo real na noite de quinta-feira, estão na mensagem abaixo desta. O restante (incluindo Leandrinho) foi transferido para cá. Peço desculpas pelos eventuais transtornos, mas acho que ainda assim valeu a experiência. Agradeço a todos os que participaram na caixa de comentários.

Abraços,
Rodrigo Alves




.......

15. MAGIC

Reece Gaines (PG/SG, 1.98m, Louisville)

Apesar do tamanho, Gaines costuma se sair bem na posição 1, o que lhe dá a vantagem da estatura contra a maioria dos oponentes. Atenção também ao controle de bola e aos passes precisos. Como o Orlando tem T-Mac na posição 2, ele deve disputar a vaga com Darrell Armstrong e Jacque Vaugh na posição 1.

.......


16. CELTICS

Troy Bell (PG, 1.85m, Boston College)

E o Boston, que também podia escolher Leandrinho, optou por uma solução caseira. Além de estar acostumado com a cidade, Bell tem a velocidade como trunfo e arremessa bem de vários pontos da quadra.

.......


17. SUNS

Zarko Cabarkapa (C/PF, 2.10m, Buducnost - Sérvia)

Apesar de ser um grandalhão trombador, o sérvio sabe como tratar a bola laranja. Os fundamentos estão bem decorados, portanto o Phoenix pode esperar, no mínimo, um atleta correto.

.......


18. HORNETS

David West (PF, 2.05m, Xavier)

Excelente reboteiro, deve ajudar o New Orleans caso se concretize a saída de PJ Brown.

.......


19. JAZZ

Aleksandar Pavlovic (SF, 2.00m, Buducnost - Sérvia)

É uma versão econômica de Milicic. Os estilos são parecidos, mas o tamanho e o nível de jogo são bem diferentes. Pavlovic tem tudo para se tornar um bom nome na NBA, mas dificilmente vai arrumar uma vaguinha na elite. Seu impacto no Utah é uma incógnita. Tudo depende da saída ou não de Karl Malone.

.......


20. CELTICS

Dahntay Jones (SG/SF, 1.98, Duke)

Mais uma vez o Boston deixa passar Leandrinho para selecionar um jogador mediano.

.......


21. HAWKS

Boris Diaw-Riffiod (SG/SF, 2.03, Pau Orthez - França)

O ligeiro francês será mais um na luta para resolver os conflitos de um time que não consegue se acertar. Ao lado de jogadores experientes como Glenn Robinson e Shareef Abdur-Rahim, terá chances de desenvolver seu basquete.

.......


22. NETS

Zoran Planinic (PG/SG/SF, 2.00m, Cibona Zagreb - Croácia)

Prudentes, os campeões do Leste optaram por um atleta que arrisca pouco e, por isso, erra pouco. Nascido na Bósnia, Planicic joga em três posições diferentes e esbanja preparo físico (perfeito para o estilo veloz do New Jersey).

.......


23. TRAIL BLAZERS

Travis Outlaw (PF, 2.05m, Starkville)

Sinceramente, eu não esperava que Outlaw ficasse tão para trás. Melhor para o Portland, que está disposto a se desfazer de Rasheed Wallace.

.......


24. LAKERS

Brian Cook (PF, 2.08m, Illinois)

Como era de se esperar o Los Angeles selecionou um ala de força. Robert Horry deve mesmo sair, o que enfraquecerá ainda mais a posição. Além de ser uma boa ferramenta ofensiva, Cook é ótimo nos lances-livres.

.......


25. PISTONS

Carlos Delfino (SG/SF, 1.98m, Skipper Bologna - Itália)

No conjunto, o Detroit é o time que mais sai ganhando nesse primeiro round. Além de Milicic, que caiu do céu, Delfino chega como uma boa promessa para fortalecer o banco de reservas. O argentino não tem medo do contato físico e mostra garra semelhante à do compatriota Manu Ginobili.

.......


26. WOLVES

Ndudu Ebi (PF, 2.05m, Westbury Christian High School)

Foi aqui que Leandrinho perdeu sua grande chance. O Minnesota seria o time perfeito para ele. Mas a diretoria preferiu apostar num talento colegial. Ebi vai imediatamente para a reserva de Kevin Garnett.

.......


27. GRIZZLIES

Kendrick Perkins (C, 2.08m, Clifton Ozen High School)

Mais um colegial. Este é outro que poderia ter sido escolhido antes, mas acabou escorregando até aqui. Sorte do Memphis.

.......


28. SPURS

Leandrinho Barbosa (PG, 1.90m, Bauru Tilibra - Brasil)

Enfim, o nosso garoto! A princípio, ser escolhido pelo atual campeão é uma bela porta de entrada na NBA. Mas uma rápida olhada no elenco do San Antonio mostra que Leandrinho não teria a menor chance com Parker, Claxton e Kerr à sua frente. Poucos minutos depois da seleção, o brasileiro foi negociado (repetindo a trajetória de Nenê no ano passado). Em Phoenix, ele terá um destino mais generoso. A vaga de titular é impossível, mas não é vergonha para ninguém ser reserva de Stephon Marbury. O craque veterano tem muito a ensinar ao nosso calouro. De quebra, os Suns têm grandes chances de chegar ao playoff (vale lembrar que Amare Stoudemire estará mais amadurecido). Boa sorte, Barbosa!

.......


29. MAVS

Josh Howard (SF, 1.98m, Wake Forest)

Veterano na universidade, Howard chega ao Dallas para somar. Particularmente, eu achava que Mark Cuban buscaria um pivô.

.......


QUEM SOBROU

Assim terminou a primeira rodada. A grande decepção foi o ala polonês Maciej Lampe, que chegou a ser cotado para a quinta escolha (Miami), mas acabou desprezado e abriu o segundo round com o New York Knicks. Sofoklis Schortsanitis também merecia sorte melhor. O Baby Shaq ficou com os Clippers, na 34ª posição. Foi uma decisão inteligente do Los Angeles, que pode perder Elton Brand e Michael Olowokandi.

.......

Abaixo, seguem as negociações da noite do draft (atualizadas até 1h da sexta-feira):



::::: O San Antonio mandou Leandrinho Barbosa para Phoenix em troca de uma escolha de primeira rodada no ano que vem.

::::: O Boston mandou Troy Bell e Dahntay Jones para o Memphis e recebeu Marcus Banks e Kendrick Perkins (bom negócio para os Celtics).

::::: O Milwaukee cedeu os direitos de Keith Bogans para o Orlando.

::::: O Seattle mandou Willie Green para o Philadelphia, em troca de Paccelis Morlende.

::::: Os Sixers receberam Kyle Korver do New Jersey.

::::: O Chicago mandou Matt Boner para o Toronto e recebeu uma escolha futura de segunda rodada.

26.6.03



DRAFT AO VIVO



Boa noite a todos.

A partir de agora, o Rebote acompanha as emoções do draft 2003, numa noite que não deixa de ser histórica para o basquete brasileiro. Ansioso para saber qual time vai pescar o nosso Leandrinho? Curioso para conhecer o destino da nata universitária americana e da novíssima turma de estrangeiros? Atualize a página constantemente para receber, em tempo real, informação e análise de cada escolha da primeira rodada, além das negociações que surgirem pelo caminho. A caixa de comentários está aberta às opiniões dos leitores.

Vamos à largada.


.......

1. CAVALIERS

LeBron James (PG/SG/SF, 2.03m, St. Vincent/St. Mary)

E aí, estão surpresos? Com LeBron no elenco, o Cleveland começa a tirar o pé da lama. Além das habilidades atléticas, o fenômeno colegial esbanja versatilidade e tem se mostrado um excelente passador. Resta saber quanto tempo vai levar a adaptação ao mundo adulto. Não podemos esquecer que Kobe Bryant, Tracy McGrady, Jermaine O’Neal também pularam a universidade e só estouraram no terceiro ano de NBA. O menino-prodígio vai fazer sua parte, mas para o time chegar aos playoffs é preciso mexer naquele deserto de talento (exceção feita a Ricky Davis e, vá lá, Zydrunas Ilgauskas). Se a diretoria não agir nas próximas semanas, contratando uma ou duas peças consistentes, o mata-mata deve continuar sendo apenas um sonho distante.

.......

2. PISTONS

Darko Milicic (C/PF, 2.13m, Hemofarm Vrsac – Sérvia)

Boa altura, força no garrafão, agilidade fora dele, arremesso preciso (inclusive de três pontos). O que mais se pode esperar de um calouro? Larry Brown, que preferia Carmelo Anthony, não conseguiu convencer Joe Dumars. Aí está a nova sensação da Europa. Agora o técnico tem um agradável problema para resolver: quem vai jogar de pivô, Wallace ou Milicic?

.......


3. NUGGETS

Carmelo Anthony (SF, 2.03m, Syracuse)

Em todo o draft, é provavelmente o atleta mais apto a causar impacto instantâneo na NBA. Mais maduro que LeBron, Carmelo vai dar ao Denver o toque de qualidade que falta naquele mar de juventude e inexperiência. Playoffs? Talvez ainda seja cedo, a não ser que a cartolagem trabalhe duro e consiga bons reforços no mercado (Gilbert Arenas e Michael Olowokandi, quem sabe). Nenê Hilário deve estar torcendo de dedos cruzados.

.......

Apertem os cintos: o que era previsível já passou. A partir de agora, está aberta a caixinha de surpresas.

.......


4. RAPTORS

Chris Bosh (PF, 2.08m, Georgia Tech)

Será a versão 2003 de Kevin Garnett? Os braços longos e a extrema facilidade com que se move pela quadra renderam ao jovem Bosh uma comparação de peso. O ala canhoto tem um ótimo arremesso para alguém do seu tamanho. Tudo o que ele precisa é um pouco mais de preparo físico. Com esta escolha, o Toronto começa a definir os rumos do draft. Tudo o que virá em seguida dependia desta seleção, ou seja, a noite está só começando. Aliás, a primeira negociação do draft pode surgir a qualquer momento. Estamos de olho.

.......


5. HEAT

Dwyane Wade (SG, 1.93m, Marquette)

Escolha surpreendente. Mais um daqueles jogadores que aliam bom físico e basquete versátil. A maturidade e o estilo agressivo impressionaram deixaram os olheiros de boca aberta. Há quem aposte em Wade como um dos nomes mais futurosos do draft. O problema é o possível conflito de posições com Eddie Jones ou Caron Butler. Ou seja, vem troca por aí.

.......


6. CLIPPERS

Chris Kaman (C, 2.13m, Central Michigan)

É um pivô clássico, competente embaixo da cesta e mestre em cavar faltas que o levem à linha de lances-livres. A ajuda se estende à defesa, com bons números em rebotes e tocos. Boa opção para o lugar de Michael Olowokandi, que pode deixar o time.

.......


7. BULLS

Kirk Hinrich (PG/SG, 1.90, Kansas)

Difícil entender como TJ Ford passou daqui. Em todo caso, com Hinrich na armação, a qualidade distribuição de jogo do Chicago fica garantida, agora que Jay Williams deve ficar fora por bastante tempo. Além disso, trata-se de um daqueles jogadores que não acreditam em bola perdida. A mistura de raça e talento faz dele uma boa opção para um time que precisa crescer urgentemente.

.......


8. BUCKS

TJ Ford (PG, 1.78m, Texas)

Gary Payton já pode ir embora. O baixinho mais valioso da safra está em Milwaukee. Sua visão de jogo remete a lendas como Magic Johson e Larry Bird (com as devidas proporções, claro). Assistência é com ele mesmo. Muito estranho que Ford só tenha sido escolhido agora.

.......


9. KNICKS

Mike Sweetney (PF, 2.03m, Georgetown)

No melhor estilo Elton Brand, Sweetney funciona como um tanque dentro do garrafão, daqueles que preferem carregar a bola até a cesta em vez de arremessá-la de longe. Vai dar um gás ao New York, que carece de grandalhões (tem gente em quantidade, mas não em qualidade). A decisão mostra ainda que a diretoria não confia muito na recuperação de Antonio McDyess.

.......


10. WIZARDS

Jarvis Hayes (SG/SF, 2.01m, Georgia)

Esse negócio de infiltração não está com nada. Hayes gosta mesmo é de pegar a bola e arremessar. Sorte dele que a mira é privilegiada, o que lhe rendeu comparações com Allan Houston. No fraco elenco do Washington, uma colaboração como esta não pode ser desprezada. Pode dar certo a tabelinha com Jerry Stackhouse, que hoje estendeu seu contrato por mais dois anos.

.......


11. WARRIORS

Mickael Pietrus (SG/SF, 1.99m, Pau Orthez - França)

Com uma velocidade acima da média, Pietrus é um dos melhores estrangeiros da turma. Um de seus trunfos é a capacidade de apanhar rebotes ofensivos. Difícil vai ser arrumar um lugar para ele na equipe, que já tem Antawn Jamison e Jason Richardson.

.......


12. SONICS

Nick Collison (SF/PF, 2.05m, Kansas)

Veterano da Universidade de Kansas, Collison é uma das bolas de segurança do draft. Pode não se tornar uma estrela, mas certamente vai contribuir de imediato com os Sonics. O repertório variado de movimentos no garrafão e a briga incessante pelos rebotes fazem dele um tiro prudente da cartolagem de Seattle.

.......


13. GRIZZLIES

Marcus Banks (PG, 1.88m, Nevada-Las Vegas)

É um armador claramente defensivo, com mãos velozes e capazes de roubar bolas sem que o adversário se dê conta. As infiltrações também são um ponto forte, mas o Memphis certamente não pensou num calouro para atacar, e sim numa peça para compor a retranca. Pode ser um bom reserva para Jason Williams.

.......


14. SONICS

Luke Ridnour (PG, 1.88, Oregon)

Esperava-se que o Seattle escolhesse Leandrinho no primeiro round, porque a equipe de fato precisa de um armador. Mas o brasileiro não foi o preferido da diretoria. Tanto no contra-ataque como nas jogadas trabalhadas, Ridnour tem mostrado criatividade suficiente para escapar das sinucas mais difíceis, à la John Stockton. Seu ponto forte, no entanto, é a mestria nos lances-livres.

.......

Continua no post acima

.......

22.6.03



DRAMAS, DÚVIDAS E ESPERANÇAS




O acidente de Jay Williams foi
a nota mais triste da semana




Era noite de quinta-feira. Após uma jornada estressante de trabalho, Alysha Grenier, uma jovem de 26 anos, voltava para sua casa na Zona Norte de Chicago, quando ouviu o grito carregado de angústia: “Não consigo sentir minhas pernas!” Incapaz de estancar a dor, Jay Williams implorava por socorro. A alguns metros dali, repousava no asfalto o algoz de uma carreira promissora: a motocicleta Yamaha, comprada uma semana antes e destruída após a colisão com o poste.

A decepção na primeira temporada não faz de Williams um atleta fadado ao fracasso. Com a experiência que só o tempo fornece, o armador dos Bulls tinha tudo para evoluir e se tornar um bom nome da posição. Agora, além do progresso técnico e tático, vai precisar também do médico. É quase certo que fique pelo menos um ano longe das quadras, se recuperando das cirurgias no joelho esquerdo e na região pélvica.

O drama seria evitado se os ouvidos da jovem promessa tivessem armazenado os conselhos de um colega um pouco mais experiente.

A expressão invocada e as tatuagens espalhadas pelo corpo dariam ao ala Marcus Fizer credenciais para ingressar num clube de Hell’s Angels (só faltaria a vasta cabeleira). No entanto, sabemos que estereótipos servem apenas para reforçar preconceitos. Com todo esse jeito bad boy, Fizer se esforçou para convencer Williams a não comprar a moto. Encostado na enfermaria há vários meses, ele conhece o gosto amargo de uma lesão grave, seja ela fruto de um lance casual no treino ou conseqüência de um acidente automobilístico. Pena que a tentativa tenha sido em vão.

Dos males, o menor. Ao que parece, o armador não corre risco de vida, e é isso que importa. Difícil é ver que sua trajetória sofreu um impacto negativo dessa ordem por um motivo tão estúpido.

::::::::

SEM PREVISÃO - Williams terá boa companhia no estaleiro. Olhando o passado com arrependimento e o futuro com tristeza, o Orlando Magic informou que Grant Hill não deve jogar em 2003-2004. Após quatro cirurgias, o All-Star segue arrastando seu tornozelo esquerdo em via-crúcis.

::::::::

SUSPENSE - Faltam quatro dias para o draft. Será uma quinta-feira previsível nas três primeiras escolhas e repleta de surpresas dali em diante. As dúvidas se acumulam desde já. Quem o Toronto vai pescar na quarta posição? Que uniforme Leandrinho vai vestir? Pelo que corre nos bastidores, a noite há de ser movimentada em termos de negociações. O que não falta é cartola disposto a embrulhar seu calouro para presente em troca de um ou dois veteranos.

::::::::

VIDA NOVA - LeBron James viveu uma semana cheia de novidades. Primeiro, teve um encontro com Magic Johnson e saiu todo prosa: “Ele me chamou de irmão mais novo! É um dos caras mais legais que eu já conheci.” Na sexta-feira, em Cleveland, o menino-prodígio foi apresentado ao novo técnico dos Cavs, Paul Silas, durante um treino de 45 minutos. Silas aproveitou cada segundo do bate-bola. Deu dicas de arremessos, ensaiou posições táticas e ficou impressionado com a humildade do rapaz.

::::::::

DO CONTRA - O Detroit Pistons já pode preparar o departamento jurídico. Do outro lado do oceano, o Hemofarm Vrsac, clube de Darko Milicic, promete ir aos tribunais para impedir o ingresso de seu craque na NBA. O sérvio tem contrato até 2009, e o time não parece nem um pouco disposto a liberá-lo (não sem um vantajoso acordo financeiro). Ainda assim, o presidente do Detroit, Joe Dumars, voltou a afirmar que não abre mão do gigante europeu, desmentindo o rumor de que o técnico Larry Brown estaria mais interessado em Carmelo Anthony.

::::::::

CAUTELA - Se até lá não surgir nenhum fenômeno, o draft de 2004 já tem dono. Aliás, dois donos: Charlie Villanueva e Pavel Podkolzine. A dupla mostrou um bocado de inteligência ao saltar do bonde na última hora. Com todos os holofotes voltados para iluminar LeBron, a mídia reserva apenas duas lanterninhas para Carmelo e Milicic. O resto da turma terá de cortar um dobrado para sair da escuridão. Por essas e outras, Villanueva optou por ganhar mais um ano de experiência no basquete universitário e Podkolzine decidiu voltar para o campeonato italiano.


:::::::: :::::::: Z O N A . M O R T A :::::::: ::::::::

O presidente dos Sixers, Billy King, tentou convencer a imprensa de que a contratação do técnico Randy Ayers (ex-assistente de Larry Brown) foi uma solução consciente, e não um tapa-buracos. Tá bom.

:::::::: ::::::::

O Philadelphia não foi a única equipe a se dar mal na dança das cadeiras. No fim das contas, o Toronto trocou Lenny Wilkens por Kevin O’Neill, enquanto o Washington demitiu Doug Collins e deu abrigo a Eddie Jordan. Resta agora um par de times (Clippers e Hawks) para um par de treinadores (Mike Dunleavy e Rick Carlisle).

:::::::: ::::::::

Se depender apenas da montanha de dólares, Jason Kidd vai mesmo para o Texas. O dinheiro oferecido não é tão superior ao que ele recebe hoje, mas a mordida do imposto em San Antonio é bem menor do que em New Jersey.

:::::::: ::::::::

Gary Payton precisa descer do salto e decidir logo sua vida. Após declarar seu amor pelo Milwaukee, já flertou com Los Angeles e Portland. Agora, anda espalhando que cogita vestir a camisa do Golden State.

:::::::: ::::::::

(Foto – NBAE)

17.6.03



O NOVO REI DO GARRAFÃO



Se tudo correr como planejado, amanhã San Antonio vai parar. Na alegre cidade texana, quarta-feira será dia de matar aula, faltar ao trabalho e cancelar qualquer espécie de compromisso. Do início da manhã ao fim da noite, todas as atenções estarão voltadas para os Spurs, heróis locais que acabam de conquistar o segundo título da NBA.

Artistas, políticos, ex-atletas e uma massa ensandecida de 300 mil pessoas prometem cobrir de honras os jogadores e a comissão técnica da equipe campeã. Entre todos os homenageados, alguns merecem uma dose extra de palmas. Os velhinhos David Robinson, Steve Kerr e Kevin Willis; os guerreiros Manu Ginobili e Malik Rose; o técnico do ano, Gregg Popovich. Entre todos eles, no entanto, ninguém é mais merecedor dessa festa do que o impressionante Tim Duncan.

Aos 27 anos, com dois troféus e dois prêmios de MVP, ele parece ainda não ter assimilado o status de estrela. Ainda não capitalizou financeiramente o potencial dos grandes astros da liga. Talvez este dia nunca chegue, e não há mal algum nessa ausência de ganância. Quem procura garoto-propaganda é dono de multinacional. Os amantes do basquete querem vê-lo executando sua arte embaixo da cesta, e não vendendo tênis ou refrigerante. Não importa que o mundo dos grandes negócios continue negando ao craque do San Antonio as cifras milionárias que entopem os cofres de Kobe, T-Mac e Iverson. Sendo assim, ele poderá se dedicar exclusivamente a pontos, tocos, rebotes e assistências.

“Tim Duncan é um chato”, disse outro dia um analista de marketing esportivo. Não tenho dúvidas de que, na quadra, os oponentes têm a mesma opinião. Como é enjoado aquele indivíduo com cara de sono, que vez por outra arregala os olhos numa expressão meio psicótica, e dentro do garrafão se comporta como uma legítima mala sem alça.

Em certas noites, Duncan só é percebido ao fim da partida, quando voltamos a atenção para a frieza dos números. Sempre se esquivando dos holofotes, ele aprendeu a cultivar uma discrição letal. Age invariavelmente escorado em cautela, causando um estrago silencioso que corrói o adversário por dentro.

Quem é capaz de entender esse estilo ao mesmo tempo sereno e agressivo? Talvez o próprio jogador, formado em psicologia pela Universidade de Wake Forest. Até nos hábitos pessoais, bem longe dos ginásios, é possível notar este tênue equilíbrio. As sombras introspectivas do filme favorito, O Corvo, contrastam com a imponência da vasta coleção de facas que mantém em casa, dedicando especial cuidado a uma imensa (e caríssima) espada de samurai.

Como uma criança sem receio de expor as fraquezas, Duncan admite que tem medo de altura. Seus adversários também têm. Medo da sua altura. Dos braços longos e cortantes, do poder infalível no ataque e na defesa. Do olhar estranho que congela o marcador. Da extrema habilidade que lhe concedeu a coroa de rei do garrafão. Até o próximo ano, MVP.

::::::::

Enquanto Duncan e outras centenas de atletas curtem o merecido descanso, o Rebote também pisa no freio. A partir de hoje, o site passa a ter periodicidade semanal, com textos aos domingos. Episódios especiais, como o draft, exigirão um número maior de textos, por isso não se espantem quando eu quebrar o protocolo e voltar a escrever com mais freqüência. Se tudo correr bem, ficaremos nesse ritmo até o início da pré-temporada, em setembro.

Agradeço aos amigos que passaram por aqui neste ano de estréia, desde aquele que deu uma rápida olhada nos textos até os guerreiros que mantiveram o sangue da página pulsando nas caixas de comentários. Sem vocês, nada disso faria sentido. Espero que continuem todos por aqui.

Até domingo.

Um grande abraço,


Rodrigo Alves

::::::::

(Foto – CBS Sportsline)

16.6.03



O CAMPEÃO ABSOLUTO



Uma temporada que começou de forma tão emblemática, com uma vitória sobre o Los Angeles Lakers em pleno Staples Center, só poderia terminar com uma noite especial. Foi um domingo memorável, perfeito para coroar a brilhante trajetória de um time vencedor. Não foram poucos os percalços: a desconfiança de quem apostava em oponentes mais badalados, a tabela ingrata que reservou para o último mês uma longa turnê na estrada, os tradicionais colapsos no quarto período. Tudo isso foi superado. E ninguém há de negar que o troféu cai como uma luva numa equipe que reúne o MVP, o técnico do ano, reservas que jogam como titulares e um calouro que joga como veterano.

Salve o San Antonio Spurs, campeão com sobras de justiça, batendo seus adversários nos playoffs, um após o outro, sempre com vitórias fora de casa, sempre com o placar de 4-2. Pois o destino reservou um belo ponto de exclamação para a platéia do SBC Center. O jogo de ontem não nenhuma maravilha estética, mas a disposição de ambos os lados fez valer cada minuto em frente à TV. A virada sensacional no último quarto, com uma corrida de 19-0, criou um mosaico de belas imagens que ficarão na história.

Foi emocionante a explosão de David Robinson, que se despediu da NBA de maneira gloriosa, contente por ter feito da última noite da sua carreira a melhor noite da sua carreira. Coberto de glórias, o almirante deixa o comando do navio e parte rumo à merecida aposentadoria.

Foram fantásticas as roubadas de Manu Ginobili, sempre em momentos cruciais, mostrando uma raça que encontra raríssimos paralelos em toda a NBA. Mergulhada em crise, a Argentina se enche de orgulho pelo filho ilustre.

Foi curioso notar no baixinho Speedy Claxton a fisionomia sóbria de quem tem a consciência do seu lugar. O rosto fechado escondia a felicidade por ter conquistado, nos últimos minutos da temporada, a cobiçada vaga de titular na equipe.

Foi um alívio ver Stephen Jackson sem medo do erro, cravando os tiros de três pontos na hora certa e fazendo vibrar uma torcida apaixonada.

Foi elogiável, mais uma vez, a ousadia de Malik Rose, uma espécie de pivô-anão, catando rebotes ofensivos no meio dos gigantes e transformando a angústia de um arremesso perdido na esperança de uma nova tentativa.

Foi muito justo o tributo de Gregg Popovich a Kevin Willis, Steve Smith e Danny Ferry, lançando-os à quadra nos momentos finais para que eles pudessem sentir melhor o gosto do primeiro título.

Foi exemplar a postura de um time que manteve a seriedade até os últimos segundos, quando a taça já reluzia e as arquibancadas já comemoravam.

Foi tímido o beijo de Tony Parker no troféu, estampando no rosto um sorriso constrangedor marcado pelo fracasso na final, mas carregado de promessas para o futuro.

E o que dizer de Tim Duncan? O que dizer de um sujeito que, na última partida do campeonato, fica a dois tocos de um quadruple-double? 21 pontos, 20 rebotes, 10 assistências e 8 bloqueios. Diante desses números, não resta nada a dizer.

Desta vez, os arquivos da NBA não vão registrar nenhum asterisco como aquele de 1999, revelando que a temporada foi mais curta. Em 2003, o San Antonio é o campeão completo. Incontestável. Absoluto. Que venham os próximos anos.